7.8.15

Tsukiyomi no me Capítulo 27 por C.C


Capitulo 27

           Pelo comportamento da minha mãe posso afirmar com toda a certeza de que ela já sabia desta brincadeira. Quanto ao meu pai não sei se está chocado ou simplesmente apreensivo, seja como for não consigo entender o que passou pela cabeça do Tsukiyama para dizer uma coisa daquelas.
O silêncio congelava a divisão e por muito estranho que parecesse todos olhavam para mim. Não me digam que estavam à espera da minha resposta? Como é que se responde a uma pergunta daquelas? Somos os dois homens, nem sequer podemos casar a sério!

           Nos olhos do psicólogo, que me observava pacientemente, podia perceber que ele sabia tudo o que passava pela minha mente no momento. Eu não queria magoá-lo, não agora que parecíamos cada vez mais perto um do outro, mas pedir algo assim quando nos conhecemos à menos de três meses é um pouco…forçado.
          Sem dizer uma palavra levantei-me da mesa e saí de casa. Ainda pude ouvir a minha mãe chamar por mim e desculpar-se com o convidado antes de fechar a porta.
        Não fazia ideia para onde ir. A noite já caíra e a cidade parecia muito mais solitária. Quando dei por mim havia chegado à campa da Mika. Agora entendo porque fazem filmes de terror nos cemitérios, isto é sem duvidas assustador à noite. Podia facilmente imaginar um zombie a saltar de trás de um arbusto ou um fantasma a sair de um dos túmulos.

         Rezei. Tinha a impressão que não vinha até aqui à séculos, tendo em conta que no decorrer do último ano passava cá quase todos os dias. Acho que ela me perdoaria. Afinal ninguém me conhece melhor que ela, deveria saber como sou cabeça oca quando me foco nalguma coisa.
Suspirei. O vento, mais forte do que na altura que saí de casa, sacudia-me o cabelo e arrepiava-me o corpo. Ter trazido um casaco tinha sido boa ideia.
Caminhei até ao portão do cemitério ainda com o receio que saísse um ser. Digno de ficção, das sombras.
- Arata.
Eu sei que já disse isto muitas vezes mas juro que desta vez quase tive um ataque cardíaco de verdade. Aquele homem alto e elegante, que no inicio só me parecia um monstro, saiu do escuro metendo-se à minha frente sem aviso prévio ao portão de um cemitério em plena noite, vocês não se assustariam de morte?! Ok, este foi um trocadilho dispensável.
- Tsukiyama. – Cumprimentei desviando o olhar.
- Este não era exatamente o lugar que eu escolheria para ficar sozinho.
- Então como chegaste aqui?
- Foi o teu pai.
O meu pai? Por essa não esperava. Será que por causa da minha atitude o meu pai passou a simpatizar com ele?
- Surpreende-me que tenha sido ele depois do que disseste ao jantar.
Pude notar o olhar que não consegui perceber se era arrependido ou magoado. Começava a pensar que ele falara a sério quanto ao casamento.
- Eu falei a sério, sabes. – Lê mentes. – Queria que os teus pais soubessem que para mim o nosso relacionamento não é uma brincadeira.
- Foi ideia da minha mãe não foi? – Tentei manter-me imparcial mesmo que o que ele disse me tenha feito corar.
- Ela já tinha percebido que se passava algo entre nos e confrontou-me.
- E tu contaste-lhe.
- Contei o que sentia, não tinha porque negar. Já me arrependo que chegue por só ter contado isto ao meu avô no final.
Uma ponta de culpa acertou-me também. Falar do padre Shinsuke ainda não era fácil para mim. O vermelho volta à minha face com a pergunta que se formava na minha cabeça:
- Q-Queres mesmo c-casar c-comigo?
Um sorriso com um misto de sensualidade e ternura desenha-se nos lábios dele:
- Eu quero tudo de ti. Mas por agora vamos regressar antes que a tua mãe decida vir atrás de nós.


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