11.3.16

Kind of Blues – Episódio 6 Parte 16 (final do episódio 6) por Mel Kiryu


Kind of Blues – Episódio 6 Dois garotos com o coração pela metade
Parte 16 (por Hitaki Kiriya)

__Já de volta?
    Minha mãe franziu de leve a testa, ela regava os vasos de samambaia pendurados perto da entrada.
__Não precisei de meia hora.__ Retruquei passando por ela.
__Espera aí, Hitaki... O que foi aquilo que Satomi e você desenterraram do nosso quintal?
__Ah, claro que a senhora ficou espiando...__ Revirei os olhos.
__Mas, é evidente! Essa amizade de vocês é muito estranha.

__Foi uma brincadeira do nosso tempo de infância... Um tesouro que Satomi enterrou nesse quintal antes da nossa família se mudar para cá, foi por causa desse tesouro que nos tornamos amigos.
__Satomi é um rapaz estranho, confesso que não gosto do jeito como olha para você... Por que não quis aproveitar a meia hora que foi dada para você ter com seu amigo?
__Por que?... Mãe, parece que estou na condicional! A senhora controla até o tempo que fico no banheiro! Tudo que eu faço é motivo de desconfiança e a senhora implica com um dos únicos amigos que eu tenho!
__Isso não é verdade... Gosto daquele seu colega da escola, que você ainda não me apresentou pessoalmente, filho do Ayase-san... Como é o nome dele?
__Tsukemi?
    Saiu sem querer, não era para dizer o nome do sobrinho do Togashi. Eu me xinguei em pensamento por não ter freado minha língua, mas foi automático ao ouvir o nome falso que Togashi usava diante de meus pais: Ayase Kahani.
__Pois sim! Esse sim parece ser um rapaz de boa família, Hitaki...
__Não tem nada de errado com a família do Satomi.__ Eu interrompi minha mãe, incisivo.__ O pai dele trabalha duro numa oficina, superou o alcoolismo... O senhor Kazuo faz o melhor que pode pelo filho!
__Hitaki, não levante a voz para mim!
     Minha mãe também levantou a voz e fiquei quieto, dei as costas e entrei em casa.
     O olhar da minha mãe parecia estar me fuzilando violentamente pelas costas.
    A verdade é que eu estava péssimo mais uma vez, Satomi nem me deixou explicar e me pediu para ir embora assim que admiti ter passado dois dias ao lado de Togashi.
    Imagino que ele entendeu tudo errado.
    Queria ter dito que escolhi não ficar em definitivo com Togashi porque queria reconquistá-lo, queria ter Satomi de volta como meu namorado.
     É verdade que eu não tinha mais certeza se devíamos ficar juntos pelo o que tinha acontecido entre ele e aquele tal Takane.
    Mas, não era desse jeito que eu queria que o aniversário dele acabasse.
                               
                                                                 *****
              No sexto dia de maio, quinta feira, amanheceu um dia chuvoso.
         Ainda que eu tivesse embarcado no ônibus de costume, cheguei com a barra da calça do uniforme toda molhada, as lentes de meu óculos respingadas.
      E para variar, desencontrei de Satomi.
      Não que fosse para a gente se encontrar, o que ocorreu nos dias que se seguiram é que nos tratamos como simples amigos.
     Contudo, houve algo de especial no dia seguinte ao aniversário dele.
     Entrei na sala de aula logo que o primeiro sinal da manhã tocou e Satomi já estava em seu lugar, há três carteiras de distância de mim.
      Olhei por um momento para ele, mas Satomi parecia distraído a escrever algo em seu caderno.
       Quando voltei a atenção para a carteira que eu costumava ocupar, havia uma tigela de formato oval com tampa e debaixo dela, um bilhete.
     Ocupei meu lugar e puxei a folha de papel.

                        O amargor de ontem
                        Converte-se na doçura de hoje
                        E o hoje, mais do que o ontem
                        É tudo que nos importa
         
           Não estava assinado, mas eu tinha quase absoluta certeza que era a caligrafia de Satomi, puxei meu caderno depressa da mochila e abri naquela página em Satomi tinha escrito o trecho de uma letra de música, comparei numa olhadela o caderno e o bilhete.
     
