27.2.16

Gato de Rua Capítulo 1 por Tsubasa Taiga


Eu nunca vou me apaixonar por você...

04 de janeiro
Kenma Kozume x Kuroo Testuro

...por Kenma Kozume

Depois de passar quase duas semanas em casa, sozinho, eu estou feliz por voltar a universidade. O treino de inverno é cansativo, mas mantém minha mente ocupada. Eu ainda sou um kouhai na universidade e no clube de voleibol, e como o time tem um ótimo levantador que está no 3º ano, eu ainda não joguei em nenhuma partida oficial. Não que eu me importe tanto assim com o vôlei, mas é que a adrenalina dos jogos faz com que eu me esqueça da minha vida miserável, e é o único momento em que eu não estou pensando no Daichi. “Faz duas semanas que eu não o vejo...”.


_ Todos vocês, reúnam-se. Quero que conheçam uma pessoa – ordenou o treinador.

O treinador se encaminhou ao centro da quadra acompanhado de um rapaz alto e moreno. De repente, o olhos daquele estranho se encontraram com os meus. Voltei meus olhar para o chão. Mas quando ergui novamente, ele ainda me olhava. Não... era mais do que isso. “Qual é o problema desse cara?”. Sua franja desalinhada cobria parte do seu olho direito. Mas ele claramente me encarava com aqueles olhos amarelos. Ele exalava uma presença animalesca. Parecia um tigre prestes a atacar.

_ ... ele será o novo técnico assistente do time. Essa semana ele estará observando o desempenho de vocês. Podem voltar ao treino. – disse o treinador.

Técnico assistente? Mas do que ele estava falando? Eu não ouvi metade do que o treinador disse.

_ Kenma, você fica. Vai ser o levantador no amistoso hoje à tarde. O novo assistente ficará especialmente responsável por você. Pretendo usá-lo no próximo torneio de verão. Não me decepcione. – disse o treinador. Mal terminou de falar e já passou por mim, me deixando sozinho com aquele cara.

_ Prazer em conhecê-lo, Ken...? – disse o estranho, enquanto tinha a mão estendia diante de mim.
_ Kenma Kozume – sussurrei. Eu não somente ignorei a sua mão estendida, como não olhei diretamente para ele.

Ele agarrou meu pulso e me obrigou a cumprimentá-lo. Ele apertou minha mão com muita força e abriu um largo sorriso, visivelmente irônico, e disse:
_ Me desculpe, mas não pude ouvi-lo. – seu sorriso se fechou. Ele se aproximou do meu rosto, me impedindo de desviar o olhar. – Você poderia repetir, por favor?

Não era um pedido. Havia algo de ameaçador na sua voz. A reação dele foi mais do que óbvia. Eu não mostrei o devido respeito. Eu sempre odiei hierarquia, mas não havia muita coisa a ser feita. Me resignei.

_ Kenma Kozume, prazer em conhecê-lo – repeti.
_ E...
_ Cuide de mim, senhor...técnico – não tinha emoção na minha voz. Na verdade, minha paciência estava por um fio. E eu não precisava de uma babá.
_ Qual é o meu nome?
_ O que?
_ Tenho a impressão que você não prestou atenção quando o treinador me apresentou para o time.

Sua voz era calma, mas firme. Droga, ele estava certo. Mas a culpa é toda dele. E ainda me olhava daquele jeito estranho. Eu não conseguia decifrar suas intenções.

_ Me desculpe, eu... não ouvi – admiti a contragosto.

Ele soltou uma risada e afagou minha cabeça. Eu fiquei surpreso com o gesto tão íntimo. Odiava contato físico com quem quer que fosse. Queria que ele tirasse suas mãos de mim. Pensei em me afastar, mas por alguma razão meu corpo congelou. Mas o pior ainda estava por vir. Ele aproximou seus lábios do meu ouvido.

_ Kuroo Tetsuro. – sussurrou.

Me afastei por puro reflexo. Me senti um animal acuado. O que ele está pensando? Fazer uma coisa dessas na frente do time (apesar de todos estarem absorvidos pelo treino). Ele me deu as costas e foi em direção ao outro lado da quadra. Mas depois de dois passos se virou com aquele sorriso misterioso novamente.

_ Não se preocupe, você nunca mais vai esquecer o meu nome.

O que ele quis dizer com isso? Ele ‘tá com raiva só porque eu não prestei atenção na porcaria de um nome? Fala sério. Pra começo de conversa, quem esse desgraçado pensa que é pra colocar a mão em mim? Droga.

O treino prosseguiu normalmente. As aulas foram irritantes. O almoço foi solitário (Hitoka não apareceu, como de costume). No fim da tarde, o amistoso foi acirrado. Cometi alguns erros tolos. O problema é que eu estava inquieto com a presença do Kuroo. Ele estava observando atentamente as jogadas do time. E pode ser só impressão minha, mas ele parecia olhar muito mais para mim do que pra qualquer outro. Depois do treino eu estava exausto e minha cabeça doía um pouco. Tomei uma ducha e voltei na quadra para buscar minha mochila. Já era noite e não havia quase ninguém circulando por ali. Quando passei pela porta vi a silhueta de uma pessoa escorada na parede do lado de fora.

_ Quero falar com você – disse Kuroo.
Parei e fiquei olhando para ele. Permaneci em silencio esperando ele dizer o que queria comigo. Eu realmente não estava afim de falar com ele. Minha expressão era de total apatia.

