22.3.16

Gato de Rua Capítulo 5 por Tsubasa Taiga


Um novo caminho para a felicidade...

11 de janeiro
Kenma Kozume x Yachi Hitoka

...por Kenma Kozume

_ Você é idiota ou só finge?

Sem dúvida, Ya-chan carecia de um toque de delicadeza quando se dirigia a mim. A bem da verdade, ela tinha seus motivos. Eu não consigo me relacionar muito bem com quem quer que seja. E os meus sentimentos pelo Daichi já perduravam anos e parecia irremediável. Hitoka ficou feliz quando lhe falei do Tetsuro. Ela acredita ser uma oportunidade para eu me envolver, mesmo que não tenha sentimentos muito profundos, com alguém que possa me afastar do amor platônico que alimento.



Esse sentimento deixou de ser saudável a muito tempo. Eu conheço Sawamura Daichi a minha vida toda. Meu pai (Kenma Yura) e a mãe do Daichi (Sawamura Tomoyo) são amigos do tempo de colégio e frequentaram a mesma faculdade. A tia Tomoyo e o Daichi, nos visitavam regularmente. Eu vejo a tia Tomoyo como uma mãe. Minha mãe biológica me deixou com meu pai quando eu ainda era um bebê. Otou-chan não fala dela, não tem foto e fica nervoso se eu tocar no assunto. Decidi esquecer essa parte da minha vida. Existem feridas no passado do meu pai que ele não quer compartilhar, e achei melhor esperar até que ele se sinta à vontade para me contar.

Apesar da diferença de 10 anos, nós sempre nos demos bem. Daichi sempre agiu com um irmão mais velho, paciente e atencioso. Ele fazia todas as minhas vontades quando era criança. Eu fui muito mimado por ele. Mas conforme eu crescia o nosso relacionamento se tornava estranho e confuso. Quando fiz 14 anos, Daichi decidiu se casar com Shimizu Kiyoko, uma senpai que cursou Artes na mesma Universidade onde ele cursou Literatura. Meu mundo se despedaçou naquele dia. Foi quando tomei consciência dos meus sentimentos por ele. Foi nessa época também que eu fiz uma grande besteira. Que é o motivo do Daichi ter se afastado, e passado a me ignorar pelos últimos 4 anos.

Mas agora, por alguma razão que ignoro, ele se aproximou de mim novamente. Kuroo Tetsuro é responsável por tal façanha. Talvez eu esteja louco, mas me pareceu que o Daichi estava com ciúmes do Kuroo.

E no meio dessa bagunça tem uma pergunta para ser respondida. (Um pedido, na realidade). “Kozume... quer namorar comigo?”. Não consigo dizer se ele está sendo sincero. O que ele espera? Ele me fez um pedido estranho, do nada. Não podia simplesmente dizer “sim”. Não, eu não fiquei balançado com o seu pedido. Ele me irrita, isso sim. Ele faz o que bem quer sem considerar os meus sentimentos. Fica me beijando sem a minha permissão. Seus beijos são tão intensos. Como se afirmassem a posse dele sobre mim. Sinto que se me aproximar demais vou terminar preso e acorrentado a ele.

Já se passou quase uma semana do episódio no estacionamento. Depois disso, bem... nada. Isso mesmo. NADA. Absolutamente, nada. Daichi voltou a me ignorar e o Tetsuro se limitou as suas funções de treinador. Esse idiota me pede em namoro e agora finge que nada aconteceu. Foi nessa parte da história que a Ya-chan ficou furiosa comigo.

_ Você é mesmo um imbecil – Ya-chan estava mais alterada que o normal.
_ Foi ele que pediu pra gente sair... por que eu deveria procurá-lo?
_ Porque você agiu muito mal com ele semana passada.
_ Eu não fiz nada de errado – faltava convicção na minha voz – Não é como se eu devesse algum tipo de explicação pra ele.
_ Então por que você se desculpou?

