13.7.15

True Love Capítulo 85 por Kisu


CAPÍTULO 85 (Extra Don’t Shatter Me 4) - Those Ocean Eyes Belong to Me

        Makoto andava ao lado de Luke sempre com um sorriso de uma orelha a outra e não reclamava mesmo se às vezes a delicadeza de Luke fosse como a de uma rocha.
- Sua pele vai ficar flácida logo logo se continuar sorrindo assim - falou indiferente.
- Tudo bem se a minha felicidade te contagiar - sorriu mais ainda e segurou na mão de Luke que ficou desconcertado, mas não conseguiu se livrar daquela mão junto a dele.
      Tinham encontrado por acaso com o irmão de Makoto, mas ele ignorou e seguiu seu caminho. Por sinal, Luke reparou que ele estava uniformizado.

- Que história é essa do seu bro estar de uniforme?
- Hm? Como assim? É a coisa mais normal ele estar de uniforme como qualquer outro estudante.
       Luke remexia nas madeixas, impaciente com a enrolação de Makoto enquanto andavam pela comercial.
- Não é isso, baka. Pra mim ele era mais um baderneiro qualquer, não imaginei que ele fosse um banchou - retrucou.
- Não é nem um nem outro - falou inclinando o corpo para frente para olhar Luke e só então entendeu do que se tratava e riu.
        Pronto, agora Luke estava sem nenhuma paciência e ela se adiantou a explicar.
- Eu disse que meu irmão não era mau, porque você acha que ele nunca te chamou pra alguma briga ou que você mal vê os companheiros dele nas ruas? - lembrou. - Eles matam aula de vez em quando, alguns mais do que outros, mas qual o problema? Eles só saem pra mexer com alguém quando estão entediados e naquele dia infelizmente foi com você.
Luke parou de andar super irritado. Não sabia exatamente o motivo, mas se sentia um idiota que tinha sido passado para trás. Sem contar que ainda tinha apanhado para um marica filhinho da mamãe.
- Quer saber, por que não vai andar com seu mano certinho e me deixa em paz? Assim podem fazer outra pessoa de idiota! - criticou largando bruto a mão da garota.
- Do que você tá falando? - perguntou sem entender e levou a mão ao rosto de Luke como se pudesse decifrá-lo.
- Não me toca! - grunhiu segurando com força na mão de Makoto e a afastando rapidamente. - Vê se me deixa em paz e vai arranjar o que fazer, falô?
- E o que você vai fazer? - inquiriu remexendo as mãos com insegurança e tristeza. Sabia que Luke não escutaria nada do que dissesse enquanto a raiva não apaziguasse.
- Vou te odiar se continuar por perto - falou com um olhar frio antes de seguir seu caminho.
Não que tivesse algum lugar para ir. Andaria até que suas pernas não aguentassem se pudesse manter os pensamentos distantes de tudo que lhe deixava nervoso. Não olhou uma vez para trás, sabia que Makoto não o seguiria depois do que tinha ameaçado.
Andou no máximo umas quatro ou cinco quadras olhando seus tênis cruzarem um à frente do outro sem parar. A cabeça temia doer pela raiva e enfiou a mão no bolso da calça procurando pelo maço quando foi puxado pelo casaco e jogado ao chão.
- Mas que porra é essa? - gritou zangado nem bem se localizou dentro de um beco. - E quem diabos são vocês, seus inúteis?
       Se viu rodeado por um grupo de uns sete meninos mais velhos do que ele que o olhavam com cara de poucos amigos.
- Ei, é esse chorão que lhe meteu o murro há algumas semanas, Take? - o moreno perguntou e o loiro assentiu enfezado. - Levanta pra te ensinar uma lição, pirralho. Vamos te dar uma surra que não vai esquecer tão cedo - afirmou estalando os dedos das mãos.
        Luke fuzilou Take com o olhar e o rapaz sumiu atrás do moreno que tornava a praguejar. Se levantou pronto para dar uma surra em todos e liberar aquela raiva acumulada. O ideal para ganhar uma luta era ter agilidade para lidar com três ao mesmo tempo e conforme um saísse, outro entraria na linha de frente. O problema era a resistência, agilidade, força… Havia todo um conjunto de fatores que se sobrepunham e se completavam.

       Começou bem, batendo nos primeiros que apareceram, mas se distraiu quando um dos que estava caído lhe puxou a barra da calça, oportunidade perfeita para os demais conseguirem pegar Luke sem dó com socos, pontapés e chutes antes de o deixarem quase inconsciente naquele beco frio e úmido.
Em vias de despertar, sentiu toda a dor irradiando para seus poros. Se encolheu e a dor piorou. Não sentia nenhum osso quebrado, mas sabia que ficaria com muitos hematomas pelo corpo, além de um belo olho roxo.
        A tarde passou que nem viu, já anoitecia e não tinha vontade de se levantar. Talvez tivesse feito por merecer esse castigo. Havia o som de passos apressados e uma respiração esbaforida tão perto, mas só abriu os olhos quando ouviu aquela voz:
- Ai, meu Deus, Hana-chan! - correu a se abaixar próxima a Luke sem se importar com o vestido enquanto deslizava suave o lencinho a limpar a terra misturada a suor e sangue no rosto do menino. - Meu irmão recebeu uma mensagem de um amigo, mas eu não queria acreditar que era você. Por que foi se envolver em briga? Por que me deixa tão preocupada? - suas mãos tremiam enquanto ela fungava em vias de deixar lágrimas caírem.
          Luke observava aquele rosto, aquela expressão de uma preocupação que era apenas para ele. Via uma luz tão serena em Makoto que nem o paninho correndo ágil em seu rosto atrapalhava a visão daquele balançar de cabelo cujos fios caíam sem cuidado pela face, bem como do olhar marejado como se o mar transbordasse pelos cantinhos.
      Queria compreender o porquê daquela tristeza, daquele cuidado e insistência que a garota tinha para alguém como ele. Sentia que não merecia metade daquilo, mas… ali estava ela, bem ao seu lado como se ninguém mais importasse.
        Estivesse à beira da loucura ou tivesse apanhado muito, adentrou sua mão naqueles fios negros e tomou os lábios da menina para si sem pensar duas vezes.
      Os lábios quentes dela contrastavam com os seus gélidos e doloridos pelo pequeno corte na beira da boca. Os longos fios e a respiração quente de Makoto iam direto em seu rosto quando sua boca se abriu trêmula para Luke.
       Era um beijo que começou inseguro, carente e inocente, mas que foi se aprofundando conforme suas salivas dançavam em meio a suas línguas. O beijo começou sem jeito e até seus dentes se tocavam sem querer pela inexperiência.
Se beijaram pelo o que pareceu a eternidade até suas bocas se apartarem deixando apenas aquele desejo de quero mais misturado à respiração entrecortada de ambos e aos rostos corados de vergonha.

