28.3.16

Sight of Sea Capítulo XXV por Kisu


Capítulo XXV - Entropia

           Kyle me puxou pela mão, me atirando cachoeira abaixo e no que caí na água, me debati buscando respirar de qualquer maneira enquanto meu corpo era puxado pelo próprio peso para o fundo.
          Não demorou muito e Kyle pulou na água.
Me agarrei a ele na tentativa desesperada de me salvar tão logo se aproximou. Minha garganta e narinas ardiam e não sabia se tossia sem parar ou se recuperava o fôlego. Quando voltei aos meus sentidos, vi que meus braços envolviam seus ombros tão forte que fiquei constrangido por me agarrar a ele em sua plena nudeza.

         O silêncio que nos rondava não demorou a ser quebrado, não veio de minha parte e também não era para aclarar a qualquer uma das milhares de dúvidas que me angustiavam.
- A essa altura, deve ter sua resposta, cão sarnento.
Abri a boca para falar, mas baixei a face. Era preferível ficar calado e nisso percebi que não tinha mais certeza de minha própria decisão e novamente a incerteza me rondava impiedosa.
       Ele me afastou por um instante e me soltou. Tornei a afundar e engolir mais um bocado de água antes que ele me puxasse sem fôlego e desorientado para a superfície.
         Olhei para sua face e pela primeira vez desde que o conheci, senti um medo insano percorrer todo meu corpo a ponto de tremer convulsivamente mais do que quando trocamos golpes de espada, mais do que no Túmulo da Sereia, mais do que em qualquer outra ocasião, antes ou até mesmo depois de conhecê-lo. Me sentia em pânico, cada parte de meu ser gritando, berrando, fazendo um show de horrores em minha cabeça para que eu fugisse.
         Por outro lado, no exterior, aquela quietude e calmaria que continuavam a transparecer e me deixavam sem ação não eram o que representavam. Ele era ainda mais perigoso quando estava com essa expressão, porque me remetia ao rei quando tomava uma decisão de que não voltaria atrás. Justamente essa mesma face que devia ocultar tanto outrora, agora me mostrava sem a menor sombra de dúvidas que Kyle estava pronto para terminar tudo de uma vez por todas dependendo da minha resposta e, de uma vez por todas significava que, ou eu concordava, ou eu morreria aqui e agora por suas próprias mãos.
          Meu corpo gelou e ainda assim continuei a tremer e bater queixo com ódio mesclado à vontade de chorar, gritar, brigar ou o que quer que fosse, ao ponto de até minha fome haver se perdido em algum momento na avalanche de sentimentos incertos que se passava dentro de mim.
- Pode ter minha obediência, meu corpo e até minha alma, seja lá o que for - grunhi com a voz falhando. - Mas algum dia, vou fazer você se arrepender por tudo que está me fazen…
       Nem bem terminei de falar, sua boca cobriu a minha com afinco desmedido e sua língua logo encontrou a minha, percorrendo cada canto de minha boca sem pedir permissão.
      Seus braços que antes mal me seguravam, me envolveram com força e senti nossos corpos cortando a água juntos conforme Kyle nos levava a algum lugar mais fundo até que senti minhas costas tocarem em algo sólido e no minuto seguinte, me vi sentado numa rocha parecida com um pequeno tablado levemente encoberta pela água.
       Me arrastei, procurando me afastar de Kyle, mas não havia para onde fugir mesmo que eu quisesse. Ele me puxou sem cuidado pelo calcanhar em sua direção, sua face se aproximou devagar e tornamos a nos beijar.
        Nossas línguas se entrelaçavam em meio à saliva quente e sentia leves arrepios conforme seus dedos frios pela temperatura da água subiam por dentro de minha camisa, acariciando a pele e me fazendo soltar alguns gemidos. Seu toque vigoroso depois de um tempo se tornou tão quente em contraposição à temperatura ambiente de frescor da água que meu corpo parecia queimar onde ele tocava.
          O barulho da água, o som de nossas respirações entrecortadas e aquele frio do vento, tudo mexia comigo, mas não havia lugar algum para esconder minha vergonha que crescia a cada vez que olhava seu corpo nu, agora já não mais uma distante visão inserta em meio à paisagem.
