31.1.15

Tsukiyomi no me Capítulo 1 por C.C


Capitulo 1

  Nunca me senti tão aliviado por me afastar da cidade. Devo ter estado a ser espremido por todo o tipo de pessoas por mais de uma hora. Para a próxima tenho de me lembrar de não usar o comboio em horas de ponta. Não é como tivesse muita pressa.
  Finalmente consegui arranjar um lugar para me sentar. Segundo o revisor ainda tenho mais quarenta e poucos minutos de viagem. Talvez seja uma boa altura para meter a leitura em dia. Antes de partir a minha “adorada” editora fez questão de me visitar e oferecer um exemplar do novo livro do meu suposto rival atual.

  Pessoalmente não ligo nada a essas coisas mas devo confessar que no meu estado atual até uma criança que acabou de aprender a escrever faria mais sucesso neste momento, por isso é impensável para mim comparar-me com este livro. No final acabei por perder a vontade de ler.
  A minha auto-estima está mesmo uma…
  A voz que anunciava a próxima paragem cala a minha podre consciência.
  Uma enchente de pessoas começou a entrar. Por muito que o meu corpo negasse levantei-me para ceder o lugar a uma senhora de idade.
  Perdi a conta do tempo que demorou até sair daquele comboio. Mas pelo menos a paisagem era bonita. Como era de se esperar fui o único a sair naquele sitio.
  Depois de pedir algumas informações cheguei à conclusão de que a situação era pior do que pensava. Não bastou as horas intermináveis que passei naquela lata de sardinhas que chamam de comboio agora ainda tenho de ir de autocarro até ao sopé da montanha e seguir a pé para o templo. Qual é que foi a ideia de construir uma aldeia num sitio tão recôndito?
  Voltei a arrastar-me até à paragem mais próxima. Mais um milénio à espera.
  A paisagem à minha volta trazia-me um raro sentimento de conforto. Realmente o contato com a Natureza era outra coisa. Quase posso sentir as minhas preocupações a evaporar. Infelizmente é só “quase”.
  Tal como havia pedido, o condutor do autocarro avisou-me quando cheguei ao meu suposto destino. Segundo o simpático homem faltava-me apenas meia hora de caminho a pé pela única estrada existente.
  Não é que eu seja preguiçoso mas não estou habituado a andar tanto. Acho que até já ganhei bolhas nos pés.
  A brisa fresca ajudava a amenizar o cansaço e ouvir os pássaros a cantar nos ramos das árvores à minha volta transmitia uma certa paz que não se encontra na cidade.
  Começava eu a pensar que estava no caminho errado quando passei a ouvir a agitação típica de uma população. Nada que se compara ao sitio de onde venho mas pelo menos eram pessoas.
  Tirando os primeiros instantes em que olharam para mim como se eu fosse um alienígena acho que até correu bem. Por aquilo que entendi, os únicos visitantes que recebem são na maioria peregrinos e sacerdotes em formação que vão para o templo por isso verem alguém que não parece nem um devoto nem um padre deixou-os bem animados.
  Automaticamente ofereceram-me alojamento e comida. Tive pena de recusar mas acabei por prometer que voltaria lá.
  Voltando à estrada segui para o templo. O edifício imponente dava para ver da aldeia. Tenho de admitir que era uma bela aldeia.
  Não havia uma viva alma à volta daquele templo. Quase pensei que não estava lá ninguém.
  Aproximei-me da entrada e toquei o sino. Será que vive mesmo aqui alguém?
  Ia tocar novamente quando a porta deslizou e um homem apareceu à minha frente com o olhar mais desinteressado que eu já vira.

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