22.6.16

Sight of Sea Capítulo XXVII por Kisu


Capítulo XXVII - My Fears, My Solitude… These Feelings Just Make Me Desire You Way Too Much so I Can’t Help Myself

         Meus olhos doíam de tanto chorar. Devia estar sonhando que alguém me chamava. Forcei a ignorar aquela voz, aquele som que não me deixava repousar, mas que parecia me tragar para a realidade cada vez mais.
       Meu ser por inteiro ficou em alerta quando caí de cara na areia depois de ser chutado.
“Espera, chutado?” pensei me forçando a virar o corpo e olhar para a direção de onde viera o chute após passar as mãos na face. Minha vista turva pelo cansaço se desembaçava aos poucos até que a figura diante de mim tomou forma e cor nítidas.
- Até quando pretende dormir, cão sarnento? - perguntou irritadiço com aquele tom que me era tão familiar e que fazia com que os últimos dias em sua ausência parecessem tão remotos.
         Vi Kyle atirar uma pedra irritado nas folhagens, causando um rápido e inconsistente balançar das folhas que se repercutiu floresta adentro, como se algo fugisse.
          Ele ainda reclamava enquanto apagava com alguns pisões a lareira improvisada após pegar sua espada recostada à árvore, mas eu não discernia suas palavras enquanto olhava sua boca se abrindo e fechando, proferindo palavras em meio às madeixas ruivas trançadas, levemente escondidas pelo chapéu de aparência nova assim como as roupas que ele trajava, com exceção das botas.
        Ele chegou mesmo a falar algo olhando diretamente para mim, contudo, meu olhar estava tão fixo nele, como se eu não pudesse acreditar, como se não passasse de uma miragem de um oásis longínquo.

        Assim que ele começou a se afastar, senti uma urgência tomar conta de meu ser. Se não era mais um sonho, se era de carne e osso, não queria tê-lo fora de minhas vistas, não queria deixá-lo se distanciar novamente, caso contrário, poderia perdê-lo.
         Meu corpo ainda dormente pelo sono se ergueu num impulso inconsciente e antes que desse por mim, o abracei por trás e enfiei o rosto em suas costas, sorvendo daquele odor que lhe era próprio e que de que tanto sentia falta…
     Aquele cheiro, calor e sensação de seu corpo. Ah… eram o mesmo do seu sobretudo que eu vestia, porém eram mais vívidos.
Era ele mesmo.
- Você voltou… - choraminguei. - Por quê?
        Ele se deteve imóvel em meus braços e eu não conseguia evitar de soluçar sem crer que aquilo era real.
- Kyle… Kyle… - meus dedos se embrenhavam em sua camisa. Não soltaria.

         “Era sempre assim, quando eu menos esperava, ele corria a me salvar” pensei, cerrando os dentes na angústia de cessar o choro quando fui pego desprevenido numa cotovelada na costela e me agachei sufocando pela dor enquanto apalpava o local, contudo, sem soltar a roupa de Kyle por completo.
    Ele se livrou de meu toque e me puxou as madeixas com força, me perfurando com seu olhar frio.
- Recomponha-se, seu vira-lata - resmungou entredentes.
     Por um minuto, olhei em seu rosto e fiquei sem palavras. Havia algo de diferente nele, como se estivesse faltando uma parte de quem ele era, mas eu não sabia exatamente o que faltava.
         Ele me soltou sem cuidado e caí sentado na areia.
        Ainda tentava ordenar meus pensamentos, porém ele já estava distante caminhando pela praia quando me pus a segui-lo, embora ainda sentisse dores no tórax. A visão de suas costas me acalmava, porém, ao mesmo tempo me deixava apreensivo, pois sentia que nunca o alcançaria, nunca seria visto como um igual por ele por mais que desse um, dois, dez passos!
Não caminhamos por muito tempo e logo avistei um bote. Assim que o colocamos na água, Kyle se acomodou próximo ao banco de popa e cobriu a face com o chapéu.
- Para onde? - perguntei cabisbaixo.
         Ele não precisava dizer nada para eu entender que teria que fazer o trabalho pesado, mas não ousei reclamar. No fundo, me sentia aquecido, preenchido de um sentimento bom ainda que Kyle parecesse irritado.
- Para o norte e a corrente fará o resto - balbuciou.
          O sol ainda não estava muito forte, mas tirei seu sobretudo e me pus a remar no sentido que ele dissera depois de me embolar até conseguir certa prática com os remos. Kyle não proferiu mais uma palavra.
       Duas ou três horas se passaram pela posição do sol já alto no céu desprovido de nuvens. Meus braços doíam e me permiti descansar por alguns minutos depois de limpar o suor do rosto com as costas da mão.
       O Kyle não reclamou, então devia estar dormindo e aquilo mexeu comigo, porque me senti culpado por pensar que ele não se importava quando em verdade se dera ao trabalho de remar por horas para me buscar.
- Desculpe por ter duvidado de você…
“Acreditei que houvesse me abandonado para morrer…” completei em pensamento.
E no que desabafei, sabendo que ele não estava ouvindo uma palavra sequer, me senti impelido a prosseguir.
- Não era de meu feitio ser assim até ser levado a morar no palácio quando completei dez anos… - queria continuar, mas minha garganta secou, não conseguia falar sobre quem eu era antes de viver no palácio e passava a entender o quão duro devia ter sido para o Kyle contar sobre seu passado, o qual o meu jamais chegaria aos pés…
         Mordi o lábio… Eu realmente queria que tivéssemos nos conhecido quando jovens… Talvez tivéssemos nos tornado bons amigos e assim eu não teria esse sentimento de amor por ele…
O perigo, a carência, a necessidade… Tudo isso mexia comigo de tamanha forma que era inevitável não me sentir atraído por ele…
       “Me pergunto quantos anos eu tinha quando ele se alistou para a corsa real…” pensei tornando a remar, contudo, sem conseguir tirar meus olhos do Kyle.

