3.6.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 54 por Mel Kiryu


Capítulo 54  Alguém que nunca toma posse das rédeas do próprio destino
                      é como uma folha ao sabor do vento 

       "Você encontrou uma vida diferente conosco neste vilarejo
         E me ensinou que morrer pode não ser a solução para tudo
         Quando eu te salvei de cair do penhasco que eu pretendia pular."

    Kitsune apoiou os dedos trêmulos no guardanapo, seu cabelo cobria parcialmente seus olhos e seu rosto cabisbaixo, seus lábios também tremulavam de leve numa curva decadente.
 Não podia escapar do que sentia e a verdade é que não tinha tentado deixar o vilarejo para abandonar Kanda, mas sim fugir do peso que tinha que carregar em sua cumplicidade com Datenshi ao guardar segredo do crime que ele havia cometido.

  Apesar de sentir que amava Kanda, não podia contar o que tinha motivado sua partida.
  Em seu desassossego íntimo dizia a si mesmo que não trairia Datenshi.
  O amor que tinha pelos dois irmãos era como uma pedra imensamente pesada amarrada ao seu calcanhar e o nó que o unia a pedra era cego, impossível de desatar.

                                                            ********
                     Contudo, ainda tentava arquitetar uma saída.
               Era um covarde por desejar fugir de tudo que tinha conquistado durante suas férias de verão, mas Kitsune não estava acostumado a lutar, a proteger intentos.
  Tinha medo do amor que tinha cultivado nos três últimos meses, era maior do que qualquer coisa que tivesse experimentado.
  De modo que, depois de ficar um bom tempo perambulando com Kanda, acabou voltando à casa de sua avó como um cãozinho com o rabinho entre as pernas.
  Quando atravessou o quintal e entrou na cozinha pela porta dos fundos, sua avo não manifestou grande surpresa.
  Deu de cara com a velha Nagoro acendendo o cachimbo.
__Ah... Kitsune! É você... Não ia voltar para a Capital, neto indeciso?
     Tinha qualquer tom de troça no jeito de falar de Nagoro.
__Decidi ficar... Por enquanto...
    Kitsune respondeu sem encarar a própria avó, tirou a mochila das costas e suspirou aborrecido com a própria estupidez.
__Decidiu ficar... Como se decidisse alguma coisa!__ Nagoro ironizou, sagaz.__O imprevisto que adiou a sua partida se chama Kanda, não?
     Ergueu o olhar num mero impulso e deixando a mochila sobre o acento de uma cadeira fitou sua avó.
__Então foi isso... A senhora disse a ele que eu tinha ido para a estação...__ Kitsune refletiu meio que para si.__ Achei que não gostasse de Kanda, Obaasan.
     Nagoro deu um bom trago no cachimbo, sossegada que só ela. Saboreando o fumo, espiando o neto por trás da fumaça.
__E minha opinião conta desde quando?__ Ela inqueriu.__ Você se quer se deu o trabalho de prestar atenção no que eu dizia! Quis se envolver com Kanda, não foi? Agora arque com suas escolhas...__ Nagoro replicou calmamente a dar os ombro miúdos.
     Kitsune franziu o cenho, seus dedos se fecharam sobre o encosto da cadeira.
   Onde estava o infindável tom de censura que sempre perdurava na voz de sua avó? A impostação sombria e profética que volta e meia rondava seu falar?... Essas questões se perderam assim que sua barriga roncou e Kitsune desviou o olhar desconcertado com o som indiscreto de sua fome.
__Ah, neto cabeça-de-vento...__ Nagoro riu.__ Sorte que deixei um bento prontinho para você! Anda logo e vá lavar essas mãos!
     Sua avó deu um último trago no cachimbo antes de deixá-lo sobre a mesa, virou-se para pia onde tinha deixado o bento e Kitsune encarou inquieto o cachimbo que se apagava, um resquício de fumaça se elevava agonizante.
    "Espera aí! Se Obaasan deixou bento para mim... Ela sabia que eu não ia partir! Mas... Como?"__ Sua voz do pensamento estava mais que intrigada, parecia que sua avó tinha sido abduzida ou que tinha voltado para a dimensão errada. Seus dedos se apertaram contra o encosto da cadeira... Seria possível que até mesmo sua avó quisesse adiar a sua partida?
    Mas, nada inquietava mais Kitsune do que certa possibilidade...
__Obaasan... É mesmo possível... Que esteja se afeiçoando ao Kanda?...
    Nagoro, que ainda estava de costas, desamarrou o bento que estava dentro de uma trouxinha feita com pano de prato para conservar o calor e refletiu quase longamente antes de responder.
__Foi um verão estranho, não é?__ Nagoro retrucou ainda de costas.__ Até uma velha como eu pode aprender e mudar de opinião... Quando se pensa que não há mais nada a se saber.
    Era como se Nagoro se preparasse para encarar seu neto, era algo difícil de admitir depois de tudo que havia dito de ruim sobre Kanda. Suspirou e se virou colocando o bento sobre a mesa e ergueu devagar seus olhos antigos.
__Percebi...__ Nagoro continuou ainda meditativa.__... Que não foi apenas você que se apaixonou por Kanda...__ E ela olhou bem dentro dos olhos caramelo de Kitsune.__ Kanda também é louco por você, foi por isso que ele correu para a estação para evitar sua partida e te beijou na boca na frente de outros, como se nada mais importasse.
      Nagoro tirou a tampa a marmita, enquanto Kitsune enrubescia tremendamente e se perguntava constrangido como sua avó poderia saber...
   

