14.7.15

Kind of Blues Episódio 2 Parte 8 por Mel Kiryu


Kind of Blues – Episódio 2

Parte 8          
     
         Eu tinha que admitir que o anjo da água tônica era bem atraente para mim.
     E não estou falando de aparência, Togashi tinha estilo e até seu modo de beijar era sofisticado.
     Por isso, acabei correspondendo ao beijo com desejo equivalente, ouvi mesmo o som de nossos lábios estalando em carícias, um gemido baixo de delícia escapar da garganta dele.

    De modo que para mim foi uma surpresa de súbito Satomi me puxar para o meio daquela cama, nossos corpos perderam o equilíbrio e nós dois caímos.
     Satomi caiu de encontro ao colchão e eu caí em cima de Satomi.
     E de um jeito confuso percebi que ele o tinha feito porque queria me afastar de Togashi.
     Ficou ainda mais evidente quando Satomi passou seus braços pelo meu peito numa atitude possessiva e esbravejou a encarar Togashi.
__Esse não foi o combinado! Você só pode olhar!

            Mas, o anjo não disse nada.
        Ficou ali de pé na beira da cama a nos observar sem desfazer a expressão remanescente de desejo.
     Satomi se voltou para mim como se estivéssemos a sos no quarto, o olhar dele era intenso, sua face invocada se projetava em direção a minha.
__Hitaki... Vamos logo com isso...
    Eu podia sentir a efervescência em sua voz, ele acariciou minha ereção olhando bem dentro dos meus olhos... Parecia querer dizer secretamente: 'Não olhe para Togashi... Apenas para mim, eu sou tudo que importa.'

      Beijou a glande e mergulhou os lábios engolindo quase tudo, fazendo com eu gemesse entre dentes. Depois de me provocar ao extremo, virou seu traseiro para mim e pincelei com meu pênis na entradinha do anus, subia e descia entre as nádegas, o meu caldinho escapava em gotinhas e eu não suportava mais esperar.
     Forcei a entrada e senti primeiro a cabeça entrar, Satomi gemeu com o rosto enterrado no travesseiro e deslizei todo resto.
   Era a primeira vez que eu penetrava Satomi completamente sóbrio, era bem melhor sem o ecstasy. Era um prazer real, sentindo como o interior dele era quente, como ele se contraía enquanto eu me movia cada vez mais rápido enquanto segurava em seus quadris.
    Não resisti e voltei meu olhar para Togashi durante a penetração.
    Como dizer? O olhar dele não estava exatamente no sexo, estava mais propriamente em mim.
    E tal como na primeira vez que ele me olhou de cima a baixo, me senti gelar, um arrepio correu por minha perna e fiquei tão atônito sob o efeito daquele olhar que gozei dentro, me agarrando a pele, me refugiando em Satomi.
      O corpo dele se desmantelou sobre a cama e eu desmontei igualmente sobre ele.
       Nossas respirações entrecortadas preenchiam o quarto e eu tentava ouvir Togashi sem buscá-lo com meu olhar...
                                                              ******
             Havia um ofurô no banheiro contíguo ao quarto do motel.
          Bem que eu tinha vontade de tomar um banho, mas eu não podia perder mais tempo.
       Quanto mais tarde eu chegasse em casa, mais difícil seria manter a minha mentira para meus pais.
    Tornei a usar a pia para lavar meu rosto, tirar o cheiro de sexo do meu cabelo enfiando minha cabeça debaixo da torneira.
   Senti um bocado de água fria vertendo e quando tornei a erguer minha cabeça, as gotículas escorreram geladas por minha nuca, meu pescoço e ombros, respigavam por meu queixo e dei uma olhada no meu próprio rosto enquanto fechava a torneira.
     Foi nesse instante que vi o reflexo de Togashi no espelho, logo atrás de mim.
   O fitei pelo espelho, nós dois não estávamos sorrindo, mas aquela troca de olhares parecia ter seu significado.

       Nós dois pensávamos no sexo, essa certeza eu tinha.
    Sem dizer coisa alguma, ele puxou uma toalha com as iniciais bordadas com o nome do motel pendurada num suporte fixo na cerâmica decorada e enxugou minha cabeça.
__E Satomi?__ Eu perguntei baixinho, encarando a pia de mármore azulado.
__Saiu para fumar... Disse que estava 'de saco cheio de ficar no quarto'.
    Não era uma sensação ruim, embora eu estivesse mais uma vez desconcertado. O jeito como Togashi secava meu cabelo soava tão protetor, meu olhar buscou o dele, mas antes ele se certificou que as madeixas já não estavam tão molhadas e jogou meu cabelo para trás usando os dedos.
    Ainda que eu não soubesse nada sobre ele, os pensamentos de que eu pudesse estar lidando com alguma espécie de maníaco tinham sumido. Eu estava aliviado sem ter plena certeza do porque, aquela jornada não estava terminada.
__Obrigado, Togashi...
    Somente então ele também buscou meu olhar, ainda segurava a toalha.
__Pelo o quê, Kiriya?
__Não sei bem... Acho que por tudo.
    Merda... Dei a maior bandeira ao olhar para os lábios dele, ficar sozinho com ele me deixava nervoso.
__Por eu não ter tocado no Satomi?__ Ele perguntou esboçando metade de um sorriso.
__Não... Acho que é mais por atrever a me tocar...
   Foi como saiu, eu tinha gostado daquele beijo. Gostado do enigmático Togashi Yuki.
   Os silêncios dele me remetiam a um estado profundo de ansiedade e mais uma vez agradeci em pensamento quando tornou a me beijar em meio a sua ausência de palavras.
    E eu estava certo que depois daquela pequena aventura eu não o veria mais.
    Talvez por ele também saber disso, nós nos beijávamos como se o mundo fosse se partir em dois.
   

3 comentários:

  1. Hmm esse Togashi... Sei não hein...

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    1. Nem diga! Tem leitora que gosta, até adora o Togashi... Outras não gostam dele de jeito nenhum!

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    2. boa noite, Mel eu nao consigo ler kind of blues capitulo 01 parte 01 eu ja li a parte 02 do capitulo 01 por favor poste ´pra mim brigada.

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