9.8.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 66 por Mel Kiryu



Capítulo 66 (Parte 1) A voz se cala, mas o pensamento urge

      Nagoro serviu um chá verde para Mika na sala de sua casa, Kitsune tentou pedir licença para se retirar, pois o olhar de Mika apenas acrescentava ao seu nervosismo.
    Todavia, não houve escapatória.
     Mika provou do chá sem pressa, mas antes que Kitsune pudesse deixar o cômodo, ela pediu a Nagoro se poderia conversar a sós com o rapaz.

__Fique a vontade.__ Nagoro retrucou secamente.__ Estarei na cozinha.
    A mão de Kitsune segurou apreensiva no encosto do sofá, engoliu a seco tentando se concentrar no som abafado da chuva.
    Ao passo que Mika tomou mais um pequeno gole do chá, sem tirar os olhos de Kitsune:
__Por que não se senta? Afinal, a casa não deixa de ser sua.
    Sem dizer meia palavra Kitsune se moveu desajeitado e apreensivo e ocupou um dos lugares do sofá com dois assentos, estava de fronte a Mika que ocupava a poltrona e entre eles uma mesinha baixa de madeira onde ficara o delicado bule de chá feito de porcelana chinesa.
__Espero que tenha consciência de que em parte é também culpa sua essa imenso transtorno, Kitsune-kun.
__Desculpe... Mas, eu nem estava aqui quando Kanda saiu de casa debaixo do temporal...
__Devia ter ignorado o apelo de Kanda e ter partido nessa manhã... Não era o que estava tentando fazer quando embarcou naquele trem?
__Eu estava partindo pelos motivos errados...__ Kitsune suspirou, encarando os próprios joelhos embalados em seu jeans úmido.
   Mika estava cada vez mais injuriada, ainda mantinha seus gestos comedidos quando deixou o pires e a xícara sobre a mesinha baixa de madeira.
__Por Deus, Kitsune! Será que você não percebe? Você são garotos! Até fiquei contente quando soube que eram bons amigos, já que Kanda quase nunca permite que as outras pessoas se aproximem dele... Mas, esse tipo de relação não é apropriada!
     Havia um nódulo em sua garganta, queria tanto questionar e ir contra a mãe de Kanda... Perguntar o porquê de dois garotos se gostarem não ser apropriado, se não deixavam de serem bons amigos.

           Mas, Kitsune mais uma vez travava e engolia as palavras que queria tanto dizer.
    Seu silêncio tímido, seu jeito amedrontado apenas irritavam mais Mika que esperava uma resposta decente.
     E a ausência dessa resposta, repercutia em Mika em forma de frustração.
     Fazendo com que remoesse suas amarguras mais rasas, também se revelava triste e uniu as mãos suadas ao entrelaçar os próprios dedos sobre seu colo voltando seu olhar para um canto da sala.
__Por que Hicaru tinha que morrer justo nesse momento?...__ Ela indagou atormentada como que para as paredes e Kitsune mirou o olhar atônito e desprevenido em sua direção.__ Ele era uma das únicas pessoas que conseguia argumentar com as teimosias de Kanda!... Não sei se sou capaz de resolver isso sozinha... Não sei como alcançar Kanda, nem conquistar seu afeto.
     Mika fungou baixinho e uma lágrima escorreu por sua face, seu dedo indicador depressa deslizou por sua pele secando aquele vestígio morno de dor.
__Depois de todo esse tempo ele mal me reconhece como sua mãe...__ Seu olhar tornou a colidir com o dele, sua voz inconformada.__ Como conseguiu conquistar o meu filho, Kitsune-kun?    
__Eu não sei...__ Kitsune replicou evasivo.__ Sinceramente, acho que Kanda é que me conquistou...
     Era como se houvesse um vão sombrio naquela conversa, não podia contar como tudo tinha acontecido, como muito antes de sonhar em conhecer Kanda, já era apaixonado por Datenshi... Além disso, quantos fatos Mika Tanigaki ignorava!

   Os abusos cometidos por seu marido contra seu filho adotivo, como seus dois filhos haviam se tornado amantes e que neste instante ambos dividiam o mesmo namorado... O próprio Kitsune.
                    A teia de segredos não tinha fim.
__Mesmo assim...__ Ela interrompeu os pensamentos mais íntimos de Kitsune, sua voz soou mais dura.__ Não espere que eu concorde com esse contrassenso!
    Mika abandonou a poltrona, não se conformava com a ideia de um reles garoto conquistar o afeto de Kanda naqueles três meses de verão, afeto que ela mesmo tinha tentado conquistar arduamente por longos treze anos!
__Dois garotos não podem ser namorados! Não quero que Kanda seja vítima do preconceito da sociedade, desse vilarejo... Seja da onde for! Já não basta ter que lidar com os que dizem que meu filho é amaldiçoado? Isso é uma maldade sem cabimento...
     Kitsune também deixou o sofá ficando de pé, porém mirava seu olhar caramelo em Mika completamente calado.
   As palavras engastalhavam em sua garganta, se acumulavam e por mais que devesse, não conseguia expressar o que pensava, o que sentia por Kanda.

   Era uma fraude até para defender sua relação amorosa.
__Por isso, Kitsune... Não me importo se decidiu ficar ou não nesse vilarejo! Estou decidida a levar Kanda para morar comigo na Capital, se vocês dois não desistirem dessa brincadeira estúpida de namorados.  
    Sentia como se estivesse prestes a implodir ao tornar-se cabisbaixo, seu rosto ardendo ao passo que corava contrariado e Kitsune apertava discretamente um lábio contra o outro, os dedos de suas mãos dobrados nervosamente contra suas palmas duras de tensão.


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