21 comentários:

  1. Oi Mel
    sabe que eu fiquei pensando no mesmo? como a avó do Kitsune sabia tudo isso? Ela também foi até a estação?
    Outra coisa que eu fiquei pensando foi.... que se ela seria a favor de o seu neto cabeça de vento ficar lá a viver, quem sabe ela desse uma ajudinha..

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  2. Bom, isso será esclarecido (acho que no próximo capítulo) e sim, a Nagoro está disposta a ajudar o neto cabeça-de-vento...
    E aí? Tem lido o livro do rapaz sem cor?

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  3. Jura? Mas que coisa boa *-*
    Agora basta ele querer ser ajudado...
    Tenho sim.... já conheço o Haida, gosto das conversas deles os dois, parecem amigos bem intimos... agora tou na parte que a Sara dá uma gravata azul ao Tsukuru

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  4. Apesar de tudo... O Kitsune ainda está indeciso quanto a partir...

    Eu estou quase terminando o livro, ontem o fiquei lendo até uma da manhã.
    Na verdade o Haida se tornou meu personagem favorito.
    Ah, a parte da gravata azul é a que ela já pesquisou sobre os amigos do Tsukuru? (É que já passei faz um tempo dessa parte).
    Agora me fala... Numa dimensão paralela não poderia ter rolado algo entre o Haida e o Tsukuru?

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  5. É eu dei conta disso.... para não ser cumplice de um crime....


    Fogo Mel! É bem devorado de livros....
    Eu também gostei daquele pianasta que o Haida fala que eu não recordo do nome, eu queria saber o que lhe aconteceu...
    Sim ela está curiosa por saber mais sobre os amigos dele.... ainda vou bem atrasada comparada á Mel ^^"
    Podia sim.... eles passam tanto tempo juntos até dormem na mesma casa de vez em quando não é dificil imaginar os dois

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  6. Mas, bem... O Kitsune é cúmplice querendo ou não... Ele é quer é tentar fugir disso apesar de tudo.
    Só que não adianta mais...

    Pior que sou... Devoradora de livros.
    Ah, o Midorikawa (guardei o nome do pianista porque essa passagem do livro me chamou atenção), nós conversamos esses dias sobre morte e na mesma noite eu li a parte do livro em que o Haida e o Tsukuru conversam sobre o mesmo tema... Mas, eu no lugar do pai do Haida não acreditaria no Midorikawa, sou muito cética para acreditar numa história daquelas...

