28.8.15

Tsukiyomi no me Capítulo 30 por C.C


Capitulo 30

  Não me perguntem o que aconteceu. Pessoalmente preferia apagar essa imagem do meu cérebro. Nem quando o avô morreu o vi tão transtornado como no momento em que aquele homem chamou por ele.
  E como se a situação não pudesse piorar, por alguma razão que desconheço, estou sentado no sofá da casa da família da Nanami mesmo ao lado do causador de todo este drama. Como escritor digo-vos, isto podia dar um livro.

  A mãe da rapariga, chorosa pelo regresso do irmão que não via à mais de trinta anos, trazia uma bandeja com chá que serviu aos elementos presentes. Eu não fazia a mínima ideia do que estava ali a fazer por isso permanecia em silêncio enquanto a mulher tentava capturar de volta o coração do homem que nem consegui imaginar como em algum dia podia ter sido como ela o descrevia.
  Apesar de tudo os meus pensamentos focavam-se no Tsukiyama. Não foi preciso ele dizer em palavras que queria estar sozinho, o corpo trémulo dele tinha passado muito bem essa mensagem. Talvez por isso a Nanami me tenha feito vir com ela, por saber que se eu tivesse ficado no templo quase de certeza que não resistiria em ir ao encontro dele.
  O sabor forte do chá acalmou-me de alguma forma. Mesmo que o desconforto permanecesse lá.
  Tudo ia calmo, com o monólogo da mulher a preencher a sala, até que ela decide fazer uma pausa supostamente para recuperar o fôlego de falar por tanto tempo seguido. E é aí que o peso do mundo se vira contra mim.
  - O que é que ele está aqui a fazer?
  O meu sangue gelou. A pergunta dele tinha sentido, afinal eu não sou da família, um simples estranho.
  - O Sakurai-san é nosso amigo. Ele tem ajudado muito no templo. – Defende Nanami.
  Agradeci a simpatia mas achei melhor retirar-me. Não queria causar mais tensão do que a já existente.
  - Não precisas de sair Sakurai-san, mais cedo ou mais tarde vais fazer parte da família. – A rapariga puxa-me pelo braço de volta à sala.
  - É teu namorado?
  - Não, ele e o onii-san vão casar!
  Conhecem o quadro famoso, “O Grito”? Pois neste momento a minha expressão facial é praticamente essa. O que raio é que deu à miúda para dizer uma coisa assim do nada?
  Se houvesse ali um buraco no chão enterrava-me. Não sabia se inventava uma desculpa qualquer ou se fugia. Ao sentir os olhares sobre mim acabei por optar pela segunda hipótese.
  Eu sei que foi covarde da minha parte mas foi demais para mim. Até agora era como se aquela realidade não passasse de uma brincadeira. Encará-la de forma tão direta chocou-me de uma maneira que não previ. Conclusão, estou a correr pela vila como se a minha vida dependesse disso e a fazer uma triste figura. Sim, sou um adulto vergonhoso.
  Dei por mim havia chegado à floresta por trás do templo. O cheiro da Natureza pareceu lavar as minhas preocupações. Até que me dei conta de uma coisa. Nunca estive aqui, e olhando em volta não faço ideia sequer onde isto fica. Resumindo estou perdido no meio da mata!
  Maravilha. Logo quando eu começava a pensar que o azar tinha me dado tréguas. E ainda deixei o telemóvel no templo.
  Ocorreu-me a ideia de voltar por onde vim mas isso era se eu soubesse! Naquele lugar tudo me parecia igual.
  Cansado de andar sem destino sentei-me num tronco ali perto. Suspirei. Havia alguma possibilidade de uma pessoa aparecer ali e me resgatar? Ah, quero ver o Tsukiyama…

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...