13.3.16

Mel Caramelo e Chocolate Rewrite Capítulo 98 por Mel Kiryu


Capítulo 98
Quando a boca não consegue dizer o que o coração sente,
o melhor é deixar a boca sentir o que o coração diz.*

        Avistou Datenshi antes que chegasse ao coreto e o seguiu até o bosque.
            Quando o alcançou, não se olharam de frente.
         Kitsune encostou suas costas, o agasalho do uniforme contra o tronco de uma árvore antiga tendo a sua mochila pendurada em um dos ombros, sabendo que Datenshi estava também recostado contra o outro lado do tronco.

              Sem se falarem por quase dois meses.
__Foi mal só devolver seu celular agora, cara.__ Datenshi falou de súbito, interrompendo o barulho do vento nas folhagens.__ Tinha parado de funcionar depois que Kanda o atirou contra a parede, eu enviei por correio para minha mãe e pedi que ela o levasse para uma autorizada na Capital... Só que ela custou a me enviar de volta.
    Kitsune suspirou profundamente depois de ouvir a voz de Datenshi, encarando seu celular entre seus dedos, o bilhete quase rasgando entre seus dedos.
__Não precisava ter tido todo esse trabalho, Datenshi...__ Kitsune retrucou tristonho.__ Tenho conversado com meus pais pelo telefone de casa da minha avó... Não precisei mais do celular depois que... Você sabe... Kanda decidiu terminar comigo.
__Precisava sim, merda!__ Datenshi riu.__ De que outro modo você toparia encontrar comigo?
__Está dizendo que... Toda vez que a gente se esbarrava no mercado... E você sorria... Era porque tinha algo para me dizer?
__Eu estou com saudades, ora... Muita saudade.
             E Datenshi disse ao seu modo descomplicado, com aquele sorriso na voz quente e despreocupada que despertava uma alegria insensata no coração de Kitsune.
__Como você está... Hum?__ Datenshi indagou, louco para dar uma espiada em Kitsune no outro lado do tronco.
__Eu?...__ Kitsune engoliu um bolo de saliva ainda encarando o celular, afinal... Quantas lembranças a cerca do verão ele lhe trazia!__ Tem umas semanas que tenho encontrado com Hanae... Nós dois estamos juntos...
     Pensou em mentir, mas do que adiantava?
   Não devia nada a Datenshi, já que ele mesmo tinha decidido se afastar por causa da resolução de Kanda, o término da relação à três que tinham.
__Tipo amantes?__ Datenshi perguntou tendo a voz neutra de qualquer sentimento.
__Tipo namorados... Que só conseguem se ver duas vezes na semana e o resto do mundo não pode saber.
__Fica triste por causa disso? Amar alguém, em segredo ou não... É um motivo de alegria.
     Havia um frescor único na voz de Datenshi, não entendia essa sinceridade indestrutível, essa firmeza incansável.
    Detalhes de um caráter que provocavam genuína devoção em Kitsune, o motivo de tamanha admiração é que sabia que podia viver por dez mil anos que nunca seria como Datenshi.
__Não se cansa dessa vida cheia de segredos?
__É a minha vida, a única que eu tenho.__ Datenshi apoiou a sola de um dos sapatos no tronco.__ O único problema é que tentei ser cúmplice da vontade de Kanda... Mas, eu não consigo te esquecer, Kitsune.
    E tendo o dito, a mão de Datenshi alcançou a de Kitsune do outro lado do tronco e segurou forte e carinhosamente seus dedos.
__Então... Kanda não sabe que estamos tendo essa conversa, né? Está correndo o risco de brigar com seu irmão por minha causa...
    Ia dizer: "Querendo ou não, acabou Datenshi...", mas nem deu tempo. Ele se virou para seu lado do tronco, suas mãos unidas e seus olhos colidiram experimentando uma atração fulminante e repentina, quase esquecida.
__Seu tapado... Já me convenci que corro todos os riscos quando se trata de você.
    Seus olhos se alternaram entre o sorriso maroto e o olhar escuro salpicado de minúsculas estrelas de Datenshi, o cabelo cor de chocolate tinha crescido e já não tinha um aspecto tão bagunçado, sendo sacudido suavemente em torno de sua face.
    A boca de Datenshi se precipitou sobre a sua, no entanto seus lábios não se tocaram de imediato. Um clima inevitável pairava entre eles sob aquela árvore antiga e de comum acordo suas bocas terminaram se embolando num beijo como se provassem dos lábios um do outro e se embriagassem nesse sabor.
    Embora o fulgor do beijo acendesse todos os seus sentidos, Kitsune foi quem interrompeu o gesto carregado de paixão.
    A boca de Datenshi beijou seu queixo, relutante em desistir do toque.
__Datenshi... Eu quero tentar ter uma vida com Hanae.
__Descobriu o que sente por ele?__ Datenshi perguntou sem desviar seu olhar dotado de um brilho ardente, suas mãos vigorosamente unidas.
__Não muito, mas... Sei que eu gosto muito do Hanae e eu não quero mais magoar quem me aceita apesar da minha estupidez.
__Se você quer assim... Fique sabendo que eu não deixei de ser seu amigo, Kitsune.
    Datenshi riu e fechou o punho fingindo acertar um soco no queixo de Kitsune em câmera lenta.
  Logo depois apenas fez menção de se afastar, ir-se para voltar para seu trabalho de zelador na escola.
   Ouvia a sola do sapato dele pisar nas folhas secas do chão terroso do bosque, a se distanciar.
__Datenshi...
__Hum?__ Ele mirou-se em Kitsune por cima de seu ombro.__ Diga.
__Kanda ainda está muito furioso comigo?
__Ele não menciona seu nome... Desde que terminaram.
    Kitsune apenas gesticulou com a cabeça e Datenshi lhe ofereceu um último sorriso antes de dar-lhe as costas e sumir entre as árvores do bosque que começavam a ficar desnudas de suas folhas...


Nota da autora: *Citação de Shakespeare


2 comentários:

  1. Eu pensei que isso ainda fosse acabar mais quente! Foi um alivio saber que não.... Kitsune dessa vez mostrou estar um pouco mais homenzinho e não se deixou levar... subiu meio ponto na minha consideração XD

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  2. Acho que o Kitsune virou um "gato escaldado", fez tanta bobagem e sentiu o peso delas, é normal não tentar cair no mesmo erro.
    Nossa... Mas, só subiu meio ponto? Rsrs... Coitado.

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