    Pois é e depois você vai me dar mais razão ainda... *-*

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  7. Lá isso é, apenas acho que ele está querendo fugir ao peso de consciência, mas talvez desse jeito ainda lhe pese mais

    Isso eu não consegui ainda decorar o nome dele :p eu não sei se não seria verdade..... eu queria saber o que depois lhe aconteceu.....chegou a uma certa parte que mais parecia o Haida que viveu esses acontecimentos que o pai dele.

    A Sara..... não é que desgoste dela.... mas parece ser um bocado ligada á futilidade

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  8. Por isso que mesmo que ele acabe por ficar morando com a avó... Algo não vai se encaixar na cabeça do Kitsune... Ele ainda vai ficar incomodado.

    O que me ajudou em parte a decorar foi ter a cor verde no nome dele.
    Eu acho que deu essa impressão porque eles chamaram o pai de Haida na hora que a história estava sendo contada.

    Ah, entendo... A Sara me irrita um pouco também.
    Ela é eficiente demais, prestativa demais, até mesmo um tanto controladora para o meu gosto...

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  9. Tem a ver com o assassinato? Ou com a relação a três? Desse jeito as coisas podem se desmoronar

    Eu decorei que era rio verde :p
    Sim isso também.... mas passou mesmo aquele sentimento sabe.... não sei... de todo devo estar bem enganadinha

    É.... e fica batendo sempre na mesma ferida do Tsukuru..... se não fosse ele desejar tanto uma mulher quem sabe ele não encontrasse uma mais interessante

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  10. Ainda é mais com o assassinato, embora ele também questione um pouco essa relação a três... Pois sim, é daí que as coisas começam a ficar realmente estranhas.

    De qualquer forma, eles não tocarão mais nesse assunto, então vamos ficar sem saber... -.-"

    Acho que o Tsukuru não quer arriscar procurar outra mulher... Talvez ele pense que sendo desinteressante (pois ele diz que até seu rosto é sem graça) não vá conseguir se relacionar com outra mulher de maneira um pouco mais profunda, ainda mais que ele é uma pessoa bem discreta...

    Olha, por duas vezes na minha vida eu me deparei com a mesma situação de ser excluída de determinas amizades (e sem compreender porque), mas sinceramente hoje em dia não tenho mais vontade de saber porque... Estou é seguindo com a minha vida, ora... Aliás, quando você descobrir a razão do Tsukuru ter sido excluído... Vai é ficar com raiva, foi bem estúpido mesmo.

    E na sua estória... Shuji é um doentinho bem safado, não? ^^"

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  11. Puxa..... e eu pensando que tinha tudo para dar certo -.-" Não é o Kitsune que pensa de mais que se for eu dou um murro naquela tola que sai os parafusos que tem a mais :p

    Eu acho que ele também tem medo que outra o possa abandonar, já a Sara lembra-se dele, e trouxe-lhe um presente (que não achei muita piada)

    Ah eu também já fui muitas vezes excluida.... por isso familiarizei bastante com o Tsukuru, talvez isso também fez de mim não querer arriscar em conviver muito com outras pessoas.
    Eu imagino que seja por isso estou-me preparando psicológicamente :p

    Ah se é.... eu tou a meio do próximo capitulo..... mas é com o Ikki e o Ren.... tinha uma vontade de escrever kimi o ai..... que não estou escrevendo mais nada :)

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  12. Eu sempre te disse que o problema da estória é o Kitsune e suas indecisão e decisão... Eu fiz dois finais para esta estória... O primeiro é um final mais ameno, aceitável assim por dizer.
    O segundo ainda está em andamento...

    Eu também sou uma pessoa de poucos amigos, quase nenhum amigo de convívio diga-se de passagem e eu sou apenas um pouco velha que o Tsukuru... Com essa idade a necessidade de se encaixar num grupo é praticamente nula.