                                                        xXx

- Tenta tomar um banho e depois ir descansar - Makoto orientou assim que subiram as escadas da casa de Luke com ela lhe dando apoio o tempo todo.
Olhou ao redor conforme adentravam na casa salmão, mas nem sinal dos pais de Luke.
- Eu vou fazer a janta. Trate de se comportar até lá, ouviu?
- Tá doida? Não pense que por que nos beijamos ou por que me ajudou que pode fazer o que quiser - se apoiava no batente da porta quando esbravejou fraquinho e segurou o braço de Makoto em censura. O rosto quente de vergonha.
- Não estou pensando em nada disso - vociferou corando. - Estou fazendo porque quero - puxou seu braço e deixou Luke a olhá-la de cara feia enquanto descia para a cozinha.
        Não havia muita coisa na geladeira, talvez por que a família mal parasse em casa, mas achou o suficiente para fazer curry. Se aparecesse com mingau de arroz, certeza que Luke a olharia torto depois de muito praguejar.
       Encontrou um avental e também amarrou os cabelos num rabo antes de começar a preparar a comida. Assobiava uma melodia enquanto picava as cenouras e as batatas para colocar na carne ao fogo quando se virou assustada para a porta da cozinha, deixando a faca cair ao chão.
- Quem é você? O que está fazendo aqui? - perguntou perplexa uma moça de terninho e saia justinha na altura dos joelhos, curtos cabelos castanhos ondulados e maquiagem bem feita parada à porta.
- Sumimasen! Eu sou Ninomiya Makoto - falou sem saber se se curvava ou se pegava a faca. - Desculpe entrar sem permissão, não foi por mal. O Hana-chan se machucou e eu pensei que não havia problema em usar sua cozinha - falava rápido quase atropelando as próprias palavras.
A mulher suavizou a expressão e suspirou.
- Não me assuste assim. Já estava a pensar que meu filho andava pegando menininhas aqui em casa na nossa ausência. Se está cozinhando, foi por que meu filho pediu?
- Iie. Mandei ele se lavar e descansar.
- Mandou? - riu. - É um milagre ouvir isso. Faz tempo que aquela criança não ouve ninguém… - suspirou cansada com um olhar sereno e complacente já sem o sorriso de antes. - Ninomiya-chan, certo? Se puder, coloque um pouco de juízo naquele meu filho mal criado e cabeça-dura.
- Juízo?! O Hana-chan pode parecer e até agir como um rebelde, mas se ele precisa de uma coisa é de pais presentes que o apoiem! Ele é muito gentil, sensível, atencioso e sempre cuida de mim, vocês que não enxergam esse lado dele e mesmo a mãe dele, eu não vou deixar dizer coisas ruins!
Makoto respirava fundo, os nervos a flor da pele e só depois do estrago feito se tocou que havia passado dos limites. Ótimo, agora nunca se daria bem com a mãe de Luke e ainda seria colocada para fora, pensou.
         A moça se aproximou assim que saiu de um provável estado de choque e pegou a faca do chão. Makoto gelou quando ela se postou ao seu lado, lhe entregou uma faca limpa e pegou outra para si.
- Você está fazendo errado, nunca vai pegar seu namorado pelo estômago assim. Olhe como faço para aprender - falou descascando uma das batatas e cortando em cubinhos.
“Ele ainda não é meu namorado…” pensou corando e logo recebeu uma bronca por não estar prestando atenção.
- É uma preocupação a menos saber que não vai aparecer ninguém grávida aqui em casa - tornou a suspirar sobre o olhar pasmado de Makoto que quase se cortou. - Ainda tem muito de aprender, minha criança… não é tão fácil ter a atenção e cuidar de alguém como você pensa.
Terminaram de cortar tudo e colocaram para cozinhar junto com a carne e o tempero.
- Passe a noite aqui - sugeriu, embora fosse mais semelhante a um mandado. - Me dê o número da sua casa que vou falar com seus pais. Sinta-se em casa para tomar um banho antes de comer que logo levo umas roupas do Luke ou minhas.
- Mas…
           Makoto começou a falar, mas não teve coragem de dizer que pensava que Luke fugiria mesmo ferido se ela não ficasse de olho nele e havia mais um porém que a mãe de Luke já havia percebido por ela mesma… contudo, não parecia ser um problema para ela.
- Não se preocupe, nada vai ter mudado assim que você sair do banho e talvez seja para melhor continuar escondendo esse segredinho que você tem aí em baixo - segredou numa piscada e afagou as longas madeixas de Makoto. - E se encontrar com meu esposo, nada de chamar meu filho de Hana-chan, senão ele te coloca para fora na mesma hora.

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