9.2.12

Deviant Tales Ato 4 (por Mel Kiryu)


Ato 4
Acolhido por um anjo

         Ouvia-se o som da chuva.
      Enquanto deslizava o algodão embebido com água oxigenada na ferida, não estava atento ao modo como Hiroshi olhava de forma fixa para seu rosto.
        Olhava fixamente e pensava por que aquele homem estava sendo tão gentil ao ponto de desinfetar a ferida de alguém largado na sarjeta, em meio ao lixo. Será que ele pediria algo em troca mais tarde?
__Ainda dói?__ Raiden perguntou cobrindo a ferida com uma bandagem feita de gaze e esparadrapo.
__Não...__ Hiroshi desviou seu olhar assim que Raiden o fitou, pois somente então percebera o tempo que ficara observando aquele rosto.
        E interrompendo aquele breve silêncio entre eles, o estômago vazio de Hiroshi roucou, ficou tão sem jeito que corou ligeiramente diante de Raiden que riu suavemente.
__Hiroshi-san... Não precisa ficar com vergonha.__ Raiden disse, erguendo-se do sofá.__ Venha comer algo na cozinha.
       A mão de Raiden pousou por um momento em seu ombro, Hiroshi levantou os olhos a fitá-lo, reprimindo a vontade de tocar naquela mão.

        Na cozinha, Raiden aqueceu uma sobra de Yakisoba que tinha na geladeira, sentou-se na mesa com Hiroshi, limitando-se a observá-lo enquanto devorava a comida.
__Hum... Que delícia... Você não come?__Hiroshi perguntou de boca cheia.
__Não costumo jantar... Vou dormir muito tarde, prefiro fazer um lanche.
         Estava debruçado sobre seu cotovelo enquanto observava Seiji Hiroshi comer, era de se admirar o quanto estava faminto. Viu que ele comeu depressa, mas quando a tigela estava vazia, parecia ter uma expressão pensativa no rosto jovem, pendendo a algo triste.
__Que foi, Hiroshi-san?... Ainda está com fome?
__Não... É que eu estava pensando...__Hiroshi pôs a tigela sobre a mesa ao lado do hashi.__ Por que está sendo tão gentil com alguém que nem conhece? Desde que cheguei na cidade, ninguém me estendeu a mão.
         Raiden tinha um jeito tão sério e compreensivo, tocou a mão de Hiroshi que estava sobre a mesa
tendo um toque cálido e firme, sentiu de pronto a mão do rapaz se encolher sob a sua.
__Eu vejo dessa forma... Se fosse eu que estivesse em apuros e você estivesse passando, será que também não me estenderia a mão?
__Bom... Tenho medo de ser tão ruim quanto a maioria.
__Hiroshi-san... A maioria não é ruim, a maioria só tem medo.
          A mão de Hiroshi começava a suar envolvida pela mão de Raiden, não sabia se sentia mais nervoso pelo toque daquela mão, ou pelo sentido daquelas palavras, ou será que ainda era aquele sorriso? Não... Raiden nem estava sorrindo agora, mas... 'Pera aí! Eu estou ficando louco? Ele é um cara, um homem!'
__Medo?...__ Foi a única coisa que Hiroshi conseguiu dizer.
__O medo torna as pessoas limitadas e solitárias.
          E tinha impressão que Masahiko Raiden não era o tipo de pessoa que tinha medo e que por conseguinte não tinha limites e isso o tornava fascinante, mas por alguma razão que Seiji Hiroshi desconhecia também tinha a impressão que o homem a sua frente não deixava de ser solitário...
__Eu também não quero ser vencido pelo medo...
        Raiden sorriu de leve em concordância e Hiroshi não entendia por que se sentia meio perdido de si quando o olhava de frente, seu corpo se inclinou meio que sem perceber, parecia querer dizer alguma coisa... Quando o som de um telefone tocando quebrou em pedaços o que parecia ser um 'clima'.
__Fique a vontade, Hiroshi-san... Eu já volto.

          Enquanto Raiden foi atender a ligação, Hiroshi tirou os tênis que calçava e sentou-se no sofá, não sabia onde Raiden estava, então ficou olhando distraido aquela sala, ouvindo a chuva... Na manhã seguinte tinha que ir para algum lugar e não sabia para onde ir.

                 Não queria ter medo, mas era o que sentia.
       Não sabia bem por onde começar ou o que fazer, não ia poder tocar guitarra na calçada para ganhar uns trocados, já que seu último 'senhorio' tinha confiscado seu amplificador como pagamento pelo abrigo e comida.
             Sentia-se cansado e acabou deitando no sofá, olhando para o teto...
         Perguntava-se quem era afinal Masahiko Raiden. Não se lembrava nos seus dezenove anos ter conhecido alguém como ele... Era como um anjo. Ficava perturbado ao admitir para si próprio que se sentia atraído por outro homem.

         A ligação tinha demorado mais do que previra, de forma que quando voltou a sala encontrou Hiroshi dormindo profundamente no sofá.

12 comentários:

  1. Wow... Hiroshi começa a gostar do Raiden, mas não quer acreditar nisso tem preconceito em relação aos homens gostarem de homens, né?

    pelo menos foi o que me pareceu

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  2. Verdade, o Hiroshi nunca tinha se sentido atraído por nenhum homem.
    Está perturbado com as próprias sensações.

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  3. É compreensível ninguém no lugar dele teria uma reacção normal... pelo menos nos dias de hoje pois as pessoas não metem na cabeça que ser homossexual é normal.

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  4. Todo mundo tem um pouco de preconceito...fato.

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  5. muitas dessas situações descritas nas estórias, para muitos, só é viável nas fantasias, na vida real é impraticável.

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  6. Com certeza na realidade é considerado uma aberração...

    Acabei agora de ler a fanfiction da C.C como me tinha sugerido e também achei muito fiche...

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  7. pois teve... até fiquei ansiosa pelo próximo capitulo...

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  8. Vou ter que sair...
    Falamos amanha <3

    Bjitos

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