28.8.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 68 por Mel Kiryu



Capítulo 68 O afeto escondido não pode ser compreendido

                            Dois dias depois – Treze de agosto
                                Por volta das oito e meia da manhã

       "Eu achava que me importava com você.
         Em algum momento, por um longo momento eu realmente me importei.
         Eu achava que te amava.
         Mas, quanto a isso eu estava enganada.
         O amor não poderia se transformar em ódio tão depressa, com tanta facilidade.
         Tem razão, eu não sou sua mãe.
          E o laço que nos une está restrito ao desprezo mútuo.
          Não o quero mais como filho, acho que nunca ninguém de fato o quis dessa forma.
          Não há se quer nada de benéfico no fato de você ter nascido.
          Quando você completar vinte anos quero que saia dessa casa.
          Quero que suma.
          Que esqueça que pertenceu a esta família.
         
          Com o meu mais profundo desdém

                Mika Tanigaki."
       

        Encontrou o envelope preso com um abridor de cartas na porta da sala, parecia mais um punhal com a ponta enterrada na madeira e no branco do envelope lia-se: "Para Kanda".
   Puxou o abridor de cartas, percebendo que havia sido enfincado com raiva e força desmedida na madeira e abriu o envelope, retirou o papel dobrado em dois e leu.
    Sua mãe havia partido naquela manhã e pensara que o fato de Mika mal ter se despedido, era porque ainda estava zangada em razão de seu namoro com Kitsune.
    Contudo, ao ler a carta, Kanda percebeu que os motivos de Mika iam além de uma simples zanga.
    Tinha ódio pincelado naquelas palavras e o trecho que fazia seu coração purgar não podia ser outro, se não este:

            Não o quero mais como filho, acho que nunca ninguém de fato o quis dessa forma.
            Não há se quer nada de benéfico no fato de você ter nascido.  

      Não conseguiu reler naquele instante, guardou depressa o papel no envelope como se quisesse tornar prisioneiras aquelas palavras ruins. Acima de tudo, não queria que Datenshi lesse, qualquer outra pessoa.
    E apertou aquele envelope entre os dedos pensando que deveria rasgá-lo, mas não conseguia... Não podia. No fundo, até concordava com aquelas palavras, mas nunca pensou que sua mãe de criação que as deixassem marcadas no papel.
   Podia ter respondido com gestos que Mika “nem era sua mãe de verdade”, mas na real o afirmara num instante furtivo de raiva e infantilidade.

     Ao seu modo distante Kanda era agradecido por ter sido acolhido, quando ninguém mais o queria.
 E não era como se não tivesse afeto por sua mãe de criação... Não negava sua dificuldade em se relacionar com ela, mas em tempo algum isso fora um presságio de que a desprezasse.
           Mas, agora... O que sentia não importava.
Sua mãe de criação, que por vontade própria havia decidido adotá-lo, sem sombra de dúvida o detestava.

  Em tempo escondeu no elástico da calça de moletinho o envelope dobrado em dois e no que deixou o abridor de cartas no parapeito de uma janela da sala, se virou um tanto sem rumo dentro da própria casa e se deparou com Datenshi entrando na sala, vindo do corredor a se espreguiçar.
__Ah, dormi tão bem...__ Datenshi retrucou rindo, sabendo que os olhos de Kanda estavam sobre ele.__ Você viu que a mãe foi embora sem ao menos se despedir?
   Kanda apenas gesticulou com a cabeça que sabia, mas recuou o olhar e evitou fitar Datenshi.
   Isso o livrava de qualquer possibilidade de conversa.
  Mas, dessa vez, Datenshi é que olhava fixamente em sua direção.
Como teria que passar por Datenshi se tentasse ir ao quarto ou outro cômodo, caminhou depressa e descalço do jeito que estava em direção à porta de correr que dava nos fundos do quintal, onde havia aquele típico jardim japonês.
__Kanda...__ Datenshi o interceptou antes que pudesse fugir para o quintal, segurou aporta.
    E além disso, tocou-lhe carinhoso o rosto, Kanda sabia que ele não ia deixa-lo em paz enquanto não tornasse a fita-lo.

Sua vontade era arrancar a mão de Datenshi que segurava a porta e Kanda que sempre guardava sua voz no mais profundo de si, sentia genuína vontade de gritar, o grito se antecipava em seu íntimo e esse desejo chegava a ser sufocante.
 Em vez de se reder a esse ímpeto, mirou-se em Datenshi tendo seu olhar destituído do distanciamento habitual, tão perdido, algo irritado e contrito...
 Seu coração pulsava tão forte, fazendo seu peito tornar-se tão apertado, que Kanda se perguntava se havia alguma chance de Datenshi perceber o quão triste soavam as batidas, o tamborilar de seu próprio coração.  
   Que em sua surdez, podia sentir as mensagens indesejáveis de seu corpo, mas fazia tanto tempo...
   Não conseguia mais lembrar como era o som.
   O som contínuo e calmante de outro coração batendo.

Nota da autora: Créditos do desenho que ilustra o capítulo pertencem a http://mmmaoh.tumblr.com/post/121542910625

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