31.1.15

True Love Capítulo 76 por Kisu


CAPÍTULO 76 - Will I be able to reach your heart at least a little?

- Sobre o que queria falar comigo? - Yuki perguntou.
       Estavam sentados na escadaria de um dos prédios secundários um pouco mais afastado do movimento interminável de pessoas.
- Desculpa, eu acabei ouvindo sua conversa com minha onee-chan há alguns dias. Na verdade, eu meio que segui vocês… - remexia os dedos das mãos diante o nervosismo.
- Ah… - suspirou impaciente. - Se era só sobre isso, não se preocupe - disse se levantando.
- Espera, não é apenas isso - proferiu alarmado.
        “Tem tanto que quero saber, que quero dizer, mas não sei por onde começar, o que devo fazer? O que digo primeiro?”.

- Nee Kazumi-sensei, por que eu? Por que você tinha que gostar justo de mim? - perguntou desolado, procurando um lugar para olhar, contudo não conseguia manter contato visual com Yuki.
Yuki se recostou ao corrimão.
- E alguém sabe a resposta? Não é como se pudéssemos escolher por quem iremos nos apaixonar. São fatos inevitáveis.
Daisuke remexeu os pés, os dedos das mãos ainda nervosos, igualmente inquietos e trêmulos.
- Então, por que eu sou o único que não lembra do passado se até minha onee-chan lembra? E como você ainda pode gostar de mim depois de tanto tempo?
- Não sei o que aconteceu com você, por muitas circunstâncias perdemos contato e depois de todos esses anos quando finalmente nos revimos, não soube se você me odiava ou apenas me esquecera, mas na hora soube que ainda te amava da mesma forma. Não, posso dizer que te amo mais do que antes, Daisuke.
      “Por que tinha que usar meu primeiro nome justo agora? Me sinto um idiota por sequer conseguir dizer seu primeiro nome… por tentar tanto lembrar e não conseguir recordar esse trecho de nosso passado…”
- Sabe, eu fiquei dias e dias pensando, tentando chegar a alguma resposta. Queria até mesmo que alguém me dissesse o que eu deveria fazer em seguida, se estava certa ou errada a minha decisão… que eu devia ter ouvido o que você tinha a dizer em primeiro lugar antes de tirar conclusões precipitadas, mas…
         Yuki ouvia tudo sem se manifestar. Sabia que se interrompesse talvez Daisuke não tornaria a falar tão abertamente o que sentia, portanto, nada disse.
- Tenho medo, uma parte dentro de mim quer acreditar, mas é como se tivesse algo que não sei descrever e que me apavora, como se eu estivesse constantemente me perguntando “Está certo este tipo de relacionamento? Por mais que ele diga que me ama, eu também sinto o mesmo? O que dirão se descobrirem? Não vão nos julgar por sermos aluno e professor? Por sermos dois homens? Não iremos nos machucar? E se o Kazumi-sensei se cansar de mim?”. São tantas perguntas, tantas dúvidas que sinto que estou quebrando de dentro pra fora enquanto todos ao meu redor se machucam por minha causa - dizia se envolvendo nos próprios braços, tentando se certificar de que cada parte estava no lugar apropriado.
         As árvores, as folhas, tudo estava ali, os observando em silêncio e com atenção, mas nada ousaria interromper. A música e os murmurinhos pareciam tão distantes que diria que não era possível ouvir, nem os pássaros davam um pio. Apenas a voz suave de Yuki irrompeu naquela monotonia no que se postou diante de Daisuke.
- Os outros sempre terão uma opinião semelhante ou divergente da sua, mas e o que você quer fazer? - enfatizou a última parte. - Mesmo que você esteja em conflito, há algo que você sente que quer fazer e o que é?
         Levantou a cabeça, a face tenra de Yuki estava voltada para si, esperando a resposta. Era tão suave que não conseguiria distinguir se ele esperava ouvir uma boa ou má notícia.
- Você… eu não quero dar você para mais ninguém seja mulher ou homem, nem para minha onee-chan! - desabafou sincero. Segurava a manga do próprio casaco com força para as palavras não o abandonarem no meio do caminho. - Seja todo meu e me deixe ser só seu de novo, não pense em ninguém além de mim, Yuki - falou cerrando os dentes, tentando conter a voz de falhar e a dor no peito de escapar mais ainda.