Seu corpo estava tão próximo que a qualquer movimento podia sentir sua pele e era ele que, por mais uma vez, fazia com que eu me sentisse pegando fogo por dentro a cada toque. Sua face se aproximou da minha, mas virei o rosto. Não queria encará-lo e tinha raiva por me sentir repleto de desejos carnais.
         Ele segurou com força em minha face, me forçando a ter o rosto voltado para si e no que seu rosto se aproximou do meu prestes a me beijar, ele chegou os lábios rente a meu ouvido e disse:
- Do que tanto tens vergonha se não passas de um cão ganindo por minha atenção a cada vez que me olha de longe? - falou sisudo, seu hálito morno me provocando arrepios na pele e ainda assim tentei novamente afastá-lo sem evidente sucesso.
       Suas mãos correram numa carícia por minhas nádegas quando ele puxou minhas calças antes de tocar meu membro. Cerrei os dentes, mas não consegui reprimir um gemido e aquela sensação crescente de prazer que me deixava doido conforme suas mãos desciam e subiam por todo meu pênis duro.
- Kyl… pár… pára… vou… ah… ahhh - minha voz saía toda entrecortada e nem eu compreendia o que tentava dizer com tantos gemidos.
        Ele parou antes que eu gozasse e abriu minhas pernas após me deitar ainda na pedra, a água envolvendo o contorno de meu corpo, mas a essa altura meu coração batia descompassado já há muito tempo.
- Espera - corri a dizer afoito, levando minha mão a seu peitoral, porque eu sabia o que viria a seguir, mas não sei o que me deu, eu simplesmente fiquei sem reação e sem saber o que fazer quando me peguei inesperadamente ouvindo as batidas agitadas de seu coração através de meus dedos ainda a repousarem sobre seu peitoral.
      Sua respiração também estava ofegante e só então notei que havia algumas marcas de arranhões que eu devia ter causado, mas da parte dele não veio nenhuma reclamação.
      Como se estivesse em transe, sua mão segurou a minha e foi encaminhando-a por sua pele de forma que descesse tocando sua barriga, passando pelo pequena cicatriz que eu fiz para remover o veneno da sereia e logo chegando ao seu pênis e senti o pudor tomando meus sentidos ao ter seu membro duro em meus dedos.
- Era isso que ansiava de mim sempre que me observava em segredo, não? - Kyle disse quase como se segredasse enquanto segurava minha mão, fazendo como que meus dedos trêmulos percorressem toda a extensão de seu pênis e só pude ficar em choque pela vergonha e por saber que eu estava excitado apenas por sentir que ele estava tão duro quanto eu.
        O som da água não era alto, mas estava tão absorto que não sei se ouvi ele soltando um gemido ou se era impressão.
       Ele juntou meu pênis ao seu e aquilo virou uma confusão de mãos descendo e subindo enquanto nos masturbávamos mutuamente.
        Minha cabeça girava e não sabia mais o que estava fazendo quando minha mão livre subiu percorrendo sua pele até alcançar seu queixo e pude sentir sua barba rala pinicando. Estava mais curta do que antes de ficarmos presos nessa ilha e apenas agora me dava conta desse detalhe.
        Nossos corpos se entrelaçaram e nos beijamos com vontade. Gemidos se misturavam aos estalidos dos beijos e eu remexia as pernas inquieto até que gozamos.
        Me sentia fraco, sem forças e sem vontade aparente de resistir quando seu toque abandonou minha mão suja de sêmen e ele tocou como que curioso um arranhão que eu só soube que tinha na têmpora pela dor do contato com seus dedos que deslizavam por sobre o machucado.
        Ainda como que enfeitiçado por aqueles olhos cinzas de que ele tanto desgostava, o puxei pela nuca à procura de seus lábios.
        Em meio ao beijo, não percebi quando ele tirou meus dedos tensos de seu pênis, apenas soube que não o tocava mais obviamente no que ele me penetrou de repente e soltei um grito de dor antes de cravar as unhas em suas costas com cada vez mais força conforme as estocadas ficavam mais fortes e rápidas.
         Sua mão pegou por debaixo de minha coxa e elevou minha perna ainda sem parar as estocadas e logo o prazer me consumia como um todo, imaginando o membro que antes eu tocava agora inteiro dentro de mim e me impregnando de deleite junto daquele som sem ritmo da água e do barulhinho da penetração a cada vez que nossos corpos se engatavam mais.
