24.1.15

Tsukiyomi no me Prólogo por C.C


Prólogo

  A manhã está fria. Mesmo com as mãos nos bolsos consigo sentir o vento a gelar-me os ossos. Já perdi a conta das vezes que vim até aqui no último ano. Sei que não vai mudar nada, nem a minha inspiração vai surgir nem ela vai voltar, mas mesmo assim sempre que dou por mim a precisar de espairecer é este o sítio que acaba por ser o meu destino.

  É verdade, ainda nem me apresentei. O meu nome é… Por agora será Sakurai Jun. também é um dos meus nomes apesar de não ser o de batismo. Sou escritor. Ou deveria ser. Há um ano que não consigo escrever mais que três linhas sem ter de apagar tudo. Quis desistir, na minha opinião mais vale parar enquanto estou no auge do que afundar-me vergonhosamente por ter perdido todo o meu talento. Infelizmente a minha editora não partilha do mesmo raciocínio.
  Os meus pais têm-me ligado a semana inteira. Ainda não tive paciência, ou talvez coragem, para atender.
  Por falar no diabo. O meu telemóvel está a vibrar novamente. Acho que não tenho escolha.
  - Olá mãe. Sim eu sei. Não precisas dizer, já estou a ir. Beber um café? Agora? Como queiras.
  Beber um café com a minha mãe. Perfeito! O que vale é que será num sítio público o que deve evitar uma discussão.
  Eu sei perfeitamente o que ela quer conversar, por isso tenho evitado encontrá-la. Já sei o sermão de cor.
  Pelo menos escolheu uma cafetaria aqui perto. Sim, eu não conduzo. Tenho carta de condução e até um carro na garagem mas não gosto de conduzir. Prefiro transportes públicos. Para começar é um ótimo lugar para nos inspirarmos. Ou era. Agora nada mais me inspira.
  Assim que chego sei logo onde ela está. Afinal ainda só estou à porta e neste momento começo a sentir olhares assassinos a virem na minha direção.
  - Pensei que não conhecias mais a tua própria mãe. Nem tens ido lá a casa. O teu pai também gostava que fosses lá mais vezes. – Nem me sentei e o sermão já começou.
  - Desculpa. Tenho andado ocupado com o trabalho.
  - Se estivesses assim tão ocupado não passavas os dias naquele cemitério.
  - Outra vez essa conversa.
  - Filho, nós só estamos preocupados contigo. Passou um ano e tu continuas agarrado ao passado. Até o teu trabalho afetou. Porque é que não tentas procurar ajuda…?
  - Mãe, de uma vez por todas, eu não preciso de ajuda. O que eu preciso é paz e estar sozinho.
  Ouço-a suspirar. Parece que consegui vencê-la pelo cansaço.
  - Muito bem. Se é “paz e estar sozinho” que queres significa que estamos de acordo.
  - De acordo? – Isto não soa bem.
  - Lembras-te daquele conhecido nosso que tinha um templo?
  - Vagamente.
  - Eu telefonei-lhe e soube que ele adoeceu. Como tal quero que vás até lá entregar os nossos cumprimentos.
  - Eu?! – Era só o que me faltava.
  - Tem algo mais importante para fazer? É que não tenho visto nada. – O olhar de desafio sobre mim faz-me lembrar de quando fazia asneiras em pequeno e não admitia. Pergunto-me de onde é que veio este feitio. – Por isso faz as malas. Além disso vais poder estar sozinho como tanto queres.
  Até não parece uma má ideia. Passar um tempo no templo é capaz de me fazer bem para relaxar. Não gosto de ceder tão facilmente mas parece que desta vez não vai ser assim tão mau.
  - Está bem.
  - Está bem o quê? – Ela quer mesmo obrigar-me a dizer.
  - Eu vou.
  - Ótimo! Tens aqui a morada e as informações para chegar até lá. Faz uma boa viagem querido!
  Realmente, que feitio. Não sei como me deixei convencer. Bom, ao menos não vou precisar de a ouvir a chatear-me por tudo e mais alguma coisa.
  Umas férias nas montanhas. Quase pareço um velho reformado.

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