          Yuki deixou escapar um riso de canto de lábio, o que fez Daisuke se encolher de medo.
- Bobinho - disse puxando Daisuke pelo braço para que se levantasse. - Você é tudo o que há nos meus pensamentos a todo instante - sorriu abraçando Daisuke. - Ainda tem tanto que precisamos saber um do outro, tanto caminho para confiarmos um no outro, mas eu não quero desistir de você mesmo se for me machucar, caso contrário me arrependeria pelo resto da vida de não ter tentado de novo, de novo e de novo…
          Era mais fácil dizer essas palavras e perdoar Daisuke sem que tivesse de encará-lo olho no olho. Talvez uma parte de si visse aquele rapaz como a criancinha indefesa que era quando se conheceram, portanto, não conseguia ficar bravo quando via Daisuke se esforçando a agir de modo diferente do usual.
- Em contrapartida, pense em mim até o ponto em que não poderá me deixar nunca mais. Até ficar louco de paixão… - sussurrou envolvendo o rapaz com mais força em seus braços.
         Não entendia como era possível sentir tanta saudade daquele calor, daquele contato e daquele cheiro próprios de Yuki. Seu coração batia acelerado e não conseguiu evitar de retribuir o abraço se aconchegando nos braços do homem que tanto amava e prezava.
              Sentiu Yuki beijar-lhe os cabelos e ergueu o rosto.
- Você me perdoa, Kazumi-sensei? - perguntou baixinho com receio da resposta.
- Somente se você parar de me chamar formalmente quando estivermos sozinhos. E se me deixar, saiba que irei até o outro lado do mundo e te trarei de volta amarrado pra presente.
- Não seria embrulhado? - esboçou um sorriso.
- Não, do meu jeito é amarrado - sorriu.
          E com suas respirações tão próximas, seus lábios logo se encontraram como dois pólos de um ímã. Como eram quentes, macios e gostosos aqueles lábios de que tinha tamanha saudade e desejo de tornar a beijar. Suas línguas se embolavam ávidas uma pela outra, sedentas de saudade e de paixão que reacendia após todo o tempo em que ficaram distantes. Daisuke percorria suas mãos pela camisa de Yuki quase como se pudesse sentir a pele por cima do tecido ao passo que a mão de Yuki escorregou por suas costas apertando gentilmente seu traseiro.
       Estava feliz, aliviado, agitado e excitado, questionava se o motivo para tanta mistura era Yuki.
Sim, só podia ser.
          Sentia o hálito quente e úmido da respiração de Yuki em seu pescoço e no que seus lábios triscaram a pele desnuda, Daisuke soltou um gemido baixinho, mas Yuki não continuou com as carícias e beijos como lhe era de costume, ao contrário, se afastou um pouco e disse discreto, meio consternado:
- Ainda tenho que cuidar de várias coisas, então… Te espero no estacionamento no final? - explicou, certamente sofrido por já terem de se despedir.
Daisuke concordou com um aceno de cabeça antes de Yuki lhe dar mais um beijo rápido.
- Prometo não demorar - proferiu acariciando os cabelos negros de Daisuke.
        Yuki voltou para a parte movimentada e tão logo se afastou, Daisuke sentou desajeitadamente, como se as pernas não suportassem o peso do corpo. Seu coração ainda batia desgovernadamente, as maçãs do rosto queimavam e pra completar estava com o início de uma ereção.
         “O que eu sou? Uma criança? Quem fica assim tão rápido e com apenas alguns beijos? O que há comigo? Droga, não posso voltar assim. Que se passa comigo… por um momento pensei que o Kazumi-sensei não pararia depois de ouvir aquele meu gemido vergonhoso…” pensava constrangido.          Esperou um pouco, mas nada de sua situação mudar, no final, acabou amarrando o casaco à cintura numa tentativa de esconder sua ereção antes de voltar para a área agitada, quem sabe se parasse de repassar cada cena seu corpo voltasse ao normal.
          “Kazumi-sensei tem razão… por que sempre me importo com o que os outros pensam? Se eu não me esforçar e seguir em frente, não poderei encarar o Luke nem a mim mesmo. Ainda tenho um longo caminho até reconquistar a confiança do Kazumi-sensei”.

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