4.8.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 65 por Mel Kiryu


Capítulo 65 Ninguém escapa do próprio destino

       "Por que nascemos?..."

          "Por que morremos?..."

      Segurava a mão de Datenshi e erguia o rosto de vez enquanto fechando os olhos a sentir a chuva voraz tornar a desabar em sua tez.
    Talvez por não poder ouvir o som da tempestade, às vezes a achava linda.
   Tinha esses pensamentos vagando em sua mente, mas enquanto se distanciava do moinho acabou reformulando o que tinha indagado.



          "Não... A pergunta certa é: Por que eu nasci?"

               "Por que meu pai teve que morrer?"

           "Eu é que devia ter morrido naquele mesmo dia que ele faleceu, eu ia pular do penhasco..."

       Fixou seu olhar em Datenshi que soltou sua mão para desencostar a bicicleta da cerca de madeira, quando de súbito seu irmão se moveu rápido e se atirou sobre seu corpo o protegendo como se Datenshi fosse seu escudo. Ambos quase caíram no chão e o gesto brusco desnorteara Kanda que somente entendeu quando seu olhar mirou na direção do moinho.
    Teve a sensação momentânea que o solo encharcado havia estremecido, compreendeu que um raio havia caído sobre o moinho ao vê-lo parcialmente destruído, mesmo com a chuva podia ver fumaça, havia indício de chamas em seu interior.
     Datenshi que diferente de Kanda tinha ouvido o barulho quase ensurdecer do raio, visto aquele clarão atingir certeiramente o moinho, segurou forte nos ombros de seu irmão, ofegante de susto.
__Tudo bem com você, Kanda?...
    Num gesto de cabeça confirmou que estava bem, mas enquanto fitava o olhar profundo de Datenshi se deu conta que tinha esquecido algo muito importante...
                                  "Minha flauta!..."
    Uma parte do telhado do moinho desabava bem diante de seus olhos e Kanda sabia que não havia como entrar lá naquele instante, provavelmente nunca mais.
   Olhava para o moinho debaixo daquela chuva que simplesmente não dava trégua e com o coração apertado acabou subindo na garupa, segurou na cintura de Datenshi e apertou os olhos quase tanto quanto estava apertado seu coração.

                                                               **********
                          Cerca de meia hora mais cedo, quando desembarcaram em Hajiketa, Datenshi e Kitsune se despediram na calçada e cada qual entrou em seu devido portão.
    Contudo, Kitsune não esperava que minutos depois Datenshi batesse à porta de sua avó e ao lado dele estava Mika com uma profunda expressão de desgosto e preocupação no rosto.
    Foi quando soube que Kanda tinha saído de casa pouco antes do anoitecer, no meio daquela tempestade.
     Kitsune correu alarmado atrás de Datenshi que ia subindo na bicicleta que tinha deixado recostada no muro que separava as duas casas.
   Mika os observava da varanda coberta perto da velha Nagoro.
   Terrivelmente séria.
__Datenshi!... Deixa eu ir com você! Também quero encontrar Kanda!... Por favor!...
__Eu vou sozinho, Kitsune.__ Datenshi disse com suave firmeza subindo na bicicleta.__ Não podemos vir os três na bicicleta, vou trazer Kanda em segurança... Confie em mim.
__Eu confio...__ Kitsune replicou baixo, fracamente.__ Você sabe exatamente onde ele foi... Não sabe?... Só pode ser...
__O moinho...__ Datenshi disse baixinho, o som da chuva quase encobria por completo sua voz.

    E Datenshi piscou faceiro um dos olhos, sorriu com os lábios selados parecendo tão tranquilo... Que Kitsune invejou essa coragem, essa segurança que provavelmente ele jamais teria mesmo que pudesse viver por duzentos anos.
   Ficou olhando Datenshi sair pedalando em disparada e estremeceu quase chorando sob o temporal quando outra trovoada se precipitou entre as nuvens escuros que pareciam longe de se dissiparem.
    E lamentou quando se virou e fitou sem querer a mãe de Datenshi e Kanda que o olhava friamente por cima de seu ombro enquanto Nagoro a conduzia para dentro da casa.
   Não era apenas um olhar frio, tão assustador quanto acusador.
   Kitsune tinha receio daquele olhar, quase que preferia gelar embaixo do temporal e estremecer de medo a cada relâmpago que partisse a escuridão dos nimbos gigantes que vagavam na imensidão.
    Limpou as lágrimas que se misturavam com a chuva em seu rosto, tendo o peito revolto em pura aflição.
    Sentia culpa por não ter a coragem necessária para encontrar Kanda e raiva de si mesmo por causa do medo que lhe sobrevinha enquanto trocava passos pelo quintal, prestes a entrar na casa de sua avó...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...