3.7.15

Tsukiyomi no me Capítulo 22 por C.C


Capitulo 22

  Se psicologia fosse apenas entender o lado racional das coisas tenho a certeza que a expressão, à qual não consegui dar um significado, do meu avô não me teria feito repensar o que acabei de dizer.
  Ah, sim. Eu sou Tsukiyama Kiritsugu, a caminho da época mais complicada da minha vida.
  O silêncio entre nós era quase mortal. A sensação de um lâmina a perfurar-me não me abandonava. Só podia se aquele olhar poderoso.

  Ele podia falar alguma coisa. Mesmo que fosse gritar comigo era melhor que a total ausência de palavras. Talvez me tenha precipitado. Tendo em conta os últimos acontecimentos não sei se posso considerar os sentimentos do Arata os mesmo que os meus. O meu avô pode até vir a aceitar mas a grande interrogação que é os sentimentos dele por mim continuam um mistério.
  Quando se trata de analisar os nossos próprios problemas a psicologia é realmente inútil.
  - Tens a certeza?
  A voz baixa mas forte do homem à minha frente espanta-me. Precisei perder-me em pensamentos para ele me dar atenção.
  - Como?
  - Disseste que estás interessado no Arata-san e eu perguntei se tens a certeza.
  - Não parece surpreso pela minha confissão.
  - Por amor da Deusa, neto idiota. Eu criei-te desde que usavas fraldas achas que não daria conta de algo como isso? E já agora avisa a tua prima que ela e a “amiga” podiam ser mais silenciosas.
  Não sei se deva rir ou surpreender-me. Sempre soube como ele era observador mas continuava a ser impressionante quando ele revelava que sabia algo que eu suponha ter sido discreto quanto ao assunto. Neste caso ainda mais pois posso afirmar com firmeza que nunca dei razoes para que alguém desconfiasse da minha sexualidade.
  - Não sei se tenho a certeza. Acho que neste caso não tenho a certeza de nada. – Respondi perante o seu olhar compreensivo.
  - Já lhe disseste isso?
  - Sim… – Acho que a minha resposta não foi muito convincente pois notei uma ligeira repreensão na sua mudança de expressão. – Talvez não tenha sido muito explícito.
  - Ou seja, atacaste o coitado e nem sequer disseste que gostavas dele.
  Não foi bem assim mas não está muito longe da verdade.
  - Kiritsugu, mesmo sem teres a certeza estás sério nessa decisão? É o que queres para ti?
  - Sim, mesmo que ele não sinta o que eu sinto não vou desistir.
  - Ótimo, isso é ótimo. Deixo o templo nas vossas mãos.
  E como se estivesse simplesmente a preparar-se para dormir puxa a manta e fecha os olhos com um sorriso no rosto.

  Uma lágrima ameaça escorrer pela minha face. Queria dizer alguma coisa, chamar por ele mas a voz não saía. A realidade acabara de desmoronar parte daquilo que era a essência da minha vida.
  Engolindo toda e qualquer emoção que me preenchia, levantei-me e abri a porta.
  Abraçado aos joelhos sentado no chão contra a parede do corredor estava o Arata. Parece que ouvira a conversa e de certa forma apercebera-se da situação.
  - Vou chamar o médico. – A minha voz saía seca e sem ponta de emoção. Até eu me admirei do quão frio podia ser.
  Sem resposta começo a ouvi-lo balbuciar:
  - Não devia ser assim… Ele disse um mês… Só se passaram alguns dias…
  - O que é que estás a dizer?
  Os olhos opacos encaram-me causando um arrepio na medula. Parecia que a alma dele fora levada e só sobrara a casca vazia no seu lugar.
  - Ele não queria que soubessem. O médico disse que ele só tinha mais um mês de vida. Recusou ir para o hospital, queria morrer aqui. Mas só passaram meia dúzia de dias. Porquê, porquê? Ele não ia ensinar-me? Não ia fazer de mim o sacerdote? Porquê, porquê? Diz-me, porquê?
  Não pode ser. Mesmo com aquela realidade o maldito velho teimoso não quis contar-nos. Meteu o peso todo nos ombros de alguém que o idolatrava para livrar os netos. E dizem eles que o padre Tsukiyama Shinsuke era a mais gentil das pessoas.
  Que cruel da tua parte avô.

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