14.9.15

Mel Caramelo e Chocolate Capítulo 70 por Mel Kiryu


Capítulo 70  Brotherhood of sex

   Olhou por um momento Kanda fugir da rede e atravessar a sala, ouviu a urgência e algum desespero no som dos pés descalços que trocavam passos ligeiros no piso da sala.
 Datenshi também deu um salto da rede, correu atrás de Kanda.
 Mas seus pés no piso geravam um som parecido com uma manada debandando.
 Kanda tentou trancar a porta do quarto, mas Datenshi a empurrou com o ombro antes que seu irmão conseguisse dar a volta com a chave e bem diante de seus olhos os dedos compulsivos de Kanda puxaram o envelope dobrado antes preso no elástico da calça e puseram-se a destroçar o envelope e a carta, rasgar em pequenos pedacinhos as palavras que de qualquer modo não sairiam mais de sua cabeça.

 Aquela chuva de papéis picados terminava de cair quando Datenshi o segurou pelo ante-braço, deu um puxão irradiço fazendo Kanda voltar seu olhar para ele, ainda que contra vontade.

     "O que você está escondendo? Kanda!"__ Datenshi inqueriu, seus gestos eram energéticos.

     Kanda não fez força para soltar seu ante-braço do toque decidido de Datenshi, somente meneou com a cabeça, aquela negativa, o modo como desvencilhava o olhar... Diziam em código que não queria contar sobre o que o atormentava.
    Angustiava Datenshi quando Kanda lhe negava o olhar, quando se trancava em si.
   Não podia alcançá-lo com sua voz, o olhar era a principal ponte que os ligava, por onde suas almas trocavam mensagens.
   Sem mais alternativas, Datenshi deslizou a mão que segurava brava o ante-braço e mais uma vez transformou em carícia, afagou o braço de Kanda com seus dedos e por fim, seus dedos se enlaçaram unindo suas mãos palma-a-palma.
 E como numa brincadeira, puxou Kanda pela mão e os dois ocuparam um dos futons abertos no quarto, o  futon de Datenshi.
   A mão suada de Kanda soltou suave a sua e ficou aliviado pelas mãos dele tornarem conversar junto com seu corpo, seus olhos mantendo um frágil contato.  

     "Eu quero fazer sexo."__ Kanda replicou de súbito retomando o fogo no olhar, voltando ao momento que sua perna se arrepiava de volúpia, desafiando Datenshi com sua meiguice cativante.

     "Se quer isso... Tem que me contar que papel é esse que acabou de rasgar."__ Datenshi rebateu, resistindo duramente ao convite sensual no olhar cor de mel de seu irmão.

     "Uma carta de amor... Para Kitsune... Não queria que você lesse."__ Kanda dissimulou e se inclinou, passou seu braço pelo ombro viril de Datenshi, de modo que sua mão corresse nem afago em sua nuca.

