10.7.15

Tsukiyomi no me Capítulo 23 por C.C


Capitulo 23

  Era irônico como um sítio que devia trazer amor e esperança encontrava-se mais cheio pela morte. A última vez que presenciei o templo assim tão cheio foi na morte dos meus pais. A única diferença é que dessa vez tinha uma mão quente e reconfortante sobre a minha cabeça, mão essa que agora jazia fria no caixão à minha frente.
  Felizmente muitos ex-alunos do templo, agora sacerdotes, apareceram e ofereceram-se para presidir à cerimônia. Sei que parecia mal para o povo da vila mas eu não estava preparado para realizar um funeral, muito menos este.

  Outra coisa que estava a preocupar-me era o estado do Arata. Com a notícia os pais dele vieram até ao templo para as cerimônias fúnebres e na companhia deles ele podia parecer menos abatido mas mesmo assim eu conseguia perceber que algo dentro dele mudara, ou melhor dizendo, quebrara.
  As feridas pela morte da esposa ainda não haviam sarado por completo, fazendo uma estimativa eu diria que ele estava a 70% do luto. Perder alguém que considerava como família num momento como este destruiria por completo todo o trabalho de superação obrigando-o a enfrentar uma dor que estava quase arrumada. Juntando isso à própria estrutura emocional já de si frágil podia facilmente levá-lo a uma forte depressão. Apesar de tudo isso o que me preocupava era que aquilo pudesse ser mais que uma depressão.
  O toque no meu braço chama-me de volta à realidade. Um dos sacerdotes queria saber se podia começar a cerimônia. Consenti. Só quero acabar com isto depressa e dar-lhe o descanso que ele tanto queria. Já me sinto miserável que chegue para prolongar isto. Espero que quando eu morrer seja perdido em alto mar e que nunca encontrem o corpo. Ia odiar este tipo de coisa para mim.
                                                                   ***
  Não dormi a noite inteira. Depois do funeral vinha as visitas ao altar e conseguia imaginar as peregrinações que apareceriam nos próximos tempos. Isso e o problema de escolher o próximo sacerdote. Mesmo tendo começado a ensinar o Arata provavelmente seria eu a ficar encarregue do templo.
  Por falar no Arata, ele ficou aqui apesar dos pais insistirem que seria bom passar algum tempo com eles. Eu concordo mas ninguém o conseguiu fazer mudar de ideias. Muito menos eu que nem me podia aproximar sem que ele começasse a chorar e a pedir desculpas incessantemente.
  Tomava o meu terceiro café daquela manhã quando a Nanami aparece e senta-se ao pé de mim. Pelos olhos vermelhos tinha passado a noite a chorar, o que eu compreendia pois não derramou uma única lágrima no funeral para dar suporte aos pais.
  - Bom dia. – Cumprimentei.
  - Bom dia. Nem vou perguntar se passaste bem a noite porque acho que isso é óbvio pela cara dos dois.
  Sorriu discretamente.
  A cozinheira traz um copo de leite e algumas bolachas de manteiga., deve ter imaginado que não entraria nada mais complexo que isso no nosso estômago.
  - Onii-san, o Sakurai-san…
  - Eu sei. Ele sente uma culpa muito grande por nos ter escondido o que o médico disse.
  - Não podes fazer nada? De certeza que há alguma coisa que possa ajudar a trazê-lo de volta.
  - Nanami, ele trancou-se numa concha que nem eu posso abrir a não ser que ele queira. Foi a maneira que o subconsciente dele encontrou para se proteger.
  Ela olha-me com uma expressão triste e desanimada.
  Eu sei, eu sei. Eu também quero fazer alguma coisa mas não posso se ele nem me deixa chegar perto dele.
  - É isso! – A explosão repentina da minha prima, que fez questão de bater na mesa atirando as bolachas quase todas para fora do prato, sobressalta-me. – Hipnose!
  - Desculpa?
  - Podes hipnotizá-lo e trazer o velho Sakurai de volta!
  Ela parecia tão confiante que me dava vontade de acreditar nisso também.
  - Ele não me quer ao pé dele e tu sabes que a hipnose é um processo muito complicado ainda mais num caso como este.
  - Tens outra ideia? Vais deixá-lo afundar naquela escuridão sem fazeres nada para o ajudar?
  - Nanami…
  - Se eu conseguir com que ele te deixe aproximar estás disposto a fazer isso?
  Recusar não era alternativa. Se eu disser que não aposto que ela vai à procura de outra pessoa que o faça agora que meteu a ideia na cabeça.

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