18.2.16

Mel Caramelo e Chocolate Rewrite Capítulo 95 por Mel Kiryu


Capítulo 95 Abstrato como o céu, esse amor que foge ao meu alcance

      Costumavam se encontrar nos finais de semana, já que durante a semana Kitsune frequentava a escola nas proximidades de Hajiketa.
  Também haviam se encontrado no feriado do Equinócio de outono, era o segundo fim de semana do mês de outubro.
    Sempre passavam o sábado e o domingo juntos em Okami, no bangalô de Hanae.
    Contudo, naquele sábado de outubro aconteceu o inesperado.

   
__Satsuki-san! Satsu...ki...
    A voz masculina interrompeu o beijo ardoroso que trocavam na varanda de madeira dos fundos.
   Apartaram seus lábios, mas antes que pudessem se afastar Hanae percebeu que a pessoa em questão já os observava da porta que dava para os fundos do bangalô.
     Não tinha certeza se o homem tinha visto o beijo, mas de certo que havia percebido um clima insólito no ar.
__Satsuki...__ O homem disse com certa reserva.__ Entrei sem sua permissão, porque bati na porta e você não atendeu... Como vi que não estava trancada, decidi entrar.
    Hanae se ergueu calmamente, fitando o homem que conhecia das redondezas e trabalhava nas plantações de arroz da região, beirava os trinta e cinco anos.
__Honoka-san...__ Hanae o cumprimentou com uma breve reverência.__ Em que posso ser-lhe útil?
__Preciso de ajuda com um dos cavalos... Não sei bem, mas acho que foi picado por uma cobra quando eu ia com ele na direção da fazenda.
__Leve-me até o animal ferido, Honoka-san.
__Eu prendi as rédeas dele na sua cerca.__ Honoka resumiu, apontando por cima de seu ombro.
    Hanae saiu na frente e Honoka fez menção de seguí-lo, no entanto, antes de passar pela porta olhou com fria desconfiança para Kitsune ainda sentado na beira da varanda, quieto e retraído.
    Nem mesmo quando o homem sumiu pela porta Kitsune se tranquilizou, tinha gelado sobre o olhar dele e nem queria imaginar o que ele podia ter visto.
    O beijo indecente protagonizado por um ex-monge de quarenta e quatro anos e um garoto de dezessete.
     Ainda deixou o quintal dos fundos depois de algum tempo e dentro do bangalô espiou pelo canto da janela Hanae e o outro homem conversando enquanto tratavam do cavalo ferido pela picada de cobra.
    Como queria ter a habilidade de ler lábios como Kanda! Não podia ouvir sobre o que conversavam e de volta e meia o tal Honoka olhava ressabiado na direção do bangalô.
   Kitsune teve a sensação que ele sabia que estava sendo observado pelo cantinho da janela.
                                                            *******

                  Viu quando Honoka se despediu de Hanae ao segurar na aba do próprio chapéu.
         Esperou aquele homem se distanciar até que o perdesse de vista e pouco depois saiu do bangalô, enquanto se aproximava viu Hanae macerar uma erva numa cumbuca para extrair o sumo.
    O cavalo estava à sombra, sem conseguir manter-se de pé.
__Tudo bem com o cavalo?__ Kitsune indagou, chegando-se de mansinho.
__Isso veremos.__ Hanae retrucou.__ A cobra não era peçonhenta, mas ainda existe o perigo de uma infecção.
     Sentia-se inútil ao observar Hanae acalmar o animal, cuidar da perna ferida com tanto zelo, cobriu a picada com o sumo da erva macerada e mesmo a contra gosto do cavalo improvisou um curativo.
      Também não sabia com o iniciar a conversa, estava engasgado com seus próprios questionamentos, tendo a sensação que estava apenas atrapalhando.
                 No lugar certo, mas na hora errada.
         Sem conseguir se desfazer da sensação ruim que o olhar de Honoka tinha lhe deixado.
      E Hanae estava tão calado, tão compenetrado.
      Que ambos apenas tornaram a conversar um pouco mais tarde, sozinhos e dentro do bangalô.
                                                  *********
                  Caminhava para o final da tarde.
       Hanae entrou no bangalô, certificando-se que tinha trancado a porta ao passar por ela.
     Kitsune o esperava na sala conjugada com a cozinha, cabisbaixo e afundado em dúvidas.
__O cavalo vai ficar bom?__ O garoto se adiantou em perguntar, não que estivesse realmente interessado.
__Ainda não sei... Não quis comer, consegui que tomasse água.__ Hanae comentou deixando a chave num gancho preso à madeira da parede.__ Mesmo que sobreviva, deve ficar alguns dias sem se locomover.
     Nem tinha conseguido prestar a devida atenção na resposta de Hanae e acabou dizendo após um breve silêncio:
__Hanae... Quer que eu vá embora?
__Pensei que quisesse passar o fim de semana ao meu lado, Kitsune.
__E... Eu quero... Mas... Sinto que minha presença te causou problemas.
    E no que buscou coragem para erguer seu olhar percebeu que Hanae já olhava com seu jeito marcante e sua sensualidade desintencional.
    Sorrindo-lhe de leve ao se aproximar.
__Desde o início eu assumi para mim mesmo que gostar de alguém como você seria problemático... Nunca achou que pudesse ser difícil se envolver com alguém tão mais velho?
__E o que não é problemático quando se trata de amar, Hanae?
     Kitsune também ofereceu um pequeno sorriso sendo dominado pela vontade de despir Hanae daquele kimono escuro como a noite, seus pensamentos devassos causavam ardor em sua face.
            E a mão de Hanae afagando seu rosto fez sua tez tornar-se rubra.
__Não sei dizer, Kitsune... O amor nunca foi algo fácil para mim.
     Não eram palavras ditas por dizer conduzidas por um momento tocado pelo romantismo, para Hanae o amor se parecia com algo intangível que às vezes, parecia estar milagrosamente ao seu alcance, mas ao fim sempre escapava inevitável por seus dedos e se perdia subindo além das nuvens.
                  Como que se unificasse ao azul do céu.

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