    Eu quero começar a parte 7 do episódio 4 de Kind of Blue...

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  13. Fez dois finais? Mas pretende colocar os dois ou só um?

    Sim em contrapartida a Mel constituiu familia, tem sempre alguém ao seu lado.... não que se compare a uma amizade.... já eu talvez por ser mais nova sinto um pouco mais essa necessidade

    Mas faz bem quando tiver tempo vai chegar lá....

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  14. Fiz sim... Um final para cada decisão possível que o Kitsune tomasse.
    Um foi mais fácil, mas no fundo o próprio Kitsune não ficou tão feliz...
    O outro em andamento ainda não sei bem como há de terminar.

    Sim, eu nunca estou sozinha, tem sempre com quem partilhar momentos, sentimentos e situações... Mas, quero que minha vida tenha muitas fases ainda.

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  15. Pois até a autora se perde nas indecisões do Kitsune
    Se não sabe, talvez seja porque deve ser mais complicado, digo eu....

    Eu não posso dizer que nunca estou sozinha, ainda tenho família.....mas no fundo nunca achei que fosse pessoas que me compreendessem de todo, é disso que sinto falta
    E toda a gente quer viver as fazes a que tem direito, dai a um tempo Mel tá tendo netinhos fofinhos :p

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  16. Eu ia fazer um final somente... Mas, talvez fosse trágico.
    Tinha boa chance de acabar mal... E teve uma escolha do Kitsune que foi a divisora dos finais, me dei conta que ele tinha dois finais para a sina dele.

    Acho que a gente nunca encontra alguém que nos entenda completamente, Rima.
    Nós somos complexos, propensos a mal entendidos e ideias pré concebidas... Nos afastamos das pessoas pelos motivos errados, por complexos de inferioridade ou por orgulho.
    Acho que é preciso tentar compreender melhor a si mesmo.

    Mesmo assim não me vejo como uma avó muito coruja... :p

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  17. Foi o que eu imaginei que talvez o final fosse trágico por isso que a Mel tentaria fazer outro mais feliz, ditamente.....

    É.... talvez tenha razão porque nunca achei ninguém assim..... mas também não procuro muito.
    Mel tem toda a razão nisso, eu sei sou complicada por natureza.... mas entender-me tarefa mais dificil.... que quando tempo dá vontade de chorar.

    kkkkk até lá veremos se não será :3

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  18. Vou tentar, não gostaria de matar, nem separar terrivelmente ninguém....

    Eu já tive muitas conversas filosóficas com pessoas próximas, até cheguei a namorar algumas dessas pessoas, mas falta entendimento de ambas as portas na hora de se compreenderem verdadeiramente. Como por exemplo, já houve ocasiões que namoros meus terminaram, mas eu continuei sendo amiga da pessoa, em outras... Foi impossível continuar a amizade, o que eu achei uma pena... As pessoas não conseguem separar certos sentimentos.
    Assim como eu não sei administrar meu ciúme e provavelmente nunca vou saber...

    Não me vejo muito protetora com meus netos... Não mesmo...


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  19. Ui a Mel pensou em matar alguém? o.O

    Verdade que também não gosto de pessoas que concordam tudo igual a mim, fascina-me se discordar, ter um motivo de discussão, dentro dos limites, mas o que toca de dentro, é dificil, mas gostava de pessoa com compreensão, talvez o oposto que acabei de dizer...
    Mas no fundo é mesmo assim como a Mel diz.

    Não vejo mal, uma avó tolerável e jovial....
    Bem Mel vou ter de sair
    Beijinhos e até amanhã :3
    <3

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  20. Ah, alguém ia morrer sim...

    Não, realmente é bom ouvir um argumento que entre em divergência com o nosso, nos faz refletir e aprofundar nossa forma de pensar. Mas, tem pessoas que não sabem argumentar sem brigar, isso que é ruim...

    Até amanhã, minha amiga.
    Bom descanso para ti.

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