25.9.15

Tsukiyomi no me Capítulo 34 por C.C


Capítulo 34

  Sempre que regressava à cidade era como se tudo o que passei no templo não fosse nada além de um sonho. Tudo me parecia na mesma, uma sensação de que o tempo parava enquanto estava refugiado naquela montanha.
  A reunião com a editora terminara. Era a última antes do lançamento do livro. Ainda tenho de ir até casa tratar dos pormenores finais para o cancelamento do contrato já que me vou mudar em definitivo para a vila. Isso e visitar a minha mãe, não quero que ela arranje desculpas para me seguir e acabar com a minha paz.

  Na verdade acho que paz não é bem a definição correta visto que neste momento o que eu fiz foi mais fugir.
  O pai do Tsukiyama, como havia prometido, partiu no dia seguinte e eu não só não ajudei como ainda piorei a situação. Mas isso não foi o mais grave, o que me fez fugir como o Diabo foge da cruz foi o que acontecera nessa noite.
  Três dias antes...
  A tensão podia sentir-se num raio de mais de cinquenta metros em volta do templo.
  Já que não consegui ajudar, muito pelo contrário, decidi levar uma bandeja com alguma comida até ao quarto que ninguém ousava aproximar-se.
  Bati à porta e esperei um sinal que me autorizasse a entrar. Não demorou para que a porta fosse aberta. Entrei. O Tsukiyama estava sentado a um canto da divisão, pousei a bandeja e fui até lá.
  - Posso fazer-te um pouco de companhia?
  Num movimento rápido ele agarra-me e puxa-me por um braço. Com o desequilíbrio caí de costas no chão e fui prensado pelo corpo pesado antes sentado ali ao lado.
  - Tens pena de mim?
  Não sabia o que responder. Por trás da voz fria podia perceber uma pontada de tristeza e mágoa que me fazia lembrar de uma criança abandonada. Era como se ele estivesse a viver todos os fantasmas do passado ao mesmo tempo.
  - Vais consolar-me?
  A nova pergunta que apareceu na ausência de resposta da minha parte foi como um raio na minha cabeça. Não pela questão em si mas pelo que veio com ela.
  Como se estivesse possuído por algo que só ele via, começou a desabotoar o botão das minhas calças e a afastar a camisola que eu trazia vestida deixando-me completamente exposto. Tentei pedir-lhe que parasse mas nada do que eu dizia o alcançava, apenas fazia pior.
  O meu corpo também passava a reagir contra a vontade enquanto continuava a negar. As mãos frias apalpavam cada curva do meu corpo, dando a sensação que procuravam por alguma coisa.
  Apesar de no inicio não querer, em certo ponto passei a aproveitar o momento o que se traduzia nos fracos gemidos que se formavam na minha garganta.
  Mas por muito que estivesse a sentir-me bem, depressa esse sentimento mudou. Assim que ele deslizou a mão e tocou numa das nádegas um alarme interno ativou-se na minha mente e sem medir as ações empurrei-o com todas as forças e fugi sem olhar para trás. Só tive tempo de perceber o corte no sobrolho dele ter batido contra o kotatsu instalado ao meio da divisão.
  Agora...

  Depois daquilo ainda não regressei ao templo tal como ele, pelo que a Nanami me contou num dos seus últimos telefonemas.
  Realmente, porque é que quando eu acho que as coisas estão a entrar nos eixos acaba sempre por ser o contrário. Maldito azar. Já começo a pensar que isto está mais para uma maldição do que para simples azar.
  O cheiro de bolo acabado de sair do forno chegou ao meu nariz assim que me aproximei da porta da casa dos meus pais.
  Era mesmo o que eu estava a precisar para lavar as minhas mágoas.
  Tal não foi a minha surpresa quando a porta se abriu e em vez de um dos meus pais dei de caras com o Tsukiyama-san.

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