17.7.15

Kind of Blues Episódio 2 Parte 9 por Mel Kiryu


Kind of Blues – Episódio 2

Parte 9

      Não passava de paixão.
     E a paixão dura tanto quanto o momento.
     Tendo em face a minha inexperiência, eu não era ingênuo a ponto de pensar que minha atração por Togashi tinha algo a ver com amor.
     Era embasado no encanto, no fascínio.
     Ao final, eu tinha Satomi e em algum lugar Togashi também tinha alguém.

     Contudo, o mistério que girava em torno de nós, o fato de sermos duas pessoas estranhas e mesmo assim querermos devorar um ao outro era um fetiche muito tentador.
      Os dedos dele entrando entre meus lábios foi o que nos apartou do beijo que eu mesmo não tinha intenção de interromper.
    Nos olhamos e ele sorriu delineando com o indicador em torno dos meus lábios.
__Você... É sempre tão guloso e inconsequente?
__Eu não era... Até ficar com Satomi.
__Gosta mesmo dele? De verdade?
     Eu esbocei sorrir e minha boca fez uma leve curva ascendente a sentir a mão dele aliciar meu rosto.
__Para quem não queria responder minhas perguntas... Está perguntando demais, não acha?
__Será que a resposta é assim tão complicada?
__Não é... Eu acho que amo Satomi... Há muito tempo.
    Não era uma questão de ser sincero com um estranho, eu tinha que ser honesto comigo mesmo. Ainda que não fizesse muito sentido admitir que amava outro enquanto eu fitava Togashi dentro de um clima amoroso inevitável.
__É uma pena...__ Na voz dele continha um lamento sensual.__ Se ele não fosse importante, eu trancaria agora essa porta... Só para poder ter você.
    Uma parte de mim queria que ele trancasse aquela porta e queria muito! Mesmo assim essa não era a  vontade que prevalecia, que vencia todas as outras.
     Por isso, eu não ousei dizer nada.

     Nossos lábios trocaram um selinho demorado e quando abri meus olhos ao mesmo tempo que Togashi colocava suavemente o óculos em meu rosto, calculei que ele tivesse guardado meu óculos no bolso até aquele instante.
__Hora de ir, Kiriya... Ainda tenho que cumprir minha parte no que combinamos.
    Continuei calado e com meus olhos nele, meu sorriso caiu debaixo da pia.
   Fiquei confuso e frustrado quando me dei conta que não queria voltar agora para casa e fiquei ainda pior porque o próprio Togashi me lucidava disso.
   Nós trocamos olhares, sei que pareci triste, porque era bem como eu me sentia.
   A aventura estava terminando e eu tinha que voltar para casa e fingir que era o filho perfeito.
   Não, eu nunca tinha sido perfeito... Mas, meus pais por algum tempo me fizeram acreditar que eu era um modelo de perfeição.

     Togashi saiu primeiro do banheiro, precisei de poucos minutos para não deixar minha frustração tão evidente e no que deixei o banheiro dei de cara com Satomi encostado ao lado da porta.
__Eu sabia...__ Satomi retrucou a me olhar de lado.__ Eu viraria as costas e aquele cara ia tentar alguma coisa contigo!
    A franja comprida cobria um dos olhos de Satomi e a voz dele soava tremendamente invocada.
__Não passou de um beijo.__ Eu rebati desnorteado, dei os ombros fracamente e pensei: 'Dois beijos, na verdade... E uma vontade insensata de transar.'
__Nem vem... Eu sei que você ficou afim dele, Hitaki!__ Ele gritou descobrindo o olho, jogando a franja para trás.__ Eu ouvi, 'tá legal?
__E ouviu dizer que eu te amo?
__Você 'acha' que me ama... ACHA!
    Quando Satomi cerrou os pulsos, achei que ia me socar com força. Só que seu punho fechado socou meu peito apenas exercendo uma pressão dilacerante, antes tivesse doído pra valer.
    Preferia que tivesse mesmo me derrubado.
__E isso, Hitaki... É muito pouco para mim.

    O que Satomi queria? Nós éramos amigos de infância, ficamos distantes um do outro por nove anos! Então, ele retorna do nada e pouco depois descubro que estou gostando dele muito além dos limites da amizade, nós transamos somente duas vezes e eu só tenho dezessete!... Minha vida virou de ponta cabeça por causa dele, como que eu poderia ter certeza de algo depois de tudo isso?
    Um clima estranho e pesado pairava sobre nós dois.
    Satomi deu um passo na minha direção como se fosse colidir comigo, gritar algo mais.
    No entanto, ele de repente recuou, saiu e bateu a porta do quarto.
 
    O som da porta curto, alto e seco batendo ainda ressoava na minha cabeça.
    Era isso, eu tinha sido testado.
    Ele tinha certeza que Togashi viria até mim assim que deixasse o quarto para fumar, suponho que Satomi tenha voltado ao quarto, ficado na espreita ouvindo nossa conversa.
     E o que tinha sido esse rompante?
      Eu não tinha certeza se era apenas infantilidade e ciúme, algum confuso sentimento de posse ou se realmente havia uma real possibilidade de Satomi gostar de mim do mesmo jeito que eu era e ainda sou louco por ele...

 

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