__Mentiroso...__ Datenshi disse em bom tom, sabendo que Kanda fitava seus lábios com a mais safada das intenções.__ O que quer que estivesse escrito naquele papel... Te causou a pior das tristezas.
     Mas, Kanda não queria conversar sobre suas tristezas. Do jeitinho que sua mão ia numa carícia pelo peitoral de Datenshi, a mensagem de seu silêncio era: "Faça sexo comigo... Esqueça todo resto."
     Seu olhar mirava-se em Datenshi com um desejo febril e no que suas bocas se tocaram não houve sutilezas, a língua de Kanda percorria faceira explorando cada cantinho da boca de Datenshi assim como sua mão deixava a nuca também percorrendo o caminho das costas por meados da coluna, louco para despí-lo da camisa.
    Não que Datenshi não cedesse aos beijos, não havia motivos para recusar o toque, o corpo de Kanda encaixado ao seu. O seu desejo tornava-se urgente porque já tinha sido provocado pela inocência de Kanda naquela rede, o que faziam naquele futon era a mera continuação, era a volúpia reacendida, o desejo renovado que Datenshi não tinha mais como conter.
    Desde a chegada de sua mãe há quatro dias atrás, não experimentava qualquer contato dessa natureza com Kanda, nem dormiram juntos como costumavam.
    Tinham que se portar unicamente como irmãos aos olhos de sua mãe.
    Restringir os olhares, a conversa, o toque.
    Mas, um dia antes do que esperavam Mika partiu sem mesmo se despedir.
    E embora costumasse amar seu irmão gentilmente, Datenshi fez o corpo de Kanda cair no futon junto com o seu, com um rastro quase invisível de saliva unindo seus lábios deu um puxão na calça de moletinho que ele vestia, descendo as peça juntamente com a cueca.
   Entre beijos entrecortados por suas respirações, masturbou o pênis de Kanda e ouviu dos lábios dele um raro gemido.
    Era tão difícil ouvir a voz de Kanda, que esse pequeno gemido preencheu Datenshi de uma excitação ainda maior.
     Mordiscou o lóbulo da orelha de Kanda sentindo o corpo dele se retesar no instante que sua língua lambeu a entrada do ouvido, ele podia não ouvir seus gemidos de delícia, mas Datenshi gostava de causar-lhe arrepios usando sua respiração quente, o poder de seu tato, a saliva morna na tez.
     As pernas de Kanda se prenderam por cima de suas costas, o olhar dele rendido por completo esperava ansioso pela penetração...
       Não ouviu mais gemidos vindos dos lábios entreabertos de Kanda, apenas a respiração dele... Ofegante.
  O som dos beijos suculentos, da carne batendo vigorosamente contra a carne, a penetração era intensa e tudo era muito vívido para Datenshi.
    Seus corpos suavam juntos naquela manhã de verão, o corpo de Kanda estava rendido e era totalmente conduzido pelo seu.
    Logo depois que Datenshi experimentou o orgasmo, percebeu como Kanda ainda estava excitado e mordiscou-lhe o mamilo, brincando na auréola rosada com a língua, sua mão subia e descia no membro de Kanda ainda ereto, pulsante... Desceu pela barriga enchendo a pele de beijos, Kanda se contorcia se agarrando ao futon e acabou soltando mais um pequeno gemido quando Datenshi chupou seus testículos e correu com os lábios em seu pênis.
     A brincadeira dos lábios, da língua de Datenshi na ereção de Kanda era uma deliciosa picardia.
   Sentia que enfim atingiria o orgasmo e sua voz saltou contra sua vontade de sua garganta quente e seca.
__Datenshi...
    E esporrou tudo na boca de Datenshi que engoliu aquele monte e se deitou ao lado de Kanda com um belo sorriso safado e feliz.
    Kanda também lhe sorriu mais suavemente, limpando o filete de esperma no queixo de Datenshi com a pontinha de sua língua.
__Você disse meu nome, Kanda... Sua voz é linda, sabia?
    Era a primeira vez em todos aqueles anos que ouvia a voz de Kanda e não sabia se tornaria a ouvir. Tendo esse pensamento, Datenshi acariciou os lábios de seu irmão com o indicador... Bem devagar.
     Kanda tinha a sensação que Datenshi estava mais feliz por ter ouvido sua voz, do que pelo sexo consumado e se aproximou só um pouquinho e sugou-lhe os lábios afetuosamente num beijo.

             "Baka... Ficar feliz por isso..."__ Kanda gestualizou depois do beijo.

              "Isso é por que eu te amo, Kanda... Amo você inteiro, até cada letra do seu nome..."__ Datenshi respondeu usando da linguagem de sinais, seus olhos transbordavam os sentimentos da mensagem de suas mãos.__ "Se ficar triste... Faço de tudo para te fazer sorrir."

         O que dizer? Não merecia ter alguém como Datenshi em sua vida, mas tinha... Não sabia se agradecia ou se sentia culpa. Por isso, Kanda estalou outro beijo bem no ombro de seu irmão sem deixar que aquele sorriso suave escapasse de seu rosto.
   
       Somente quando Kanda deixou o quarto pensando em tomar um banho, Datenshi que tornava a vestir suas roupas para fazer um desjejum viu sobre a mesa do quarto um envelope branco com a letra de sua mãe preso por um peso de papel, tocou o envelope com a ponta dos dedos e leu "Para Datenshi".
    Ao abrir aquele envelope havia uma quantia em dinheiro e um instruções de sua mãe para os cuidados com a casa e o retorno às aulas que aconteceria dentro de duas semanas.
     Isso queria dizer que passaria uma boa temporada sem a visita de sua mãe, até aí nada de estranho.
   Como sempre Mika havia escrito de modo direto, pouco afetuoso.
   Mas, o que realmente o intrigava, era encarar no chão do quarto a carta que Kanda tinha picado em pedacinhos.
       Estreitava o olhar segurando seu envelope na mão, tendo quase certeza que não se tratava de carta de amor coisa nenhuma...
                                               
                                             

13 comentários:

  1. Olá Mel
    Datenshi sempre certo na sua intuição.
    Kanda afogou as mágoas fazendo sexo com Datenshi, mas isso não mudou nada, ele vai continuar triste e vai precisar de desabafar é tão mau quando a gente tem que guardar tudo para nós porque vai ficar a martirizar-se sempre no mesmo

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  2. Oi, Rima!!
    Pois é... Conhece bem seu irmão adotivo. ^^"
    Olha, nem sei se Kanda chega a mesmo desabafar quanto a isso... Vou ter que reler para lembrar, mas acho que ele não conta a ninguém o conteúdo da carta.

