20.6.15

Tsukiyomi no me Capítulo 20 por C.C


Capitulo 20

  Não consigo descortinar o que é me deu para ter prometido que ia falar com o Yu. Agora que me encontro à porta do quarto da pensão onde ele está instalado é que me apercebo da gravidade do meu erro. Ele vai pressionar-me tanto que eu terei de contar tudo em pormenores sobre o que se passa e não sei se estou preparado para revelar certas coisas em voz alta.
  A porta abre-se. O tempo para arrependimentos terminou, neste momento, como se diz na gíria, só me resta agarrar o touro pelos cornos.

  - Arata-chan! Entra, entra. Senta-te.
  - Yu, antes de dizeres alguma coisa responde-me. Estás preparado para ouvir o meu monólogo por mais de uma hora sem me interromper?
  O semblante dele torna-se sério e após servir um café para ambos, senta-se ao meu lado acomodando-se e acena para eu começar.
  Perdi a conta dos minutos que passei a falar quase até à rouquidão explicando minuciosamente tudo o que se passara nos últimos dois meses. Conseguia ver a expressão curiosa e desejosa de fazer perguntas do meu amigo, que mesmo assim respeitou a minha vontade e manteve-se em silêncio o tempo todo.
  Não era fácil expor algumas coisas, entre outras a minha relação com o Tsukiyama. Sabia que ele não se incomodava com isso mas o receio e a vergonha permaneciam lá de igual modo.
  Estávamos os dois calados, eu descansando a minha garganta e ele provavelmente assimilando tudo o que eu dissera na última hora.
  - Só tenho uma pergunta que quero fazer-te Arata-chan. - Ele quebra o silêncio surpreendendo-me. – Estás feliz?
  Aquelas duas simples palavras fizeram agitar todo o meu ser. Com todos os percalços que aconteceram, “felicidade” foi um nome que nunca apareceu na minha mente. Mas ao ouvir da boca de outra pessoa soava tão real que eu não queria acreditar na minha própria ignorância. Eu estava feliz e isso era algo que eu não conseguia sentir à muito tempo.
  - Vais me dizer que esqueceste o que significa ser feliz?
  O tom irónico não fez com que aquilo deixasse de ser menos verdade. Melhores amigos são assustadores, parece que lêem mentes.
  - Arata-chan, sendo sincero contigo acho que estás a cometer um erro.
  - Um erro?
  - Eu sei que sempre foste um cobarde, - Definitivamente adoramos os melhores amigos. – mas fugir não é solução para tudo. E se realmente gostas desse psicólogo não acredito que ignorá-lo por guardares um segredo seja o mais inteligente a fazer.
  Ele pode parecer um inútil desmiolado, desculpa Yu, mas os conselhos dele são sempre certeiros. Faz-me lembrar uma versão “mini” do padre Shinsuke.
  - Não queres inscrever-te para sacerdote?
  - De onde é que tiraste essa ideia?!
  - Ahahah! Achei que fosses dizer isso.
  - Outra coisa amigo. O que é que ainda estás aqui a fazer em vez de ires atrás do teu homem?
  Meu homem? Isso pareceu um bocado estranho. De qualquer maneira saí a correr sem olhar para trás apenas agradecendo. Nem sei o que me deu mas a única certeza que eu tenho é que preciso falar com o Tsukiyama.

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