_ Amanhã, às seis horas, esteja na quadra segundaria do centro de vôlei Osuke.
_ O que? – disse surpreso.
_ A partir de agora, seu treino matutino será individual. Você tem talento, mas está longe de ser bom o suficiente. E você cometeu muitos erros idiotas no jogo de hoje. Vou supervisionar seu treino pessoalmente. Não se atrase – Kuroo terminou de falar e me deu as costas sem esperar qualquer resposta minha.
_ Ei, espera – fui atrás dele, mas me ignorou completamente – Qual é o seu problema? Eu estou falando com você.

Ele caminhava apressado em direção a saída do campus. Perdi a paciência e gritei:

_ Eu não vou.

Ele parou de uma vez e eu acabei trombando com ele. Eu teria caído no chão, não fosse o fato do Kuroo ter me segurado pelo braço. Me puxou para perto dele e enlaçou seu braço na minha cintura aproximando nossos corpos. Meu rosto ardia em chamas, enquanto ele me perfurava com o olhar.

_ O que você disse? - perguntou Kuroo num tom hostil.
_ Me solta – tentei, em vão, me desvencilhar dos seus braços, mas ele era muito mais forte do que eu – Quem diabos você pensa que é?
_ Eu? ... bem, eu sou o cara por quem você vai se apaixonar.

O que ele disse? Ainda me segurava pela cintura quando acariciou me rosto com a outra mão. Então ele se aproximou ainda mais (se é que isso era possível), e me beijou. Ele pressionou seus lábios contra os meus durante alguns segundos. Seus dedos passeavam pelo meu cabelo até encontrar minha nuca. Não consegui me soltar. Não conseguia entender. “Sua boca é macia e quente”. Mas por que eu estou pensando nisso? Tem um problema grave acontecendo agora. O empurrei com toda a força que havia me restado.

_ Mas que merda é essa? – estava furioso.
_ Calma, foi só um beijo.
_ Eu vou matar você.
_ Não vai, não. Espero por você amanhã – disse saindo.
_ Você deve ‘tá maluco se acha que eu vou, depois do que fez.
_ Eu sei que você vai.
_ Nem ferrando.
_ Não se preocupe, vou fazer você ficar louco por mim.
_ Isso nunca vai acontecer.

Houve uma pausa. Ele se virou. Seu olhar mudou. Suspirou fundo e passou a mão pelo seus cabelos. Sua franja caiu ainda mais indisciplinada sobre seu rosto.

_ Então pretende continuar do jeito que está agora? – perguntou.
_ Do que... – estava surpreso. Era como se ele soube de algo.
_ Você está feliz assim, Ken-chan?

Não sabia o que fazer. A situação era absurda demais. Ele chamava pelo meu nome como se já me conhecesse. “Ken-chan”. Por que sua voz me parece tão nostálgica? Tinha a estranha sensação de ter esquecido algo muito importante.

A pergunta me atingiu como um soco. Havia muita coisa escondida dentro de mim. Sentimentos que eu guardava profundamente. Mas aquela pergunta vinda dos lábios daquele estranho abriu a caixa de pandora. E pra minha surpresa uma lágrima se destacou dos meus olhos e escorreu vagarosamente pelo meu rosto, formando uma linha d’água. “Eu não estava feliz”. Eu fui invadido por um sentimento estranho e totalmente novo. Minha pernas falharam e eu desabei no chão. Mais lágrimas afloram dos meus olhos. Inexplicavelmente aquele homem me pareceu familiar. “Pode ser qualquer um”. Essas foram as minhas próprias palavras. E agora voltavam a minha mente, confundindo meus pensamentos. Eu não consegui segurar a dor dentro de mim.

_ Eu não estou... feliz – minha voz engasgou entre o choro.

Kuroo se agachou. Segurou meu rosto com as duas mãos e secou meus olhos com seus dedos. Tinha o olhar doce e preocupado. Sentia que conhecia aquela pessoa. Estava irritado e confuso. Mas não era capaz de reagir. Ele causava um efeito paralisante no meu corpo.

_ Eu vou fazer você feliz.

Ele apenas jogou essas palavras em mim, se levantou e foi embora. Eu permaneci ali (não me lembro por quanto tempo). Meu estômago estava revirado. Parecia estar numa montanha russa.

_ Quem, diabos, é Kuroo Tetsuro?


Minha pergunta ficou no ar. E acho que, até hoje, ela nunca foi realmente respondida.

12 comentários:

  1. Eu gostei do Tetsuro, homem decidido esse!
    Já o Kouzume parece que tem muito a desvendar

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    Respostas
    1. o Tetsuro realmente sabe o quer... tbm gosto dele

      ... o Kozume realmente tem um segredo no seu passado (mais de um, na verdade)... ele me irrita muito (estranho, fui eu quem criou ele)...rsrs...

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  2. Respostas
    1. vlw... é sempre bom saber a opinião dos leitores... eu tô amando escrever essa história

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    2. quando vc vai posta outro capitulo

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    3. boa pergunta...rsrs... eu tenho que fazer umas correções... eu corrijo e corrijo e continuo achando erro... e eu tô sem tempo, o trabalho me ocupa muito... mas até quinta eu mando.

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    4. eu to louca pra vc posta outro capitulo posta logo bjs

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    5. fico muito feliz que vc está ansiosa pela minha história... vou agilizar o mais rápido possível... acabei de chegar do seerviço... muita calma nessa hora

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    6. enviei o capitulo para a Mel... mas ela anda super ocupada e 'tá trovejando muito na cidade dela (ou seja, ela fica sem net)... mas até amanhã ou depois ela posta... eu vou revisar os outros capítulos... devo enviar mais no fim de semana... "muita hora nessa minha calma"...rsrs

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    7. obrigado ta tomara q ela não fique sem net bjs

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