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  3. Quando cresceram juntos e fizeram tudo juntos é normal que se conheçam :)
    Ah pode ser que mais tarde ele venha a se descair e contar a alguém... sei lá...

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  4. Acho que isso depende do grau de interesse que se tem na pessoa... Pessoas podem conviver por muitos anos e mesmo assim serem verdadeiros estranhos.
    Datenshi tem verdadeira devoção por Kanda... Acho até que chega a fazer mal a Datenshi, porque acaba que tudo gira em torno de seu irmão.

    Se depender apenas do Kanda com certeza não...

    E sobre Wild Lover... Mas, o pai do Hayato é um homem muito grosseiro!
    Agora percebo da onde vem a baixo-estima do Hayato...

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  5. Verdade, tem pessoas que sempre ficam umas estranhas para nós nem que passe anos
    É.... o Datenshi é um bocadinho obcecado pelo irmão, percebi isso quando foi capaz de matar o próprio pai.
    E isso também faz o Kanda se sentir mal porque não se acha merecedor de tanto

    Sempre foi.... e até achei que foi meigo nesse capitulo :p
    O Hayato sofreu com ele toda a sua vida por isso que decidiu ir para Tóquio, na altura ele era bem ingénuo achando que ia para a cidade e encontraria uma vida de sonho

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  6. Hum... Mas, Datenshi não matou o próprio pai somente por causa do irmão... Há mais nas intenções de Datenshi do que se pode imaginar.
    E o Kanda nem sabe que quem matou seu pai foi Datenshi, não sei se Kanda ia perdoar o seu irmão se descobrisse...

    Meigo??? Achei extremamente grosseiro, se falasse assim com meu amor ia arrumar briga comigo... (Pronto, acabei me colocando no lugar do Akemi, só que eu tenho mais gênio do que o Akemi, né? )
    Entendo... E acabou fazendo programa porque deve ter se visto num beco sem saída.


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  7. Tem mais intenções, Datenshi já é perigoso e tão novinho T^T
    Eu também acho que o Kanda não perdoaria porque ele se magoa facilmente e dificilmente se recupera de uma mágoa ( Rima dava colinho para ele se quisesse ^^")

    Eita tou vendo que a Mel soltava logo os cães, ainda bem que o Akemi e bem mais pacifico :p
    Sim foi isso mesmo, mas e o Hayato ainda vai contar tudo como foi

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  8. Olha que do jeito que as coisas andam era capaz do Kanda abrir uma exceção e aceitar o colo da Rima...

    Eu ia defender a pessoa que eu gosto, não gosto de ver ninguém maltratando meus afetos.
    Ah, sim... Queria ser ponderada como o Akemi, mas em parte meu ciúme não deixa.
    Vai ser bom saber a estória toda.

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  9. É sério? Rima ia ficar feliz, era como uma conquista *-*

    Bom eu nunca passei por semelhante por isso não sei bem como iria reagir...
    Mel é muito ciumenta, o Akemi não o costuma ser..

    Apesar que a maioria dos factos está revelada

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  10. É, porque o Kitsune também vai deixar de ser uma pessoa em que o Kanda possa confiar -.-"

    Verdade, invejo Akemi ^^"
    Hum... Então ainda ficarão detalhes para serem revelados depois.

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  11. Maldito Kitsune! O que ele vai aprontar? Olha que bato nele.....


    Eu invejo não ter conhecido ninguém como o Akemi....
    Sim claro,o Hayato ainda tem alguma coisa de interessante para contar

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    Respostas
    1. Mel eu vou ter de sair
      Beijinhos e até amanhã <3

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  12. Você vai descobrir provavelmente no próximo capítulo.

    Então, você inveja o Hayato.
    Sei que tem, com toda certeza!
    Desculpe sumir... Foi aquele velho clichê de ocuparem meu lugar no pc assim que levantei para fazer algo.
    Até amanhã!
    Boa noite, Rima-san.

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