                                                             ≈ ≈ ≈ ≈ ≈

            Tomamos uma trilha de terra batida após chegarmos à terra firme, mas antes, Kyle me entregou uma capa com capuz sobre a qual estava deitado no barco e vestiu uma igual. Achei que fossem panos quaisquer quando as vi no início, pois estavam surradas até a alma, de sorte que só pude pensar que ele havia roubado de alguém.
        Mal terminei de me ajeitar, ele amarrou nossos punhos com uma corda e não evitei de soltar um “ai!” no que ele apertou demais sem se importar.
        O nó em meu punho direito se conectava ao dele por uma estreita linha de corda pendendo e balançando de um lado a outro.
- Não ouse dizer uma palavra, não reaja ou fale. Sequer ouse retirar o capuz! Grave minhas palavras nesse seu amontoado de minhocas caso não queira se ver comigo! - ameaçou incrédulo, deslizando as pontas dos dedos numa leve pressão em meu pescoço.
       Dei um leve aceno de cabeça na medida do possível, sem questionar seus motivos ou mesmo o porquê dele deixar o pequeno barco na praia quando nos pusemos a andar.
        Era complicado enxergar com a visão reduzida pelo capuz e estava cansado após remar por horas afins, mas prossegui quase sendo arrastado por ele e sua passada rápida.
No caminho, não havia o menor sinal de qualquer pessoa, mas o que me deixava mais angustiado era não poder ver os traços do corpo do Kyle ou mesmo sua face ou a expressão que ele devia estar fazendo enquanto andava.
          Queria saber no que ele pensava em todo seu silêncio.
        Minha visão se resumia a alguns palmos de terra à frente de meus pés e de vez em quando a um breve relance da mão de Kyle…
Inconscientemente, levei minha mão ligada à dele pela corda a segurar a sua, contudo, antes que pudesse tocá-la, ele parou abrupto e eu que não esperava por isso, fui de encontro ao seu ombro.
- Alto lá! - alguém falou. Sua voz era grossa e imponente. - Têm havido muitas incidências de roubos por essa região, identifiquem-se.
        Pelo jeito que falava, imaginei ser um guarda a serviço real patrulhando a área, de vez em quando, o rei mandava alguns soldados policiarem determinadas regiões, aqui deveria ser equivalente.
        Sendo esse o caso, Kyle investiria furioso com sua espada contra o pobre coitado para não me dar chances de expor minha identidade de príncipe. Contudo, antes que eu pudesse roubar sua espada para dificultar-lhe o trabalho, ele proferiu num tom arrogante ainda que calmo:
- Somos mero caçador de recompensa e sua presa, senhor. Não há por que temer. Fiz meu serviço ao capturar esse malfeitor, assassino de sangue frio, e estarei levando-o para que seja enforcado na Capital - o disse puxando seu pulso preso ao meu para mostrar a corda que nos unia.
- Nesse caso, acredito que a recompensa seja a mesma estando ele vivo ou morto - redarguiu e eu sabia que se referia à mim.
- Mantenha a calma, meu bom homem - Kyle continuou a amansar o soldado com aquele tom tão gentil a ponto de me dar calafrios de medo. - Não disponho de transporte como pode ver e seria deveras trabalhoso andar com um cadáver fedorento rodeado em moscas. Ao contrário, posso simplesmente lidar com qualquer problema com uma facilidade imensa exatamente assim…
          E no que o disse, levei uma joelhada tão forte na boca do estômago que caí me contorcendo em dor e tossindo no mesmo instante! Não tive tempo de me recuperar e Kyle já me puxava, gritando injúrias para que eu me levantasse, porém, o máximo que consegui foi permanecer ajoelhado com dificuldade enquanto apalpava o local dolorido.
- Basta! É o suficiente - o guarda clamou. - Podem seguir seu caminho.
        Seu tom de voz era vazante de sarcasmo e repulsa, no mínimo ele ansiava fosse ele a me surrar para aliviar o estresse com a desculpa de estar sob o jugo da lei e da justiça.
         Ele ainda devia estar desconfiado, contudo, não esperou por nós para tomar seu rumo sem antes comentar baixinho “espero que sofra o mesmo tanto que todos aqueles que matou, escória miserável”.
       Nem bem ele se afastou, Kyle me puxou pelo braço e, infelizmente, tive de caminhar com dificuldade e aos tropeços devido à dor.
       E mais uma vez, ainda que a dor me sondasse, por ironia me via olhando novamente para a mão de Kyle, como se fosse o tesouro mais valioso a ser almejado. Seu pulso estava vermelho assim como o meu, de certo por estar me puxando durante todo o percurso. Porém, dessa vez nossas mãos realmente se tocaram no que levei a minha mão à dele.
        Ele não afugentou sua mão, contudo, ele parou e se voltou para mim.
Coloquei mais força ao apertar sua mão e esperando que ele não me esmurrasse, falei:
- Eu… Achei seria melhor… Bem… Para evitar minha fuga - sussurrei o mais baixo que pude, a voz entrecortada.

