2.7.15

Enseada das Gaivotas Capítulo 15 por Mel Kiryu


                                                                                                 
                                                                                                 Capítulo 15
                                                                            A tristeza não é páreo para o mar

               Fizeram sexo atrás das formações rochosas encobertos pela escuridão noturna, já que aquela área da praia era desprovida de iluminação pública.
    Por razões diferentes das outras duas ocasiões em que tivera sexo com June, portava lágrimas na beira dos olhos e não disse nada quando terminaram.
    Durante o sexo, enquanto era penetrado sentindo a areia se prender às suas costas, à sua nudez retraída, teve as mãos de June necessariamente presas às suas. Seus dedos de abraçando como se aquele fosse o último suspiro.
   

      “Ia me contar que essa seria nossa última noite se eu não tivesse mencionado o quanto estou gostando você?... Por que tem que ser desse jeito? Por que precisamos permancer estranhos um ao outro?... Está me mandado embora da sua vida, porque descobriu que existe o risco de me apiaxonar? June... June, não me importaria se você dormisse sobre o meu peito e esquecesse de ir embora.”__ A voz do pensamento de Kaji se manifestava frenética e colocava esse ímpeto no jeito como abraçava June contra seu corpo, sabendo que aquele devia ser a última vez.

__Como está o gato?...__ Kaji perguntou encostado na beira de uma das grandes pedras, depois que vestiu sua camisa de malha.
__Bem...__ June ofereceu um sorriso pequeno, já vestido e de pé na areia.__ Ele é um comilão, se quer saber... E ele tem seu nome.
__Não vai expulsá-lo da sua vida por isso?__ Kaji ironizou sutil, subindo o zíper da calça.
__Ele é uma pequena parte sua... A única que vai ficar comigo.
    Como June podia sorrir ao dizê-lo? Kaji estava quase indo às lagrimas.
__Vou cancelar a assinatura dos jornais e daquela revista... Não vou mais fazer você ter que ir até minha casa todos os dias, não quero que isso continue sendo doloroso para você.
__ Não precisa... Já que nenhuma parte sua ficará comigo, posso fingir que esse momento nunca existiu.
__Sou assim tão fácil de esquecer?__ June riu observando Kaji vestir a jaqueta.
    Não tinha como rir, tão pouco sorrir. Encarou June tendo seu semblante sério e tristonho em demasia e respondeu em tom cavo:
__Não.
    Seguido da resposta, June segurou na gola meio erguida da jaqueta de Kaji e trocaram um beijo com um estalido cheio de ternura no final.
     Era melhor do que dizerem adeus.
     Ainda encostado na pedra erguida sobre a areia da praia, entre conchas, vislumbrou June se afastar, sumir ao não tão longe em meados da escuridão.

                                                *********
             Sabia que Heisuke estava no outro lado da praia, acampado na barraca que tinham montado juntos no meio da tarde.
    Mas, caso fosse até ele teria que admitir que tinha feito sexo pela última vez com June, quando havia dito que ia para casa.
    Estava cansado de equívocos, das próprias mentiras.
    “Não fomos feitos para durar”... Ouvia o eco da voz de June se repetindo.
     E como queria apagar o momento, tirar da mente a voz de June.
      Encarou o mar numa parte iluminada da praia depois de caminhar um trecho aleatório e pensou em entrar na água para apagar o cheiro de sexo de seu corpo.
      A vontade em se livrar disso superava o medo que tinha do mar, carregava os tênis pendurados em uma das mãos e experimentou em levar seus pés descalços e sujos de areia até a beira.
   Fechou os olhos aspirando o ar da noite e a água abundante bateu gelada em seus pés.
   Precisava de um choque de realidade, um soco na boca do estômago.
   Sem saber o que fazer, para onde ir... Kaji estendeu o corpo à beira mar, apoiou as mãos sobre a nuca encarando o céu imenso e nebuloso.
      A lua vez por outra aparecendo pálida, sendo engolida sem demora por um aglomerado de nuvens.
     A maré subia a batia cada vez mais forte em seu corpo e cada vez que a onda vinha Kaji respirava fundo ao receber o impacto, a areia amolecia em torno de si, parecia se desfazer com os golpes das ondas.
    Por conseguinte, seu coração se enchia de medo.
    Não demorou a sentir parte do seu corpo submerso pela água, a pressão que a maré exercia ao subir sobre seu corpo era gélida e paralizante.
     Encarava o céu com seu olhos absortos, a garganta ressequida, sentindo um tremor involuntário nos músculos.
    Foi num desses instantes que encarava o céu que seu pavor conheceu o ápice, uma onda sobreveio num forte impulso sobre seu corpo e cobriu Kaji por inteiro.
    Manteve os olhos abertos sobressaltados, o pânico e o descontrole dominaram Kaji e respirou um bocado daquela água salgada, se sentiu sufocar.
    Sentia nitidamente o mar puxando seu corpo e enfim reagiu ao inimigo, colocou toda força que tinha para deslocar o corpo até a areia seca onde tinha ficado seu par de tênis.
     Kaji tossia ajoelhado na areia dominado por uma exaustão absurda, seus dedos das mãos se contorciam em cãimbras semienterrados na areia.
   Continuou ouvindo o barulho do mar atrás de si, a sensação de ser tragado pelo oceano vigorava em seus poros.
      Mas, ao menos, o medo tinha vencido a dor maciça da desilusão.


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