2.10.15

Tsukiyomi no me Capítulo 35 por C.C


Capitulo 35

  Acredito que para os outros eu pudesse ser o único estranho ali mas na minha opinião eram eles que estavam loucos. Não conseguia entender porque é que se comportavam todos como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
  Eles pareciam todos amigos de longa data, ignorando completamente o facto de serem os pais de um casal homossexual sendo que um deles era até odiado pelo filho.

  Conversaram animadamente durante todo o jantar e agora a minha mãe acabara de servir o bolo e chá aproveitando para usar uma desculpa esfarrapada do tipo “a torneira está a verter” para se ausentar da sala com o meu pai.
  Fiquei sozinho com aquele homem que o meu eu mais odioso e negativo gritava ser o culpado dos meus maiores problemas no momento. Não tinha nada para lhe dizer por isso supus que tivesse sido ele a pedir aos meus pais para nos deixar a sós.
  - Peço desculpa por aparecer assim mas a minha irmã disse que seria a maneira mais rápida de te encontrar,
  Meio contrafeito pousei a caneca e encarei-o. Seria melhor enfrentar o assunto de uma vez:
  - O que quer comigo?
  - Soube que te desentendeste com o Kiritsugu.
  Os meus olhos abriram-se em espanto concentrando toda a atenção no que aquela pessoa teria para dizer:
  - Como sabe?
  - Na verdade ele procurou-me. Sim, também foi uma surpresa para mim. Conversamos durante várias horas e acho que chegamos a uma espécie de acordo.
  - Acordo?
  - Ele não me perdoou e eu também não me fiz de arrependido. Podemos dizer que vamos tentar um novo começo. Sem pressões nem expectativas afinal trinta anos de ausência não se apagam assim. Ele ofereceu-se até para conhecer as irmãs.
  Não vou negar que uma parte de mim estava incrédula e até receosa com o que ouvira mas no fundo podia sentir um grande alivio por saber que o Tsukiyama tinha conseguido aceitar e ultrapassar o peso do passado.
  - Veio até aqui só para me contar isso?
  - Não. O Kiritsugu disse-me que foi graças a ti que conseguiu tomar esta decisão. E apesar de não me ter explicado o que aconteceu pude perceber o quão arrependido e triste ele estava. Seja lá o que foi que te fez ele está arrependido.
  Engoli em seco ao recordar as últimas memórias do que se passara antes de sair do templo.
  - Arata-kun, – A voz do homem chama-me de volta à realidade. – gostas realmente do meu filho? Eu sei que já foste casado e sofreste muito com a morte da tua esposa, eu entendo perfeitamente essa dor, por isso é que faço esta pergunta. Um romance entre dois homens é muito diferente e mais complicado. E tens de ter em conta a tua posição social, sendo um escritor famoso se descobrissem que namoravas com um homem seria um escândalo.
  - Onde é que quer chegar?
  - Se por alguma razão tens dúvidas do que sentes aconselho-te a deixares o Kiritsugu em paz. Ele já sofreu que chegue nesta vida.
  Por um instante o meu ódio quase se sobrepôs à minha razão. Entendia a preocupação pelo filho mas que moral tinha ele para falar quando o causador da maior parte do sofrimento do Tsukiyama era ele? Uma coisa era perguntar outra era duvidar completamente dos meus sentimentos.
  - Acha que eu cheguei até aqui sem levar isso em conta? Desde o inicio que nada disto faz sentido. Eu amava a minha mulher, ainda amo, mas… O Tsukiyama tornou-se alguém do qual não consigo viver sem ele. Dói saber que vim embora e que o magoei. Se eu não o amasse nem sequer teria voltado àquele templo!
  Quando dei por mim estava a gritar coisas embaraçosas no meio da sala dos meus pais a um homem que mal acabara de conhecer.
  O sorriso dele brindou-me com a sensação de que tinha dito o que ele queria ouvir e mesmo os meus pais sorriam para mim da porta da cozinha em sinal de confiança.
  Pronto, eu amava o Tsukiyama e era a ele que precisava dizer isso.

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