10.6.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 55 por Mel Kiryu


Capítulo 55 O voto perpétuo, a promessa inquebrável

     Não teve o atrevimento de perguntar como sua avó soubera do beijo trocado com Kanda na  Estação Férrea de Hajiketa.
    Aliás, enquanto Kitsune comia o bento na cozinha, Nagoro tinha ido fumar seu cachimbo em sua cadeira de balanço na pequena varanda do quintal.
    Comia depressa em vista de sua fome sem saber porque se sentia algo deprimido.
   Em sua inquietude, não conseguira ficar em casa.

   Já que não podia voltar para sua casa na Capital, deixou a mochila no quarto logo depois de comer e apenas levou algum dinheiro no bolso e seu celular dizendo a sua avó que apenas ia dar uma volta.
   Kitsune sentia que precisava de um tempo distante de Datenshi e Kanda, com eles por perto era impossível pesar cada sentimento controverso que carregava consigo.
   De modo que pegou o ônibus já sabendo para onde iria, mas um pouco antes de embarcar, conversou com sua mãe pelo telefone enquanto esperava o ônibus na parada.
__Desculpa, mãe... Sei que liguei dizendo que iria voltar hoje para casa... Mas, acabou que não deu.
__Imaginei que não viria, Kitsune... Mas, dado às circunstâncias, foi melhor mesmo não voltar.
__Eh?... Por que está dizendo isso, mãe?...__ Kitsune perguntou sem entender.
__Como assim? Seu pai e eu temos que agilizar sua transferência para a escola do vilarejo... Sua avó não te falou?
__Quê?!... Minha transferência... Para a  escola do vilarejo?__ Kitsune indagou pasmo.__ Mas!... A senhora mesmo tinha dito que eu tinha que voltar... Quando... Como isso foi decidido?...
__Hoje mesmo hora, ora! Sua avó que me pediu para que você viesse morar com ela até se formar, Nagoro está bem idosa para morar sozinha num lugar tão afastado e já que você gostou tanto desse lugar... Nós concordamos em realizar sua transferência.
__Mãe!... Vocês... Resolveram tudo sem mesmo perguntar o que eu queria?...
__Kitsune, você ainda é de menor e está sob nossa responsabilidade... Seu pai e eu sabemos o que é melhor para você! E além disso, quer mesmo deixar sua avó desamparada? É uma situação perfeita para você, que nem se quer queria ir embora.
      Kitsune ficou mudo, como em choque.

    Ouviu ainda a voz de sua mãe, mas apenas ignorou e encerrou a ligação.
    Por que sua  avó não tinha dito nada? Em que momento ela decidira que queria sua companhia? Pensava apenas ser um estorvo para ela, um neto avoado que apenas lhe causava preocupação.
   E sem mais demora, o ônibus chegou.
    Após ocupar seu lugar, Kitsune sentia-se atordoado em suas reflexões.

    "A culpa é minha... Como nunca havia me importado com as decisões tomadas pelos meus pais, acharam que estava tudo bem em continuar conduzindo a minha vida por mim... Como eu faço para retroceder essa realidade agora?... Se bem... Que não sei o que adiantaria... Sou uma tragédia... Não sei o que quero... Estou com medo, só penso em fugir... Agora mesmo, mesmo que depois eu vá voltar para casa da minha avó... Estou fugindo..."

                                                              *********
        Deixou sua mente voar longe na paisagem que vislumbrava através da janela do ônibus, no céu de estridente azul que se descortinava numa visão que parecia não findar.
     Sua ansiedade tinha se acalmado em parte depois de duas horas de viagem, havia se distraído também com as músicas que ouvira os fones conectados em seu celular.
     Ao saltar do ônibus em Okami, sentia-se disperso como uma pétala flutuando no ar.

              Não que isso fosse bom, em verdade apenas estava perdido como sempre.    
    Quando começava a fazer o caminho, sem ter total certeza da onde estava indo seu celular tocou enquanto guardava os fones em seu bolso.
__Oi...
    A voz de Kitsune atendeu timidamente o telefone.
__Oi.__ E a voz sorriu-lhe em resposta, de pronto identificou o timbre da voz faceira de Datenshi.__ Sabe, tive que ligar... Porque tem um garoto-da-cidade fugindo de mim. Por acaso ele se encontra por aí?
      Kitsune também sorriu discreto em meio aos passos que trocava no caminho, não podia negar que era bom ouvir o tom brincalhão de Datenshi.    
__Me perdoa, Datenshi... Eu precisava muito de um tempo sozinho...
__Você não está tentando ir embora do vilarejo de novo, está? Porque aí eu teria que ir atrás de você!
__Não... Não estou indo embora... Juro.
__ Por que quer distância de mim, Kitsune?__ Datenshi inqueriu guardando seu tom de brincadeira, sua voz soava um tanto mais séria.
__Não é você, Datenshi... É tudo... Não entendo como tudo de repente ficou tão confuso... Minha avó mudou de ideia... Meus pais mudaram... Todos querem de repente que eu crie raízes nesse lugar.
__Não é sua avó, nem seus pais que querem... Sou eu que quero.
__Como?...
__Fui eu, Kitsune. Eu convenci Nagoro-obasama que ela precisava de você e ela convenceu seus pais de que está velha demais para ficar sozinha.
     "Datenshi..."__ Seus lábios estavam entreabertos, mas não conseguiu pronunciar o nome de Datenshi tal como seu pensamento. Até sua respiração parecia atônita quando Datenshi prosseguiu em vista do silêncio de Kitsune.
    Sua voz era cúmplice, baixa e fresca de carinho.
__O que te prometi... Lembra?
     Seu coração bateu mais forte e Kitsune respirava com um ímpeto renovado, suas pupilas dilataram diante da lembrança que se renovava em sua mente.
__Lembro...
__ Prometi... Que não ia te abandonar...
        E agora a voz de Datenshi estava tão baixinha quanto a de Kitsune, que completou a se dar conta de quão profunda era a promessa que prendia ambos:
__... Mesmo que depois eu peça para você me deixar ir...  
   

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