9.9.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 69 por Mel Kiryu


Capítulo 69 Nada seduz mais do que a ausência de malícia

Não era comum o rosto de Kanda corar-se tão involuntariamente, isso queria dizer que ele não estava no controle de seus sentimentos.
E Datenshi sabia disso, era o acúmulo de diferentes emoções e em sua maioria emoções ruins que Kanda não sabia como destilar.

__Kanda... Está sentindo falta da sua flauta?__ Datenshi perguntou baixinho, teria gesticulado se não estivesse segurando a porta de correr.
A meiguice do olhar de Kanda era tamanha que despertava um desejo impróprio em Datenshi. Os irmão trocavam olhares e foi quando as mãos de Kanda disseram:

"Quero que deite-se na rede."

Datenshi riu breve, sem entender e gestualizou:

"Na rede? O que você tem em mente?"
"Apenas faça."__ Kanda respondeu em seguida, seus gestos mandões.

Datenshi acatou a "ordem" sorrindo divertido, prendeu a rede nos dois ganchos, sendo que antes ela estava pendurada em apenas um deles.
E na maior tranquilidade se deitou esticado nela, levando as mãos à nuca e esperando o que viria a seguir.
Devagarzinho... E para acabar de enlouquecer de vez sua excitação, Kanda subiu sobre seu corpo esticado na rede e se aconchegou sobre ele de modo que sua cabeça ficasse bem a altura do lado esquerdo do peito.
A mão de Datenshi abandonou sua nuca e pousou no cabelo de Kanda, exerceu uma carícia na cabeça sentindo o cabelo macio entre seus dedos.
De olhos fechados, tendo uma das mãos espalmadas sobre o lado direito do peito de Datenshi, pôs-se a sentir o pulsar no âmago daquele peitoral.
Era o jeito que Kanda tinha arrumado para se acalmar, para amenizar a tristeza decorrente que sentia, para calar o grito estridente e desolado aprisionado na sua garganta muda por conveniência.
Ainda não entendia bem a finalidade daquela situação criada por Kanda.
Não parecia haver nada de sexual em seus gestos, visto que Kanda não se movia, apenas se aconchegava em Datenshi com desamparo.
Contudo, Datenshi se sentia no limite.
Desde que acordara havia ido ao banheiro, lavado o rosto, a boca e as mãos e também tentara domar seu cabelo ao umidecê-lo com um pouco da água da torneira. Não tinha comido ainda, mas a fome nem era problema.
Seus sentidos estavam despertos, seu desejo por Kanda era feroz naquela manhã.
Não demorou e Kanda percebeu a ereção de Datenshi cutucando seu corpo, o membro dele pulsando e sentiu de pronto um arrepio de volúpia subir por sua perna.
Kanda ergueu sua cabeça depois de sentir o coração de Datenshi bater mais rápido, seus olhares colidiram e a mão que antes acaricava o cabelo de Kanda escorregou e junto com seu braço, o envolveu abraçando-o pelas costas.
Sentia esse abraço como o gesto de alguém que não o deixaria escapar, Kanda tentou deslizar sobre o corpo de Datenshi e sentiu o papel do envelope preso no elástico de sua calça roçar em sua pele.
Seu coração disparou, Datenshi teria ouvido o som do papel roçando entre seus corpos?
Tudo tinha caído por terra, a paz que tinha conseguido ao ficar junto de Datenshi evaporara, as sensações de antes despertavam daquele cochilo.
Kanda se sentia tão mal, não um mal estar meramente físico, mas algo mais profundo.
Por que alguém ficaria feliz com sua existência? Por que Datenshi o desejava? Era sua culpa, Kanda tinha transformado seu irmão em amante quando ainda era crianças.
Apoiou os cotovelos em Datenshi e tentou gestualizar preso contra o corpo dele:

"Você morreria por mim?..."

Datenshi compreendeu a pergunta em meio as gestos precários, dentro do pouco espaço daquela rede, sua mão apalpou de leve uma das nádegas de Kanda e seus lábios disseram:
__Não... Eu viveria a minha vida inteira por você, Kanda.
Invejava Datenshi, seu irmão que não tinha medo da morte e que tão pouco tinha medo da vida.
Kanda tinha um medo torturante da vida, sua mente vivia afundada em confusões e muitas vezes se sentia culpado por ser amado por Datenshi. Não conseguiu evitar de crispar levemente o rosto, revelou-se tão triste que Datenshi fez o possível para frear o desejo absoluto que sentia por seu irmão casula.
"Me solta, Datenshi... Me deixa ir..."__ Kanda pediu entre gestos, se debatendo mesmo sem querer para se livrar daquele abraço amoroso e sensual de que nem era merecedor.
Sem questionar Datenshi desfez aquele abraço e Kanda saltou como um gato em fuga daquela rede.

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