          Se eu visse sua expressão, de certo não teria conseguido dizer tudo. Aliás, o que eu estava falando? Aquilo claramente não passava de uma desculpa, pois mesmo que eu fugisse, ele logo daria um jeito de me capturar não sem antes me espancar e muito! O que eu queria que ele pensasse? Que ele podia confiar em mim e que eu não ousaria fugir? Ah, pois eu não devia estar batendo bem da cabeça embora o estrago fosse no abdômen.
          Porém, queria mesmo sentir sua pele, ter contato com ele e saber que ele estava ali.
       Ele se aproximou, inclinando o corpo em minha direção. Minha boca salivou na ânsia de um beijo premeditado, entretanto, sua boca foi em meu pescoço, mordendo com vontade e não pude evitar de cerrar os dentes.
        De fato, aguardava novos socos ou chutes, mas, pelo contrário, ele não fez muito caso e prosseguiu a andar só que dessa vez com nossas mãos entrelaçadas.
         Andamos por outras tantas horas quando encontramos mercadores e inesperadamente, Kyle tinha dinheiro para comprar algumas frutas e carnes secas assim como água. Nos saciamos e aproveitei para repousar ainda que por alguns minutos antes de prosseguirmos caminhando e só paramos pouco antes de anoitecer no que encontramos uma clareira onde acendemos uma lareira.
        A noite enfim caiu e fazia muito frio a ponto de eu ver minha respiração virando fumaça.
Estava sentado ao lado de Kyle, recostado ao tronco de uma das árvores, e tremia em demasia por mais que encolhesse para evitar o frio noturno.
       Kyle havia deixado a espada longe de meu alcance ao seu lado direito, mas eu desisti há tempos da ideia de fugir… mesmo por que não saberia para onde ir e as chances de sobreviver sozinho eram ínfimas! Se eu fosse ousar qualquer artimanha, seria diante de alguém com contato direito com o rei de onde nos encontrávamos para que pudesse retornar para meu lar por meio de contatos através dos mensageiros.
         No momento, queria tanto me aquecer e tinha a impressão de que Kyle estava tão quente já que ele não tremia, aliás, parecia que eu era o único sofrendo à toa…
Me ergui um pouco e passei por cima dele, sentando entre suas pernas. Ele estava sempre me atacando, não deveria se importar se fosse eu o fazendo…
        Meu sangue corria quente pela expectativa, pelo desafio e pela ansiedade. Ele me encarava inexpressivo no que percorri minha mão, subindo por sua camisa sob o sobretudo, passando pelo pescoço e chegando à sua nuca… Levei minha boca à sua, tão próxima que podia sentir o calor de sua respiração, mas ele me deu um tapa muito forte que deixou minha face ardendo, marcada por seus dedos.
       Ele me jogou na grama seca e gélida, quase me sufocando com a pressão de seu braço.
- Faria por bem enfiar um galho banhado em formigas nesse seu traseiro, mas pelo visto é o único em que posso bater até me aprazer, cão sarnento - falou cru e seco e eu nada compreendi, porque Kyle estava sempre fazendo coisas piores com os outros a ponto da morte rondá-lo como sua fiel amiga e companheira.
