14.4.17

Devalli Demons Capítulo 31 por Golden Moon


Capítulo 31

Enquanto andava pela estrada rumo à minha casa, percebi que meus passos estavam mais lentos do que o habitual. O cansaço me consumia aos poucos. Mas, até que foi agradável para observar a natureza, a qual sempre me acolhia de modo bastante sutil. O céu estava muito azul naquele final de manhã, observei aquela imensidão... Querendo mergulhar ali dentro e me perder para sempre. Continuei andando, um tanto desatento. Porém, o som de uma carruagem vindo atrás de mim me despertou.



Olhei para trás e a carruagem preta chegou ao meu alcance com folga. Uma bela passageira de cabelos longos e castanhos me observou com seus olhos atentos. Usava um vestido muito roxo e joias que destacavam a beleza de sua pele negra. Havia mais alguém no transporte, o qual eu não consegui observar. O transporte seguiu em outra direção e eu segui meu caminho à chácara, intrigado com aquela mulher. Seu interesse em olhar bem para o meu rosto me deixou curioso.

Quando cheguei a casa, Arthy correu para as minhas pernas, abraçando-as com força. Sorri e me agachei para abraçá-lo apropriadamente. Mal sabia o meu irmãozinho o quanto me confortava o seu carinho.
Peguei-o pela mão, estava grandinho demais para colo e minha mãe surgiu na soleira da porta, nos observando. Tia Lilian apareceu detrás dela, e eu respirei fundo, esperando que o espírito de víbora dela desaparecesse neste dia. Eu não teria forças para discutir absolutamente nada.

Subi as escadas e cumprimentei as duas com um boa tarde. Enquanto eu passava, minha mãe olhou bem para o meu rosto, como se soubesse algum segredo meu. Arthur se agarrou à Jasmim, deixando-me sozinho a ir para o quarto.

– Will, o que você tem? – ouvi a voz de Jasmim ao fundo.

– Só um pouco de dor de cabeça... Só isso. – respondi, mole.

Antes que eu chegasse ao quarto, ela adiantou o passo e pegou em meu braço. Virei-me abruptamente e Jasmim levou a mão à minha testa, procurando algum sinal de febre.

– Mãe, se eu dormir pass..

– Vou pedir à Mary que faça um chá para você. Depois de almoçar, beba! – interrompeu-me, de modo incisivo.

Balancei a cabeça, sem força para responder nada. Até se meu pai aparecesse para discutir, eu apenas balançaria a cabeça, concordando com tudo o que dissesse, sem dizer uma palavra sequer.

Jasmim me soltou e eu fui para o quarto, quase me arrastando de cansaço. O dia parecia não ter fim.

Depois de um banho quente demorado, fui forçado a por uma roupa decente, pois almoçaria por estar com muita fome. Queria mesmo vestir um pijama, comer e ir dormir depois. Mas, a minha mãe me mataria se eu aparecesse de pijama no almoço.

Sentei na minha cama e pus as mãos sobre a cabeça, a dor de cabeça parecia estar melhorando, não estava mais tão forte quanto antes. Poderia até conversar um pouco.

O banho fez a dor tinha passado um pouco e uma paz reinava no ambiente. Porém, a calmaria do meu quarto foi interrompida pela gritaria de Gilbert na sala e, depois, Arthur entrando vermelho de choro em meu quarto.
Com os braços abertos e molhado de lágrimas, meu irmão se agarrou em minhas pernas, gritando muito e eu apertei os olhos, sem conseguir acalenta-lo.

– Will! Will! – sua vozinha de criança gritava meu nome, agoniado.

Segurei-o pelos braços e ele se agarrou ao meu pescoço.

– Gil! – disse, logo desatando em choro novamente.

Meus braços se movimentaram a pegar Arthy no colo e ele se aninhou em meu tórax, fungando o nariz. Saí do quarto e me deparei a Jenny pegando Gilbert pelos braços, enquanto ele se debatia no chão, esmurrando o vazio sobre o ar.

O garoto estava descontrolado novamente. Senti a pressão dos dedos do meu irmão em meu ombro e o seu medo parecia transbordar para mim, como se estivéssemos conectados de alguma forma.

Lilian apareceu logo depois, olhando a cena de um jeito que eu não sei muito bem explicar. Era um misto de desprezo, mas sem esconder a irritação pela gritaria do garoto. Suspirou e ordenou a Jenny que o levasse para o quarto. Assim que a babá se levantou com o garoto em seu colo, já caído em sono profundo como da outra vez, Lilian olhou para mim, impassível.

