9.7.15

True Love Capítulo 84 por Kisu


CAPÍTULO 84 (Extra Don’t Shatter Me 3) - Lullaby from Heart

         O garoto se levantou desesperado com o barulho de algo se quebrando e olhou atônito pela janela sobre a cama. De uns tempos para cá, era sempre a mesma história: sempre em alguma parte do dia ouvia barulho e berros de discussão provenientes dos vizinhos do outro lado da rua e normalmente quando olhava pela janela, via um garoto sair correndo de casa.

- Shinku-chan, vai se atrasar para a escola, não? - uma senhora de cabelos levemente grisalhos lhe apareceu à porta do quarto enquanto terminava de enxugar as mãos no avental.
      Quando a senhora percebeu que Shinku observava a confusão pela janela antes dela entrar no quarto, suspirou tristonha.
- O filho dos Hanamura ainda está causando problema pelo jeito… Era um anjinho, mas e pensar que o Hanamura Luke está agindo como um rebeldezinho em plenos catorze anos. Onde já se viu? - falava balançando a cabeça em desaprovação.
- Gomen, já estou indo oba-sama - proferiu voltando o olhar para a janela, mas nem sinal do menino de vestes escuras e cabelos castanhos.
         “Hm, quer dizer que ele é um ano mais velho do que eu…” pensou.
      Shinku se afastou da janela de seu quarto, deu um beijo na bochecha de sua avó e seguiu para a escola.
         Ultimamente não vinha conseguindo se concentrar nas aulas. Vivia imaginando o que se passava na casa cor de salmão de onde aquele menino sempre saía correndo como se estivesse a fugir. Antes sempre o via sozinho, mas recentemente o via acompanhado por uma morena, muito linda por sinal, e que parecia uma princesinha.
         Ficou o dia a divagar em pensamentos e quando deu por si, o sinal soava indicando o término das aulas no fim da tarde.
- Ei, Shinku, bora jogar bola? Sempre que você tá por perto, as garotas se juntam, vamos, né, né? - pediu insistente, dando uma piscadela para que Shinku fizesse esse favor.
- Mas tu eim, Takamoto-kun - suspirou jogando sua mochila sobre o ombro e sorrindo em seguida e o amigo sabia que tinha convencido Shinku. - O que está esperando? Vou ganhar toda a atenção antes de você - se gabou divertido.
- Esse é meu maninho - pulou nas costas de Shinku, bagunçando as madeixas alaranjadas. - E teus velhos não vão reclamar do netinho andando sozinho até tarde?
- Talvez, mas eles confiam em mim - afirmou.
        Shinku e Takamoto se juntaram aos garotos e dividiram os times para jogar futebol. Era tão bom correr a toda velocidade, suar e ainda ter energia de sobra para chamar a atenção das meninas quando pegava a bola e corria para marcar gol. Não é que tivesse interesse em alguma delas, mas por algum motivo chamava atenção e se aproveita disso para se divertir provocando Takamoto.
         Levantou a gola da camisa e enxugou parte do suor que ainda escorria pela face assim que se despediu de Takamoto que seguiu pela rua adjacente.
         Estava a duas quadras de onde morava, era um bairro calmo e bem monótono. A rua estava iluminada unicamente pelos postes e pelas luzes que esvaíam das residências. Conforme se aproximava de casa, viu aquele garoto das travessuras sentado na calçada a tamborilar os pés no asfalto. Shinku parou por um momento e ficou a observar de longe aquele pequeno que ora estava sentado, ora levantava e punha o rosto a espiar por sobre a cerca viva rodeando sua casa salmão.
Shinku se aproximou sem saber bem o porquê e Luke o olhou enfezado.
- Que foi, perdeu o rumo de casa, Sakurada?
- Eh? - exclamou surpreso. - Como sabe meu nome?
- Tu é a cara da Sakurada-baba - explicou tornando a se levantar e olhar sobre a cerca. - Se é só isso, se manda - grunhiu sem dar muita bola para Shinku.
- O que você tá fazendo? - perguntou se colocando do lado de Luke e espiando o quintal.
                Luke abandonou o posto e se sentou.
- Não tá na cara? Tô esperando eles dormirem pra eu entrar - falava inquieto e irritado pela demora.
- Acho improvável eles dormirem tão cedo. Ainda não são oito da noite - explicou olhando no relógio do celular. - Não são seus pais? Qual o problema de entrar? - perguntou sem entender.
           Luke ignorou e Shinku não insistiu.
- Hm… por que sua namorada não tá com você dessa vez? - perguntou olhando de canto de olho.
Luke pareceu pensativo e depois corou em demasia ao associar com Makoto, agarrando Shinku pela camisa do uniforme, não que tivesse muito efeito já que Shinku era maior do que ele.
- De onde tiraste essa noíce? - perguntou irritado, mas as bochechas rosadas e a boca trêmula diziam o contrário para Shinku.
         Não respondeu e depois de um tempo Luke o soltou contrafeito e Shinku acabou entrando a chamado da sua avó.
          Deixou suas coisas ao lado da escrivaninha em seu quarto e ficou enrolando para tomar banho. Quando enfim se levantou para ir ao banheiro, deu uma última olhada pela janela e o filho dos Hanamura ainda estava a realizar aquele mesmo ritual enquanto esperava seus pais irem deitar.
Shinku andava em círculos pelo quarto com os braços cruzados na altura do peito e vez ou outra olhava pela janela. Remexeu nas madeixas alaranjadas e foi para fora.
      Luke o olhou sem entender quando veio em sua direção e o puxou com força pelo capuz do casaco, de forma que Luke não conseguiu se desvencilhar e foi arrastado aos trambolhos.