          Ele retirou seu braço de minha garganta e puxou minhas calças sem cerimônia. A brisa congelante me fez arrepiar até os ossos sob minha nudeza, mas não consegui evitar o que ele fez a seguir, pois tive as mãos presas sobre a cabeça.
       Ele adentrou algo em meu traseiro e me contorci com a dor inesperada e com o frio daquilo que ia e vinha dentro de mim.
- Kyle, pára, está me machucando - argui, buscando consolo em sua face, porém, ele retirou o que fosse de dentro de mim para me dar um tapa forte no traseiro e depois voltar ao que fazia.
       Só pude imaginar que eram dedos, pois logo mais um forçou a entrada. Doía, era frio, desconfortável e ainda assim, aquela ânsia mesclada ao medo desconhecido de transar ao ar livre sob os olhares alheios me atiçava e logo senti que estava duro de excitação. Quando Kyle tocou em algum ponto dentro de mim, um gemido escapou de meus lábios. E outro e mais outro…
Nossas sombras tremulavam e dançavam com o movimento das chamas da fogueira e àquela altura,   só pensava nele entrando em mim.
            Os dedos não me contentavam.
- Meus dedos não são o suficiente para te melar, principezinho depravado? - zombou como se lesse meus pensamentos estampados em todas as minhas reações e gemidos.
         E ele colocou mais um, me fazendo trincar os lábios e aumentando o ritmo do movimento enquanto outras vezes sentia seu pulso girando em minha entradinha.
        Quando pensei que não tinha espaço para mais nada, ele colocou mais um dedo. Deviam estar todos os cinco dedos dentro de mim e só de pensar nisso, gozei na hora. A respiração entrecortada e o coração batia forte enquanto buscava por ar. Ele retirou os dedos e pensei que havia acabado, porém, senti algo bem maior e quente me invadir com estocadas frenéticas que me fizeram abafar alguns gritos de dor para não sermos ouvidos mesmo que não houvesse o menor sinal de outras pessoas nos arredores.
        Meu corpo se contorcia e minha lombar estava me matando por ter as pernas apoiadas em seus ombros, mas ele segurava ainda mais forte em minhas coxas, enfiando cada vez mais o pênis no espaço apertado de meu ânus.
       Machucava pra caramba, mas ele estava tão duro e aquele barulhinho da pele contra a pele mesclada à sua respiração que se interrompia era tão bom que fiquei excitado de novo a ponto de chamar seu nome repetidas vezes.
- Ky… Kyle… Ahh… Kyle… Chama meu… Ah… Ahnn… - tentei levar a mão para fechar a boca, mas esqueci que ainda estava amarrada à de Kyle e tinha as unhas da outra fincada na grama seca.
          Ele parou com as estocadas constantes e deu umas poucas bem fortes que fizeram meu corpo ter solavancos até que atingimos o clímax e gozamos…
         Minha cabeça estava completamente preenchida com pensamentos dele que mesmo o frio eu havia esquecido… Mas algo que não me escapava o pensamento era o desejo dele chamar meu nome de verdade nem que fosse uma vez… Quem sabe se o fizesse, eu não seria capaz de deixá-lo nunca mais…

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...