– O almoço está servido, William.

Afirmei, balançando a cabeça. Minha mãe apareceu depois e venho até mim, acariciou os cabelos de Arthy.

– O que houve aqui?

– Acho que Gilbert fez alguma coisa com ele. –  Os bracinhos de Arthy me abraçaram com ainda mais forças, imaginava que ele correria para os braços da minha mãe. Porem, ele continuou estático em meu colo, o rostinho enterrado em meu ombro.

– Vamos almoçar... Venham. – disse, de modo doce.

Andei, ainda com Arthy ao meu colo. Pensava naquele comportamento esquisito de Gilbert. Ele não era a melhor criança do mundo, mas nunca foi agressivo daquele jeito.

Almoçamos todos calados, como em um cortejo fúnebre. O almoço inteiro foi embalado pela trilha sonora dos nossos talheres sobre os pratos. Muito agradável, por assim dizer.  Fiquei curioso pelo fato de minha mãe não me perguntar absolutamente nada sobre a dor de cabeça, ela permanecia concentrada em sua refeição, sem dizer uma palavra. Olhei para o seu semblante, lembrando-me das palavras frias de Jim pela manhã. Provavelmente, um pouco de pó de arroz fez suas olheiras sumirem, mas aquela expressão tão séria, nada comum de Jasmim, deixava-me aflito. Muito aflito.

Eu queria conversar com ela, acalentá-la em meus braços, mas tinha medo de piorar ainda mais a nossa situação. De repente, a atenção foi despertada por passos vindo da sala de estar, botas de couro sobre o piso de madeira.

Erin e Jim surgiram no cômodo e a expressão de Jasmim tornou-se surpresa pela aparição dos dois.

– Eu não sabia que... – disse, sem esconder o seu desespero disfarçado de surpresa. Percebi isto quando ela se remexeu na cadeira, assim que ele chegou mais perto da mesa e se debruçou sobre a costa de uma cadeira. Jim olhava minha mãe, sorrindo como nunca vi antes. Até mesmo Lilian observou seu rosto com estranheza.

– Estamos famintos, mas podemos comer depois. Ainda precisamos terminar de conversar, Jim. – disse Erin, sem muita seriedade em seu rosto. Deveria ser algo relacionado ao evento da semana seguinte.

– Claro, vamos. – Abandonou a cadeira e seguiu Erin. Provavelmente, discutiriam na biblioteca, lugar mais reservado da casa.

Eu baixei a cabeça, compreendendo tudo, mas, ao mesmo tempo, sem entender mais nada. Tudo parecia terrível demais pra mim. Quantos dias aquela situação iria durar? Quanto tempo eu ainda teria que aguentar aquele jeito nojento do meu pai? Não havia mais nada que eu pudesse fazer para mudar a nossa situação... Franzi o nariz e só percebi as lágrimas quando senti o dedo da minha mãe alisar a minha bochecha.

– Filho! Ainda sente dor?! – olhei para o rosto dela e seus olhos estavam muito abertos, espantada pelo meu choro.

Sacudi a cabeça, instintivamente. Enxuguei muito apressado as lágrimas do rosto, com as duas mãos.

– Cuidado para não cair lágrimas e cabelo na comida... – como um silvo de cobra, minha tia soltou as aquelas palavras. Olhei na direção dela, e seu rosto estava em perfil, tateando os talheres como muita discrição.

– Ele não se sente bem. – rebateu Jasmim, mansa como sempre.

Levantei da mesa, deixando menos da metade do prato. Perdi a fome.

– William, termine de comer. – minha mãe não gritou, apelou com seu jeito doce de progenitora cuidadosa, mas de nada serviria.

– Não tenho mais fome, mãe. Agradeço. – passei por ela, fugindo para o meu quarto.

Entrei no meu aposento, fechando a porta com as duas mãos. Acabei por encostar a cabeça na madeira pintada de branco.
Fechei os olhos, pedindo pra qualquer ser possível que me tirasse daquele lugar.

2 comentários:

  1. boa noite golden, o capitulo esta lindo, estou com muita pena do will.

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    Respostas
    1. Oi, Dineia! Boa noite ♥
      Eico feliz que tenha gostado! Eu também sinto pena do Will kkkk Mas as coisas vão melhorar, fique tranquila♥

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