        Nesse instante a professora do primeiro horário entrou na sala e eu tive certeza, abri só uma beira da tampa da tigela oval e vi um pedaço generoso de torta de morango.
       Sorri para mim mesmo, no dia anterior eu tinha ido embora da casa de Satomi antes de comer a torta junto com ele.
     Guardei a tigela depressa no fundo da minha mochila enquanto a professora pedia para abrirmos o livro de geografia.
      A página aberta não tinha nada a ver, eu tinha pego o livro errado.
      Arranquei um página do meu caderno, escrevi algo às pressas e dobrei em quatro partes.
      Aproveitei que a professora se virou para escrever algo na lousa e cochichei com a menina ao lado da minha carteira: "Passa para o Satomi."
     O bilhete passou pela mão de três alunos até chegar em Satomi.
     E mesmo de costas para a turma a professora reclamou dos cochichos, dei graças por ela não ter se virado, interceptado o bilhete.
     Dei outra olhada para trás, Satomi ergueu por dois segundos seu olhar na minha direção e desdobrou devagar a folha tendo as mãos sob a carteira.
    Tive que recuar o olhar assim que a professora virou na direção dos alunos e pediu atenção.
    Contudo, antes do primeiro horário terminar Satomi veio até minha carteira, me entregou uma caneta e apenas retrucou: "Acho que isso é seu."
    Não, não era minha caneta.
    Mas, o bilhete que eu tinha passado para ele havia voltado para mim enrolado nela.
    Discretamente, desenrolei o bilhete e o deixei sob meu caderno até a aula terminar.

               Enquanto um outro professor entrava na sala, ergui meu caderno, espiei o bilhete que trocamos.
                        'Quer dividir comigo o pedaço de doçura no intervalo?'

                             Era o que eu tinha escrito, tinha passado para Satomi e abaixo, sua resposta:

                                             'Só se esse for o capítulo de uma nova história para nós dois.'

       (Fim do episódio 6)                            

10 comentários:

  1. Opa! Que momento fofo >o< Depois de tantos momentos amargos, nada como um pouco de doçura para amenizar as coisas... Pelo que percebo Satomi vai seguir os conselhos do pai! Será que toma jeito agora? Rsrsrsrsr

    Tô sambando com a chegada do final de semana... Vou poder colocar as estórias em dia ⌒.⌒

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    1. Sim, é verdade... Eu não podia deixar que o episódio 16 terminasse tão amargo.(Muito embora não consegui dar um final satisfatório a parte 1 e 2 da estória do Segundo Anjo)
      Acho que aos poucos é bem capaz do Satomi surpreender...

      É bom, né? Também amo finais de semana. :)

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  2. ahhhhhhhhhhhhh socorro!!!!! que capítulo mais amor, eu to pulando aqui hjshsjs Satomi tá realmente tentando, isso é tão admirável. Espero que não só essa parte da vida dele, mas que ela como um todo, melhore. muito lindo, capítulo do amô

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    Respostas
    1. Rsrsr... Que animação, Torie. ^^"
      Foi sim um capítulo muito doce de escrever!
      Espero poder mais capítulos desse tipo para vocês.

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  3. Ficou muito bom o capítulo, apesar de bilhetes serem meio bregas, até que esses ficaram fofos.

    Mas mais importante: Feliz Aniversário ♡ tudo de bom hoje e sempre :3 que você tenha muita comida, muito Yaoi e muita criatividade pra escrever :3
    Bjss

    Ps: dai a idiota vai la e erra a data xD. Se nao for seu aniversario só ignora

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    1. O amor é brega, Flavinha... Nos torna bobos. ^^"
      E dentro da sala de aula, nada como se valer do bom e velho bilhete.

      Oh, sim! É meu aniversário :D
      Obrigada pela lembrança! (Apesar de que eu nunca lembro do seu aniversário, o que me torna uma amiga horrível)
      *Mel abraçando bem apertado a Flavinha*

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  4. Olá Mel (outra vez :3)
    Eu só consegui ler esse capitulo agora.... deve ser dos capitulos mais fofos até agora.
    Se um novo capitulo começar que seja doce mesmo :)

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  5. Oi, Rima (de novo!)
    Será que foi? Ao menos não teve muita confusão e mal entendido.
    Tem muito a acontecer na parte 7.

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  6. Não teve não e o Satomi se mostrou que se estava enforçando do seu jeitinho juvenil ^^"
    Ah imaginei que fosse dizr, se tem muita coisa para acontecer, vou ter muito que ler :p

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  7. Acho que esse jeitinho juvenil do Satomi não desaparece tão cedo, mesmo mais para frente.
    Sem dúvida.

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