2.3.16

Gato de Rua Capítulo 2 por Tsubasa Taiga


Eu vou matar kuroo tetsuro...

05 de janeiro
Kenma Kozume x Kuroo Tetsuro

...por Kenma Kozume

No dia seguinte, cheguei ao centro de vôlei Osuke às 5h30min. O sono demorou para vencer a minha inquietação. Eu acordei antes do despertador e cheguei mais cedo que o previsto (o que não faz muito sentido, já que eu não planejava ver aquele cara de novo).



_ Mas o que eu estou fazendo aqui?

Fiquei repetindo essa pergunta para mim mesmo desde que eu sai de casa. Estava sentando num banco, na entrada do centro. Tinha as pernas encolhidas e repousava minha cabeça sob os joelhos. O que eu esperava que acontecesse? Aquele cara é maluco. Eu devia matar ele pelo que ele fez. Mas como ele sabia sobre mim? Ou será que ele se aproximou sem saber que eu sou gay? Droga, droga. Nada disso interessa. Eu só não entendo porque eu estou aqui. Por que eu vim?

_ Você já ‘tá aqui... me desculpe pelo atraso, tive um problema com o carro.

Senti uma linha fria percorrer minha espinha quando ouvi o som da voz de Kuroo Tetsuro. Permaneci com o rosto enfiado nos joelhos. Percebi quando começou a se afastar e ir em direção a porta de entrada. Levantei o olhar para vislumbrar uma silhueta esguia e imponente. Tetsuro emana uma aura feroz, quase bestial. Mas eu ainda me lembro da doçura no seu olhar, na noite anterior, quando secou minhas lágrimas. Enquanto tentava, inutilmente, desvendar aquela figura curiosa, ele se virou e sorriu como uma criança inocente.

_ Ah, é mesmo. Eu esqueci. Ei, Kozume... hehe, você veio.
_ Eu vou matar você, pra valer – apesar da ameaça, faltava emoção na minha voz.
_ Sei, sei. Vamos, temos muito o que fazer daqui pra frente – Tetsuro ignorava, descaradamente, tudo o que eu falava.

Meu rosto ardia em brasa. Podia sentir minha face ruborizar com aquela afirmação audaciosa. “Esse desgraçado não tem um pingo de vergonha”. “É sério, eu ainda mato esse cara”.

As duas horas que se seguiram foram repletas de lições sobre vôlei. Eu odeio admitir, mas ele sabe apontar minhas falhas e me diz no que eu preciso melhorar com uma precisão assustadora. Diferente do que eu havia imaginado, Tetsuro estava agindo como um técnico. Me observava e me analisava friamente. “Ele não vai tentar nada?”. “E aquele papinho de ... ‘Vou fazer você se apaixonar por mim’ ... era mentira?”. Não havia aquele olhar estranho, do dia anterior. Aquela presença que me deixava inquieto. Agora, sua indiferença me perturbava de uma outra forma.

_ Por que ele ‘tá me olhando diferente? – a água escorria pelo meu corpo pequeno. O treino individual havia terminado. Estava no banho – Será que ele ficou com nojo de ter me beijado? Não pode ser, foi ele que começou tudo isso. Droga, por que isso me incomoda tanto? Eu odeio Kuroo Tetsuro. Eu, realmente, odeio aquele desgraçado por me fazer sentir assim.

“Talvez ele possa...?”. Não, isso é loucura. “Mas se for ele... quem sabe eu...?”. Não, ontem deve ter sido só uma brincadeira. “Será que ele conseguiu dormir depois do que aconteceu?”. Merda, ele parece um enigma ambulante.

Quando retornei à quadra, depois do banho, ele me esperava pacientemente.
_ Você demorou – resmungou.
_ Por que você ainda ‘tá aqui? – a rispidez na minha voz deixava transparecer minha surpresa.
_ Eu vou te levar para a Universidade – Tetsuro era tão natural que me irritava.
_ Eu vou de trem.
_ Não vai dar tempo.
_ Eu pego um táxi.
_ É um desperdício, eu estou indo para o mesmo lugar.
_ E daí? – perguntei num tom desafiador.
_ Seu pirralho, você é mesmo abusado – os olhos de Tetsuro brilhavam de raiva.

Me dirigi até a saída, deixando Tetsuro bravejar aquelas palavras atrás de mim.