Ya-chan cutucou na ferida. Ela é muito boa nisso. Nem eu sei direito porque me desculpei. Foi uma reação involuntária. Sei lá. Não sei se arrependido é o termo certo. Mas com toda certeza, a lembrança do olhar decepcionado do Tetsuro me incomoda como um louco.

_ Quando você vai começar a ser sincero consigo mesmo? – Ya-chan suspirou frustrada.
_ Não é como se eu gostasse do treinador Tetsuro.
_ Mas os sentimentos não vão surgir se você não der uma chance.
_ Não gosto como ele se aproxima de mim com tanta liberdade.
_ Mas já faz uma semana que ele não fala com você sobre isso, Kozume.
_ Ele deve ter se cansado dessa brincadeira – estava ficando irritado com aquela conversa.
_ Talvez ele esteja te dando espaço.
_ Espaço...?
_ Pra pensar... ele deve ter ficado magoado com o que você fez. Mas não é uma questão de se desculpar. Você tem que descobrir o que quer.
_ Não é tão simples...
_ EU DESISTO... – bravejou. Hitoka chegou no limite da sua paciência (que sempre foi curta, pelo menos comigo). Mas aquele papo todo já tinha levado minha paciência embora também.
_ O que você quer? Que eu fique com qualquer um?
_ Qualquer coisa. Daichi ou Tetsuro. Não importa. Apenas faça alguma coisa que você realmente queira. Saia desse seu mundinho – a raiva de Hitoka havia desaparecido da sua voz. Havia, agora, era preocupação – Não se tranque dentro de si mesmo. Você vai acabar enlouquecendo.
_ Eu não sei o que eu quero – admiti, decepcionado com a minha própria indecisão.
_ Acho que no fundo você sabe... só não quer admitir.
_ O que eu sinto pelo Daichi ainda ‘tá aqui, mas... a presença do Tetsuro me incomoda. Ele me tira a paz.
_ Não pense demais. Isso só complica tudo. E as coisas já estão muito confusas pra você ficar remoendo tudo tão minuciosamente.

Eu sei que a Hitoka tem razão. Mas existe um oceano entre eu entender o que ela diz e fazer algo a respeito.

_ Eu vou nessa, tenho que entregar um trabalho para a Kiyoko-sensei – disse Hitoka.
_ Não se aproxime demais dela – adverti.
_ Não me importo se ela fica com mulheres. Me surpreende “você” com esse preconceito.
_ Não é isso. Aquela mulher é louca.
_ Ela foi noiva do Daichi, mas romperam antes de se casar. Você diz que ela fez alguma coisa, mas não fala o que é.
_ Isso ficou no passado.
_ Kiyoko-sensei é muito gentil comigo. Eu não vou me afastar dela sem um motivo plausível.
_ Bem... a vida é sua.
_ Você fala e deixa as coisas pela metade.
_ Me desculpe... mas isso...
_ Esqueci isso... e não é a mim que você deve desculpas.

Hitoka não é uma pessoa pretensiosa, mas essa frase veio tão afiada que eu fiquei sem ação. Ela me deu as costas e desapareceu pelos corredores da Universidade. Já passava das nove horas da noite. O treino coletivo havia terminado. Será que o treinador Tetsuro foi embora? Eu preciso me desculpar. Não, isso não é verdade. Não é algo que eu precise fazer. Eu “quero” me desculpar com ele. Essa foi a primeira vez que eu priorizei os sentimentos do Tetsu. É tão estranho deixar o Daichi em segundo plano e ir em busca de outra pessoa. Mas, sem dúvida, Kuroo é minha prioridade nesse momento. Senti algo mudar dentro de mim. Minha mente, sempre preenchida pelo Daichi, agora estava absorvida pela preocupação com os sentimentos do Tetsu. Apesar de toda a confusão eu me deixei levar por aquela corrente que me arrastava em direção aqueles olhos amarelos, que me fitavam tão intensamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...