4.3.16

Mel Caramelo e Chocolate Rewrite Capítulo 97 por Mel Kiryu


Capítulo 97 Um reviravolta no plano dessa confusa existência

     Ainda sentado, se abaixou depressa para apanhar o lápis que tinha caído.
    Kojiro se agachou ao mesmo tempo e lhe sorriu, alcançando o lápis primeiro.
__É alguém que você conhece?
     Foi o que Kojiro perguntou logo que tornou a se erguer.
__Como?...__ Kitsune a fitou tímido, distraído enquanto ela deixava o lápis entre seus dedos.
__Me refiro ao desenho no seu caderno, Kitsune.
__Ah, não... Ninguém... Só estava desenhando para matar o tempo vago.
__Está gostando da escola do interior?
__É legal...

    E Kitsune o disse tomado pelo desânimo, batendo com a borracha na extremidade do lápis no caderno.
__Não é tão divertido agora que você e Kanda não estão mais namorando?
__Kojiro... Você realmente me detesta, não é?
__Claro que não, Kitsune!__ Ela replicou franzindo o cenho.__ Gostei de você desde o início... Mas, Kanda te conquistou primeiro e mal deixava que eu me aproximasse de você.
__Ah, 'tá...__ Kitsune olhou de soslaio para Kojiro.__ Foi por isso que você fez questão de contar para todo vilarejo sobre o beijo que troquei com Kanda na Estação?
__Ficou zangado por isso? Realmente?__ Ela deu os ombros, surpresa.__ Se eu não contasse, outra pessoa do vilarejo contaria... Não queria que soubessem dessa sua faceta homossexual? Então, não deviam ter se beijado em público.
__Não vem me dizer isso agora... Nem minha avó veio com discurso moralista! Que saco, Kojiro...
__Deixa disso... Não me aproximei com essa intenção.__ Kojiro sorriu mais suave.__ Nem acredito que você seja realmente gay... Ainda está me tempo de provar o contrário, Kitsune.
   A mão de Kojiro tocou as costas das sua fechada sobre o caderno e os dois trocaram olhares.
__Provar para quem?__ Kitsune questionou como se fosse uma sugestão sem cabimento.__ Suponho que as pessoas já tenham uma opinião formada sobre o assunto... Eu cansei de ver os olhares de não-aceitação.
     Kojiro se inclinou um pouco, apoiou o dedo indicador debaixo do queixo de Kitsune a fitá-lo bem de perto.
__Prove a si mesmo, Kitsune... Prove o sabor de uma garota e descubra as possibilidades.
    Estava irritado, embora não demonstrasse e segurou na mão dela porque não queria mais que Kojiro tocasse em seu queixo.
__Pode ser que eu prove... Só que eu não gosto de você, Kojiro.
    O sorriso dela se desfez ainda quando se olhavam próximos, uns meninos entraram conversando aos risos na sala e Kojiro se afastou, indo sentar-se em sua carteira do outro lado da sala.
                               Tremendamente séria.
      Sem mais olhar para Kojiro, tornou a abrir seu caderno na página que estava, onde tinha feito aquele desenho inacabado de Hanae.
                                                            *********

            Dois dias depois
                 Sexta-feira

      Após o término das aulas, nunca embarcava na mesma condução que Kanda pegava na volta para casa.
    Já sabia que ele ia para casa sozinho, já que Datenshi trabalhava também no turno da tarde como zelador na escola.
     De modo que todo dia, quando o sinal informando a saída batia, Kitsune esperava todos saírem de sua sala e aguardava alguns minutos até pegar o próximo ônibus para casa.
    Naquele dia estava arrumando o material na mochila, quando percebeu que havia um pequeno pacote sobre um de seus livros na parte debaixo da carteira que ocupava.
    Antes de segurar o pacote, algo embrulhado em barbante e papel de arroz, olhou para os lados e verificou que não havia mais ninguém na sala.
   Ninguém além do professor da última aula naquele dia, distraído com os trabalhos entregues pela turma.
    Tomou para si aquele pacote, arrebentou o barbante e com ligeiro assombro constatou que se tratava de seu celular e que havia um bilhete em torno dele.
   Deixou o celular sobre o livro e abriu o bilhete escrito numa folha de caderno.
   
          "Me encontre no coreto próximo ao bosque, dez minutos após o soar do sinal da saída.
           Datenshi"

      A caligrafia descuidada e apressada cortava o papel e Kitsune sentia-se algo estarrecido por Datenshi ter percebido que todos os dias deixava a escola cerca de dez minutos depois do sinal da saída soar.
     Ele andara observando seus passos durante todos esses dias?
      Um alvoroço interior ressecava sua garganta, acabou de guardar o livro que faltava na mochila, agarrou seu celular e o bilhete meio amassado por seus dedos.
      Esbarrou descuidado numa carteira vazia e apenas ouviu o professor retrucar: "Cuidado aí..."
      As palavras passaram quase despercebidas.
      Cuidado... Cuidado...
      Suas pernas corriam com o vento.
      Tinham desaprendido a ter cuidado a partir do segundo que a mente estarrecida havia sido arrebatada pelo coração em desatino.

           

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