_ Tudo bem. Eu vou de trem com você – Tetsuro passou por mim e lançou um olhar desafiador.
_ Já chega! – a minha paciência havia chegado no limite – O que você quer comigo?
_ Nesse momento, eu só quero que você me deixe levá-lo até a Universidade – Tetsuro respondeu de imediato, como se fosse a coisa mais natural a acontecer.
_ Mentira. Você só ‘tá me provocando.
_ Eu não estou mentido. Essa é realmente minha intenção. Mas e você... o que você quer?
_ Nada.

É claro que eu não quero nada com esse desgraçado, filho da mãe, arrogante, pretencioso. Não existe a menor possibilidade de eu queira alguma coisa com ele.

_ Bem, se essa é a verdade, então, não se preocupe. Eu não vou fazer nada. Prometo. Apenas esqueça o que aconteceu. Me desculpe – o arrependimento se refletia na sua voz.

O que? Desculpa? Só poder ser brincadeira. Quer dizer que ele ‘tá arrependido? Ele me agarra e agora volta atrás? Eu não vou deixar esse imbecil se livrar dessa tão fácil.

_ O que aconteceu não foi importante – saiu mais insensível do que eu planejava. Vi o rosto de Tetsuro se entristecer suavemente. Se eu não estivesse atento a cada expressão sua, não teria notado a diferença.
_ Então, não tem problema irmos juntos, não é?
_ Ok – sussurrei.

Não retirei o que disse, mas me arrependi das minhas palavras frias. Mas admitir não era uma opção. Eu nem conheço ele, pra começo de conversa. O trajeto foi realizado no mais absoluto silêncio. Parecia que ele ia cumprir sua promessa. Eu não sabia o motivo, mas isso estava me deixando muito zangado. Eu o olhei de relance duas vezes, mas sua atenção estava voltado para o tráfego. Ele parou no estacionamento da Universidade. Não havia ninguém. Chegamos atrasados de qualquer forma. Me sentia um pouco decepcionado. Ele não vai fazer nada mesmo? Mas que merda eu estou pensando. Eu não quero que ele faça nada. Isso é um despropósito. É só a minha carência se sobrepondo a minha razão. Mas ainda sim me irritava profundamente. Ele não precisava cumprir aquela promessa idiota. Quando abri a porta do carro, suspirei decepcionado.

_ Tsc... a culpa é sua – Tetsuro sussurrou atrás de mim.

Ele passou a mão pela minha nuca. Segurou meu rosto, fazendo meus lábios se voltarem para ele. Havia pressa no seu beijo. Sua respiração era alta. O som era tão sensual. Não é possível. “Ele ‘tá fazendo isso de novo”.

_ Você disse que não ia fazer nada – as palavras saíram no meio do beijo.
_ Eu não consegui resistir. E você parecia tão decepcionado.
_ Isso não é verdade.
_ Mentiroso.
_ Me deixa ir.
_ Você não está resistindo de verdade – Kuroo ergueu meu queixo até nossos olhares se cruzarem. Ele estava me provocando.
_ Eu odeio você – as palavras saiam erradas. Repletas de desejos ocultos.
_ Você fica lindo tentando resistir a mim – Tetsuro sorriu irônico.
_ Um dia, eu ainda mato você.
_ E vou esperar, pacientemente.

Me entreguei naquele beijo precipitado. Deixei aquele lindo estranho me conduzir para um mundo desconhecido. Kuroo Tetsuro conseguiu fazer em dois dias, o que muitas pessoas não conseguiram em anos. Não há muros entre nós dois. Ele se aproxima de mim de acordo com seu desejo. Minha vontade é desconsiderada. Ele me fazia esquecer da minha realidade. Nos seus lábios eu me sentia protegido. Como eu fui ingênuo. A realidade estava prestes a despencar sob nossas cabeças. Mas agora não importa. Eu só quero estar nos seus braços. O mundo pode esperar.

5 comentários:

  1. O Kouzume é igual a uma criança fica dizendo que não, mas quer e não larga....
    Depois desse beijo é capaz de empurrar outra vez o Tetsuro, tadinho vai ter de ter paciencia com ele

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. haja paciência para lidar com o Kozume... é possível que o Kozume o empurre de novo... ele não quer dar o braço torcer.

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