          Minhas mãos percorriam suas costas sem direção evidente e em algum momento sua trança se desfez e suas longas madeixas ruivas caíram por sua face enquanto outras escorriam por seu corpo e aquilo me deixava mais excitado a ponto de puxar Kyle cada vez para mais perto sempre que os gemidos escapavam.
        Atingimos o clímax e viemos juntos. Sentia seu membro ainda me invadindo quando o abracei e escondi minha face em seu tórax. Tive vontade de chorar, meu coração se quebrava pedaço por pedaço no que ficava mais claro para mim que tudo era tão frágil e simples. Eu não sabia mais de nada. Não tinha a menor noção do que eu era para o Kyle ou mesmo se eu era algo a mais, mas por dentro ainda me pegava a pensar que não era mais do que seria uma prostituta para ele e mesmo assim, doía ter ciência de meus sentimentos.
           No momento em que ouvi seu coração batendo tão acelerado quanto o meu, soube que sentimento era aquele que me atormentava, que me deixava inquieto, intrigado, curioso, irritado e por vezes com um aperto doloroso no peito. E quando senti ele tão duro de excitação por mim, não pude evitar de me sentir feliz e de uma parte de mim querer se entregar em sua totalidade como se não houvesse amanhã.
       Não sabia como ou por que, mas tudo de que tinha certeza era de que o amava, mas que ele não me veria da mesma forma…
         Era a única explicação palpável para que houvesse sentido em não sentir repulsa como da primeira vez que ele me assediou, para que eu estivesse tão inquieto nos últimos dias e para que meus olhos sempre o procurassem com ansiedade… Mas… tantas pessoas e de todas, eu fui me apaixonar por alguém que não me queria, que fazia o que bem entende comigo conforme seus caprichos…
        Eu devia estar virando um masoquista ou no mínimo tinha um gosto incomum por sofrimento. Porém, não queria ser mais um, não queria ser um substituto. Queria ter toda a sua atenção voltada para mim e por isso me irritava e magoava tanto saber que tinha ciúmes por seu amor ser de Cameron cujo corpo jazia frio em comparação ao corpo de Kyle me envolvendo tão quente pelo sangue ainda a correr acelerado.
         Kyle continuava deslizando os dedos numa carícia suave em meu corpo. Não estava tão exausto nem nada, mas no que senti ele resvalando algo sólido e frio sobre a marca de queimadura que ele mesmo me dera há algum tempo na ferraria, senti uma queimação forte que irradiava pelo restante do corpo e veio seguida de uma forte pontada de dor de cabeça, como se algo ou alguém tocasse trompas em minha cabeça.
       Cerrei os olhos com força e tentei levar a mão à cabeça, mas Kyle prendeu meus braços, ou melhor, meu corpo como um todo de modo tão forte que não conseguia mover um músculo. Era como se eu estivesse num daqueles pesadelos em que se acorda, mas seu corpo não se move, sua voz não sai e então algo ressoou em minha cabeça em forma de palavras que eram proferidas por uma voz que nunca havia escutado. Então, veio em seguida uma imagem de Kyle segurando um cordão enquanto falava com uma bela mulher de longas vestes verde-musgo no que parecia o interior de uma casa ou cabana de madeira bem velha e desgastada, repleta de antiguidades, livros e artefatos estranhos, mas que logo sumiram assim que eu perdi a consciência, deixando apenas aquelas palavras que soavam numa tonalidade como se a voz feminina sorrisse enquanto dizia “desejo aceito”.

4 comentários:

  1. bom dia Kisu o capitulo ficou maravilhoso, ja estava ansiosa pra continuar a ler.obrigada

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  2. A última parte deixou me curiosa... Mas de um jeitinho só deles ate parece que agora eles se estão entendendo *.* finalmente

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  3. Não sei se estão realmente se entendendo porque o Kyle é imprevisível... Mas, foi um capítulo muito quente de todo jeito, um dos melhores até agora. *-*

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    1. Foi sim a Kisu já me tinha deixado com a pulga atrás da orelha..é assim é difícil os imaginar juntos sem discussões mas nada é impossível :p

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