30.4.17

Devalli Demons Capítulo 33 por Golden Moon


Capítulo 33

A tarde na floresta estava quieta e eu sentia calafrios percorrerem pelo meu corpo a cada pequeno barulho que escutava. Porém, a trilha para o lago seguiu tranquila até que consegui chegar aos arbustos que circundavam o lago.

Dylan estava de costas, sentado em posição de lótus na grama fofa, mantinha os olhos fechados. Parecia concentrado em sua própria mente. Cheguei-me perto dele e toquei em seu ombro, fazendo-o despertar para a minha presença.

– Oi, meu amor. – sorriu para mim, curvando seus lábios finos para o lado. O brilho no verde de seus olhos me revelava que estava feliz em me ver.

Morrendo de saudades, atirei-me em seus braços e Dylan me agarrou sobre o seu colo, enquanto enchia meu pescoço de selinhos. Aconcheguei-me em seu colo, assim como Arthur fazia com Jasmim quando estava triste ou chateado. Eu havia regredido à infância nestes dias... Abaixei a cabeça, sem saber esconder a minha tristeza.

Dylan encostou seu dedo sobre o meu queixo e me beijou delicadamente.  Sentir sua energia me invadir naquele momento era o que eu mais precisava, apesar de que ele nada poderia fazer para melhorar a situação em minha casa. Encostei a cabeça sobre o seu ombro e logo seu braço passou para a minha cintura, apertando-me como se eu fosse um pequeno urso de pelúcia.  Dylan encarou o meu rosto e percebeu que eu não estava bem.

– Will?

– Sim, Dylan? – perguntei, sem encarar o seu rosto.

– Há tristeza em seu olhar... – A sua mão livre acariciou minha bochecha, com mimo.

– Aconteceram algumas coisas lá em casa... – levantei a cabeça, tentando me recuperar – Mas eu preciso te contar sobre o baile.

O dedo indicador de Dylan deslizou abaixo do meu olho e só assim eu percebi que chorava. As lágrimas agora simplesmente surgiam, sem ao menos eu ter tempo de contê-las.

– Você vai me contar o que te aflige, primeiro.

Baixei a cabeça, pensando em como eu poderia negar e poupá-lo de todos os meus problemas, mas eu não podia. Era impossível. Vi a bermuda azul que usava manchar de tantas lágrimas e, quando Dylan levantou meu rosto com ambas as mãos, senti-me perigosamente exposto. Funguei o nariz, apertando os lábios entre os dentes como uma criança chorona.

– Meu pai, ele... – solucei, procurando resumir a situação – ficou irritado porque eu rejeitei a Melissa de novo.

– Ele te castigou?

– A mim não. – agarrei a bainha da bermuda, prendendo as lágrimas que vinham – disse para ele que eu seria infeliz com Melissa... Igual ele e minha mãe. E ele resolveu descontar nela.

Escondi o rosto sobre as mãos, querendo ocultar minhas lágrimas de Dylan. Mas meu namorado foi ágil em seu consolo e me abraçou, deixando-me desabar em lágrimas em seu ombro.

– Seja a pessoa que ela merece, William. Proteja-a, com toda força que tem. – murmurou em meus ouvidos, dando-me forças para levantar a cabeça e olhar em seu rosto.

– Não tenho como interferir em sua família... Mas... – ele acariciou as minhas bochechas, delicado – Saiba que estou aqui, com você.

Segurei seu rosto e o beijei, sem me importar se minhas lágrimas manchariam o nosso beijo... Talvez, ele pudesse dividir a dor comigo.

Assim que terminamos, limpei as lágrimas com ambas as mãos.

– Sua família já está aqui?

– Sim e eles querem te ver. – respondeu, sorrindo logo depois.

Meus olhos se estreitaram ao ouvir aquela noticia. Como assim eles queriam me conhecer logo?

– Não precisa ficar assustado. Não vão te fazer mal algum. – acariciou meus cabelos, como se afagava uma criança.

Lembrei-me de Louis e o quanto ele me deixava desconfortável. Só em olhar para ele, eu me sentia zonzo.

– Tudo bem... Espero que eles não me deixem zonzo como o Louis. – ri, brincando com os trejeitos do primo estranho de Dylan, mas meu namorado ficou sério... Até demais.

– Ele te deixou tonto? – Murmurou, em um tom mais grave que o normal.

– O jeito dele me deixa assim.. – abaixei a cabeça, já constrangido – desculpe, eu...

– Ah, Não! – rosnou, rasgando a grama entre seus dedos.

Eu continuava acomodado sobre seu colo, senti suas pernas se remexerem abaixo de mim. Segurei seu rosto, observando Dylan morder o lábio inferior e as veias surgirem em seu pescoço, sem esconder a raiva. Não entendia a sua reação.

– Calma! – murmurei para ele, ainda o estranhando.

– Louis não se controla! Disse para ele não te deixar desconfortável, mas...

– Como ele fala comigo... O olhar desafiador... É seu jeito genioso, não?

Dylan olhou para baixo, parecia querer me esconder alguma coisa. Estávamos juntos não tinha muito tempo, e eu ainda pouco sabia sobre sua raça. Uma parte importante da vida de Dylan era um borrão para mim.

– Nem tanto... – respondeu, ainda sem me observar. – ele te provocava, sim..  Mas...

Cabisbaixo, Dylan me olhou e pousou uma de suas mãos em meu ombro.

– Mas usando nossa maldição. – hesitou – Nossa maldição de demônio.

– Como? – perguntei, ainda sem entender muito bem o que ele dizia.

– Os Goons devoram almas, certo? Os Devalli...  – ele olhou para baixo novamente, como se tivesse vergonha do que iria me dizer. – sugam parte de sua alma. Tiram sua sanidade mental.

Senti sua mão apertar minha cintura, tal qual alguém que procura forças pra continuar a falar. Agora, eu parecia mais o seu apoio. Não entendi muito bem o porquê ele estava daquele jeito...

–  Ele tentou te perturbar usando nossa maldição, mas não a completou. As pessoas perdem o equilíbrio, desmaiam, alucinam coisas, falas sem sentido..

Aquiesci, compreendendo o que ele dizia. Mas ainda restava saber a sua reação.

– Isso te incomoda, Dyl? – levantei o rosto dele utilizando as duas mãos.

– Muito. Até demais. – senti o quão amarga estava sua voz, o que me deixou extremamente desconcertado.

– Eu nunca soube de surtos de casos de insanidade mental por Virginia. – disse, sem saber muito bem como conforta-lo.

– Eu não faço isso. Nunca fiz. Mas meus parentes moram em Geórgia faz muito tempo, onde fica nosso maior território... Já aconteceram surtos por lá, mas as pessoas pensam em outras moléstias, não desconfiam dos Devalli.

Olhei para ele e notei seu tom de voz triste, enquanto falava sobre sua própria família e a maldição. Lembrei-me de quanto o acusavam, o quanto queriam vê-lo morto... E Dylan nada tinha a ver com tudo aquilo, parecia envergonhar-se da sua maldição.

2 comentários:

  1. Desculpe a demora a ler seu capitul....
    mas olha o Dylan foi sincero.... bem meigo e colocou o que devia colocar em peimeiro lugar
    agora morta por conhecer o resto da familia dele

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    Respostas
    1. Sem problemas, Rima-san ♡.♡
      Sim, Dyl tem um carinho e instinto protetor muito grande pelo Will. É um fofo ♡

      Eles logo vão aparecer hahah mas antes Will e Dyl terão uns momentinhos juntos. ⌒.⌒

      Excluir

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