26.6.15

Tsukiyomi no me Capítulo 21 por C.C


Capitulo 21

  Se isto fosse uma história de fantasia ou até sobrenatural poderia dizer que arrombei a porta do templo e fiz uma entrada em grande estilo como nos filmes americanos. Visto que não é o caso, o que aconteceu foi que abri a porta com demasiada força, provocando um estrondo que ecoou pelos corredores, e fui imediatamente repreendido pela furiosa senhora que limpava o chão ali perto.
  Depois de ouvir sermão como se fosse uma criança malvada e sem maneiras consegui voltar ao caminho que tinha destinado. Àquela hora quem procurava devia estar na biblioteca ou no jardim ou no quarto. Resumindo podia estar em qualquer lado. Só espero que não tenha ido à aldeia e nos tenhamos desencontrado.

  Tentei ligar para o telemóvel mas estava desligado. É quando chego à entrada da cozinha que ouço algo que me poderia interessar. As duas cozinheiras comentavam entre si:
  - Viste? Acho que é a primeira vez que ele o vai ver por vontade própria.
  - Mulher, não te metas, não faz parte do nosso trabalho.
  - Mas fiquei contente sabes. Há tanto tempo que não os via assim juntos.
  Não quero insinuar que sou muito inteligente mas acho que já sei onde ele está. O que sinceramente não me parecia nada bom.
  Cheguei à porta do quarto em questão e fiquei à espera. Não quero interromper nenhuma conversa e acabar entre os dois. Este segredo que eu carrego afinal sempre pesa muito.
  - Como?!
  O som abafado chegou aos meus ouvidos como um trovão. Ainda bem que não me anunciei. Não consegui ouvir a resposta do padre Shinsuke mas depressa o volume volta a aumentar:
  - Então para que é que eu adiei toda a minha vida?! Está a dizer-me que me fez estudar todos estes anos para agora arranjar outro sacerdote para gerir o templo? O templo que sempre esteve na nossa família como tanto gosta de se gabar!?
  Ok, este é o momento em que me apercebo que sobrou para mim. Agora que decidi ir falar com ele e meter tudo preto no branco é que o padre Shinsuke lhe conta que escolheu outro sacerdote? E se disser que me escolheu? Nunca mais vou conseguir que ele confie em mim.
  Sei que é feio este tipo de comportamento mas os meios justificam os fins. Cautelosamente encostei o ouvido à “muralha” que me separava do interior. Apesar de ténue já conseguia escutar tudo.
  - …e é por isso que escolhi outra pessoa. Deixaste bem claro desde o inicio que não era isto que querias para ti e eu egoisticamente forcei-te a percorrer este caminho, peço perdão.
  Não sei porquê aquilo soava como uma conversa de despedida e ouvindo a última frase consegui entender a razão para todo o esquema repentino do novo sacerdote. O padre não queria partir deixando para trás um fardo que sabia que o neto não desejava.
  - Avô, – Deve ter sido a primeira vez que presenciei o Tsukiyama tratar assim o sacerdote. – na verdade eu já não me importo mais com isso. Tive tanto tempo para me habituar à ideia e finalmente encontrei um motivo para ficar aqui.
  - Espero que não seja para velares este velho corpo quando regressar à terra.
  - Sabe que tentar esconder as suas fragilidades com essas piadas mórbidas não funciona comigo.
  - Ahahah, não posso enganar o meu neto doutor. Sendo assim, que força maior teve tal poder de aprisionar o espírito livre deste rapaz a este templo poeirento? Seria o amor?
  - …
  - Não me olhes com essa cara, não és o único que percebe da mente humana aqui.
  - Ainda é um pouco cedo para classificar como amor eu acho.
  - Não vou negar que estou surpreso. Nunca te vi interessado em ninguém lá de baixo.
  - Isso é porque não é ninguém daqui.
  - Oh, entendo. E quem seria então?
  Oh não, oh não. Ele não pode dizer, nem eu ainda tive coragem para contar. Não digas, não digas!
  - O Arata.


(Aqui termina a primeira parte...)

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