15.8.15

Tsukiyomi no me Capítulo 28 por C.C



Capitulo 28

          Era impressionante como mesmo depois de quase um mês o número de pessoas a visitar o altar do padre Shinsuke não diminuíra nada. Havia até quem alugasse autocarros para poder trazer mais gente.
          No meu caso passara-se três dias desde aquele jantar falhado. Sem fazer a menor ideia como a novidade do casamento espalhou-se e neste momento era um rodopio dentro do templo. Eu nem sequer disse que sim ou não e a cerimonia já estava a ser planeada. Aposto que tem dedo da minha mãe nisto mas preferi guardar a opinião para mim e ignorar os acontecimentos.

         Ou não era bem assim. Neste exato instante estou de braços abertos e em cima de um degrau com uma Nanami muito excitada a tirar-me medidas com uma fita de costura.
Como é que em curtos e simples três dias passei de um escritor de sucesso que vai ter o seu livro transformado em filme para uma noiva de novela?
       Ah sim, acabei por aceitar a realização do filme. Perguntam-se porquê devido à minha relutância anterior não é? Bom, resumindo, conheço o escritor que vai fazer o guião. Quando me disseram que caso aceitasse seria ele a escrevê-lo concordei logo. Gosto imenso do trabalho dele e estou bastante curioso para saber como ele vai “transformar” o meu livro. E claro, disseram que eu podia ler antes do início das filmagens e se houvesse algo que não estivesse do meu agrado seria alterado. O único ponto chato é ter de participar nos casting’s para a escolha dos atores. Pode ser que ainda apareça lá algum famoso e eu peço um autógrafo para a minha mãe.
- Sakurai-san está quieto! Assim não consigo medir como deve ser. – A voz da Nanami puxa-me de volta à realidade.
- Nem sei para que é tudo isto.
- Ora, claro que é para o teu kimono. Não vais querer casar vestido num saco de batatas pois não?
- Eu já sou casado.
- És viúvo e nem sequer foi uma cerimónia xintuísta.
- Dois homens não podem casar!
A ponta da caneta é espetada na minha perna. O olhar dela mostrava o quanto ficava triste quando eu dizia aquilo, e furiosa.
- Se não queres ser uma noiva coxa é melhor estares calado.
- E porque é que eu é que tenho de ser a noiva?!
- Porque já foste noivo. É preciso variar de vez em quando.
        Apesar de não gostar disto acabei por me rir com ela. Na verdade acho que todo este ambiente começava a afetar-me também.
***
           Finalmente consegui livrar-me das mãos da minha alfaiate improvisada. Acho que só faltou medir-me o comprimento das unhas.
           Estava para ir ter com o Tsukiyama mas parece que ele saiu para ir tratar de coisas relativas ao templo. Talvez deva aproveitar para ir dar uma espreitadela ao jardim, há algum tempo que não vou até lá.
           Devia faltar meia dúzia de metros para chegar à porta quando ouço tocar o sino da entrada. Não era incomum mas mesmo assim era raro. Cautelosamente aproximei-me do local tentando passar despercebido. Um homem rezava perto da caixa de oferendas, mas não foi isso que fez os meus olhos arregalarem-se. A sua aparência tão familiar, como se olhasse para uma versão do passado do padre Shinsuke e do futuro do Tsukiyama. O mesmo cabelo prateado caraterístico daquela família.
          As minhas emoções devem ter-me denunciado pois em segundos ele encarava o local onde eu me encontrava.
- Posso ajudá-lo? – Decidi sair do meu esconderijo mesmo que um tanto nervoso.
      Ele olhou-me de alto a baixo como se me inspeccionasse:
- Trabalhas no templo?
- Não… Quer dizer, mais ou menos. Veio visitar o altar do padre Tsukiyama?
        Pode ter sido impressão minha mas por instantes pensei ter notado uma mudança de expressão para uma mais fria.
- Não. Não sou bem-vindo dentro desse templo.
        A resposta ficou a pairar no ar como uma folha demasiado pesada para voar mas demasiado leve para afundar.
- Oh meu Deus… – A Nanami aparece atrás de mim com um ar de puro choque ao ver aquele homem. – Ojii-sama…

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