22.8.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 67 Parte 2 por Mel Kiryu


 Capítulo 67 (Parte 2) Uma luta perdida contra as escolhas do passado

    Mika levantou-se da beira da cama e trocou poucos passos até a estante de livros que eram de Hicaru, fez menção de retirar um volume de capa dura, parecia mais estar brincando com os dedos na lombada do livro antes de anunciar o que tinha decidido.
__Eu custei a perceber...__ Ela disse enfim tirando o livro de capa dura da grande estante.__ Foi um grande erro considerar a adoção de Kanda.
__O que a senhora está dizendo?__ Datenshi questionou estupefato.__ Depois de todos esse anos!
   As pontas dos dedos de Mika acariciaram a capa do livro, sentindo o relevo em dourado onde estava delineado o título do volume.

__Estou dizendo...__ Mika replicou imperturbável encarando Datenshi.__ Que vou custear os estudos de Kanda e o que ele precisar até completar vinte anos, o que é minha obrigação... Mas, depois que ele completar a maioridade... Não o quero mais nesta casa, está entendido?
    Eram palavras inacreditáveis, nem parecia sua mãe.
    Claro que sabia que ela era bem controladora quando queria, mas isso era inconcebível!
__Mãe... Ficou louca? Esse é seu modo de punir Kanda por se apaixonar por outro rapaz? Eu podia esperar algo assim do meu pai, mas de você!...__ Datenshi falava depressa, exasperado.__ Logo você que sempre se esforçou para fazer o Kanda feliz!
__Algo assim do seu pai?__ Mika ironizou, perdendo a pose imperturbável.__ Me poupe, Datenshi! Só faltava Hicaru beijar o chão que Kanda pisava!... Tentei por anos ser a mãe que aquele garoto ingrato precisava, mas eu cansei! Cansei!... Considere Kanda como quiser, mas para mim...
    Datenshi tinha a sensação que sua mãe fosse agredi-lo com o livro, mas ela respirou fundo e apenas concluiu apertando o volume entre os dedos brutais:
__ Aquele garoto chamado Kanda não é mais meu filho!      
          Mika respirava depressa, entrecortado, era como se tivesse acabado de regurgitar palavras que nem tinha terminado de digerir.
    Datenshi ofereceu um olhar cortante, penetrante e vivaz. Seu cabelo cor de chocolate estava mais arrepiado do que costumava talvez por ter secado depois de tomar chuva, mas o mais importante era seu jeito de fuzilar sua própria mãe com o olhar.
__Não importa o que a senhora diga...__  Datenshi replicou.__ Minha relação com Kanda é irretocável, se quiser dessa forma... Então quando Kanda completar vinte anos, Mika Tanigaki não será mais minha mãe.
    Sem gritar, a voz de Datenshi era de quem era pleno dono de si e essa convicção e ousadia deixava Mika louca de raiva, num impulso súbito sua mão se chocou contra a face de Datenshi, deixando na tez a marca de sua ira.

   Mika bufava, apontou o livro na direção de Datenshi tal como se fosse uma arma engatilhada, seu braço tremia.
__É isso! É justo por isso que Kanda merece meu desprezo!... Olha que coisas horríveis tenho que ouvir do filho do meu ventre... Datenshi!
     Não era  apenas raiva, podia sentir pelo tom exausto que Mika estava arrasada e Datenshi a olhou de soslaio, virou devagar o rosto tocando de leve as marcas dos dedos dela marcados em sua pele que ardia.
    O que tinha dito era verdade, não podia desmentir, tão pouco voltar atrás. Sua mãe podia lhe atirar o livro na cara, podia derrubar a estante inteira sobre ele.
    Nada faria Datenshi abandonar Kanda, desconsiderá-lo como irmão, aquela era uma discussão inútil.
__Mãe... Lembra quando eu fingia que era surdo-mudo quando moleque? É isso que eu serei para a senhora... Pelo resto da noite.
     Em sua ira que caducava, Mika também reconhecia o quanto era ineficiente aquela briga.
     Não havia jeito, assim como Hicaru, seu único filho legítimo parecia amar Kanda cegamente.
    Viu Datenshi deixar o quarto e deixou-se cair sentada na beira da cama, o livro escorregou por entre seus dedos e caiu no chão do quarto.
    O peso daquele longo dia desmontava seus ombros, Mika mal sentia os pés nos chinelos enquanto encarava o volume de capa dura no piso, as letras em relevo dourado que apenas faziam seus olhos arderem, se turvarem.  

     A mão que desferira o tapa fulminante em Datenshi ainda queimava, não era apenas golpe. Era o ódio, o ciúme, o reverso de tudo de bom que havia.
    Veio-lhe em mente o instante que entrara na cozinha de Nagoro e se deparara com Kanda abraçando Kitsune, a encarando com aquele desafio silencioso no olhar.
    Não era a primeira vez que era surpreendida por este olhar desafiador de Kanda, tinha que admitir que apesar de seu rosto inocente e bonito e da doçura cativante de seu olhar, Kanda podia ser bem decidido, frio e distante quando queria.
     A sensação de ter sido manipulada tantas e tantas vezes por essa meiguice desafiadora, esses atributos que não passavam de antíteses, recaiu sobre o espírito de Mika.
    Não, não podia perdoar Kanda.
    Mika tinha sido rejeitada por ele depois de oferecer o seu amor, tinha perdido Hicaru para a morte e sentia-se horrivelmente só.
     E por causa de Kanda, também tinha perdido o amor e a cumplicidade amiga de Datenshi.
     Por isso, havia decidido que Kanda não lhe roubaria mais nada.
     Com as pernas penduradas na beira da cama, deixou suas costas desabar no colchão e Mika encarou o teto no limite de sua exaustão, na ausência total de sua paz de espírito.
    O som da chuva já não se fazia notar, embora estivesse lá.
 

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