- Oba-sama, tudo bem o Hanamura-kun passar a noite aqui, certo? - perguntou quando ouviu sua avó vindo verificar do que se tratava todo aquele tumulto.
Ela se espantou quando viu Luke junto de Shinku, mas apenas assentiu enquanto os garotos subiam a escada para o banheiro.
- Não demorem se não o jantar vai esfriar - ela falou não muito tempo depois, sem se dar ao trabalho de subir.
- Qual seu problema? Não bate bem da cabeça? - Luke resmungou no que foi empurrado para dentro do banheiro.
- É, devo ter um parafuso a menos - proferiu fechando a porta às suas costas e se despindo.
- Não vou tomar banho contigo - reclamou e se sentou emburrado em protesto.
Shinku deixou Luke falando e entrou no box, ligou o chuveiro e se enfiou debaixo, ainda acabou se virando para Luke quando ele começou a praguejar para a porta.
- A chave está comigo, Hanamura-kun - falou esfregando o shampoo nas madeixas e lhe mostrando a língua como se fosse mais esperto.
Luke não queria molhar as roupas, então se despiu e ainda tentou intimidar Shinku e lhe tomar as chaves, mas sem sucesso.
- Você é muito baixinho… Já sei, vou te chamar de Luke-chan - riu erguendo a chave o mais alto que conseguia e mesmo na ponta dos pés, Luke não alcançava.
- Temeee! E qual o seu nome? - perguntou irritado por alguém que nem o conhecia já agir com tamanha intimidade.
- Hm? Sakurada Shinku, porque? - perguntou confuso.
- Então vou te chamar de Shinku! - sorriu comemorando e tentando soar malvado. - O que acha disso, maldito?
          Shinku riu. Aquele ser menor do que ele lhe olhava desafiador com os olhinhos verdes brilhando e Shinku não deixou de admirar aquele sorriso, parecia mais criança do que ele. Aliás, era um garoto como qualquer outro sem aquelas roupas escuras e acessórios punks, embora a cara de emburrado não sumisse.
           Por fim, sua barriga roncou e Shinku deu um sorriso superior. Não tinha nada gostoso nem ninguém lhe esperando em casa. Não queria mesmo ir para sua casa e percebeu que só jantaria se estivesse limpo, então Luke se deu por vencido na marra.
        Assim que saíram do banho, Shinku emprestou umas roupas para Luke e eles jantaram no seu quarto, coisa que raramente Shinku fazia já que seus avós gostavam que ele sentasse à mesa.
Shinku saiu para deixar os pratos na cozinha e no que retornou Luke estava sentado sobre sua cama com um olhar vago para sua casa.
- Luke-chan, a oba-sama pediu pra dizer que avisou seus pais que passaria a noite aqui.
Luke não deu muita importância, na verdade, nem ligava se seus pais sabiam ou não onde se encontrava. Ele simplesmente se enfiou debaixo das cobertas tomando a cama toda enquanto Shinku o pulava para fechar as cortinas.
- Ei, chega pro lado e não puxa toda a coberta pra você - Shinku protestou brigando por parte do cobertor.
- Eu sou visita, beleza? Então por que não desiste e vaza pro sofá? - reclamou dando um chute na perna de Shinku, mas não tão forte a ponto de empurrá-lo da cama.
- Sendo assim, trate de se comportar como tal - falou se deitando ao lado de Luke naquela apertada cama de solteiro.
       Havia desistido da coberta mesmo que não fizesse frio, mas ainda não se sentia conformado, então subiu por cima de Luke e lhe apertou as bochechas para dar o troco enquanto o prendia debaixo do tecido.
       Acabou virando uma verdadeira bagunça e mais discutiam em tom de brincadeira e puxões de cabelo do que se preparavam para dormir propriamente.
       O avô de Shinku teve que brigar para que sossegassem e tratassem de dormir de uma vez antes que começassem a incomodar os vizinhos. Luke ainda lhe deu um beliscão indicando que não queria sair perdedor daquela discussão e Shinku se controlou para não revidar.
Já estavam devidamente acomodados na cama. Luke perto da janela e Shinku na beira da cama, um de costas para o outro.
       Shinku não conseguia dormir. Beirava onze da noite e tinha receio de não conseguir acordar cedo para ir à aula.
- Luke-chan, você não vai à escola? - perguntou baixinho sem saber se o menino estava a dormir, porém não houve resposta.
        Se deu por vencido e fechou os olhos tentando facilitar para que o sono o embalasse. Se perguntava o que levava Luke a agir com tanta rebeldia, ficara ainda mais preocupado quando viu o maço de cigarros e o isqueiro nas roupas de Luke. Jogou os dois fora antes que seus avós descobrissem, mas sabia que iria ouvir muito quando Luke sentisse que algo estava faltando em suas coisas.
        A ansiedade de não dormir e o medo de acordar com sono estavam tornando tudo pior e já não conseguia se acalmar quando de repente sentiu sua camisa sendo puxada. Virou o rosto por sobre o ombro, pensando que Luke precisava de algo, mas o garoto dormia profundo e sereno.
     Não conseguiu olhar por muito tempo aquele rosto que logo se afundou em suas costas enquanto os dedos se prendiam ainda mais na sua camisa.
         Embora se sentisse sufocado, mal houvesse como se mover, estivesse descoberto e ainda por cima a cama fosse minúscula para dois, ficou tão concentrado em sentir a respiração e uma leve batida ritmada de coração junto às suas costas que adormeceu sem se dar conta.
         No dia seguinte, acordou atrasado e teve que sair às pressas de casa. Luke acabou saindo com ele, mas antes que tivesse tempo de perguntar por seu maço e isqueiro, Shinku estava cruzando a esquina e desviando por um triz de esbarrar em Makoto.

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