15.5.17

Devalli Demons Capítulo 35 por Golden Moon


Capítulo 35

Eu me levantei de imediato e estendi a mão para ele, a fim de ajudá-lo. Dylan agarrou a minha mão e me puxou para contornarmos o lago juntos. Seguimos calados na trilha até a sua casa, ainda de mãos dadas. Eu percebia a tensão de Dylan pelo modo como apertava a minha mão... Era mais forte do que o normal e começava a suar frio. Eu apenas observava nossos passos lentos carregando folhas sobre o chão, enquanto o canto tranqüilo dos pássaros acompanhava a caminhada. A única vez que direcionei meu olhar para o lado, foi quando Kuroh apareceu sobre o ombro de Dylan, olhando-me com seus olhinhos vermelhos curiosos. Inevitavelmente, sorri para ele.



Chegamos ao jardim do casarão e, finalmente, Dylan quebrou o silêncio.

– Não estou tão seguro sobre isto, mas... Estes sintomas são de maldição. Eu quero te mostrar alguns livros... Mas... – olhou para o lado e seu rosto começava a ficar estranho, em uma expressão que eu nunca vi no Dylan.

– Mas? – provoquei, louco para que ele continuasse.

– Mas prometa-me que nunca comentará com ninguém o que viu. – seus dedos pressionaram os meus com ainda mais força e percebi que os músculos do ombro de Dylan se endireitaram.

– Claro, amor. – pousei minha destra sobre o rosto dele, passando-lhe toda confiança que possuía. – Seus familiares estão aí?

– Não... Estão na cidade. – ele voltou a caminhar e eu o segui, dirigindo-se à porta.

– Como assim? – indaguei assustado. Pensei que eles fossem temidos demais para serem vistos na cidade.

– O único Devalli conhecido desta cidade sou eu. – riu, ainda enquanto seguíamos à casa.

Entramos e, imediatamente, todas as cenas da última vez que estive ali invadiram a minha mente. Eu invadindo a casa a encontro do Dylan, nossos beijos de saudades, nós em seu quarto em tamanha intimidade... Aos poucos a tensão foi se esvaindo do meu corpo.

– Will? – Dylan olhava para mim, sorrindo.

– Sim?

– O que foi? Seu rosto está ficando rubro...

Olhei para o chão de madeira, sem saber o que responder.

– N-nada. – hesitei, sem querer mostrar-lhe meus pensamentos sórdidos naquele momento tão importante.

Ele soltou a minha mão e foi à escada. Olhou para cima e suspirou.

– Às vezes à noite eu me lembro da sua última vez aqui. Sei que entrar aqui deve ter te despertado lembranças...

Minha boca se abriu, pronta para escapar algo, mas logo se fechou como se tivesse vida própria. Ele agora adivinhava meus pensamentos.

Dylan desatou a rir, sabendo que atirava suas palavras com certeza.

– Vamos, agora não temos tempo pra isso.

Corri para escada, concentrado em manter meus pensamentos focados no que veríamos na biblioteca.

Chegamos à biblioteca, a qual ficava no mesmo corredor que o seu quarto. Ele abriu a porta sem fazer muito mistério. Porém, eu não conseguia esconder o quanto estava ansioso para conhecer mais sobre aquilo. Dylan adentrou no grande aposento e eu fiquei parado na porta, os olhos fixos nas grandes prateleiras embutidas recheadas de livros de variadas cores. No espaço que separava uma das ouras, estatuas de anjos esculpidos em pedra se erguiam. O quarto era comprido, assemelhando-se mais a um corredor largo com muitos livros. Eu entrei um tanto apreensivo.

– Não é muito grande, mas dá para aproveitar muita coisa.

 – É bem maior que o acervo do meu pai. – disse, enquanto fechava a porta atrás de mim.

Na parede sem prateleiras, um sofá vermelho acolchoado e uma pequena mesinha de madeira se destacavam no ambiente. Eu andava a espreita, como se algo observasse cada passo que eu dava dentro da sala. Olhava as grandes prateleiras tão distraído, que cheguei a tropeçar na escada de madeira que simplesmente surgiu à minha frente. Por sorte, segurei-me nas costas do Dylan, que sobressaltou quando sentiu minha aproximação repentina.

– Esqueci de tirar essa escada do caminho... Desculpe. – disse, enquanto segurava minha mão sobre seus ombros.

– Tudo bem.

Voltei a andar atrás dele, até chegarmos ao final da sala e pararmos a frente da última estátua de anjo. Sem hesitar, Dylan pousou a destra sobre a mão de pedra do anjo e a pressionou para baixo. Uma porta secreta abriu ligeiramente e o corredor escuro facilmente me deixou muito aflito.

Dylan estendeu a mão para mim e eu a agarrei, como se minha vida dependesse dele.  Entramos e a porta se fechou sozinha e eu fiquei sem saber se o arrepio que tomou o meu corpo foi do ar gelado daquele corredor ou o barulho da porta se fechando. Não conseguia enxergar absolutamente nada e o silêncio do Dylan deixava tudo ainda mais esquisito. Eu andava dependendo do seu apoio, mas minha cabeça girava para os lados o tempo inteiro, tentando, inutilmente, visualizar qualquer coisa que atrapalhasse nosso caminho. Poucos metros depois, ele parou de repente e meus pés trançaram de tal forma que acabei me chocando contra a parede.

– O que foi? – seu tom de voz parecia assustado.

– Nada, eu só sou idiota o bastante para tropeçar em meu próprio pé. – disse, ajeitando a minha bermuda.

Eu ouvi o riso abafado de Dylan insurgir naquela escuridão e, por um momento, a aflição sumiu. Porém, quando o barulho das chaves despertou a minha atenção, eu apertei a mão de Dylan com força, sem saber como reagiria à situação.

Quando Dylan abriu a porta, eu prendi a respiração, esperando um monstro sair de dentro do quarto. Porém, soltei o ar quando percebi a escuridão tórrida do quarto. Dylan soltou a minha mão e eu quase implorei para que ele ficasse comigo na porta, parado.

De repente, dois filetes de luz surgiram no quarto e cresceram de tal forma que todo o ambiente se iluminou revelando os livros, os desenhos sinistros nas paredes e escritos antigos sobre a mesa de madeira, bem no meio da sala estranha.

– Desculpe a bagunça eu...– enquanto entrava, pé-ante-pé, Dylan falava alguma coisa sobre a arrumação do quarto e eu me perdia naquelas paredes.

Eram formas grotescas de demônios, com seus gigantes olhos alguns exibiam presas sobre as bocas, asas distendidas e sangue em seus olhares. Acima de cada um, nomes e descrições... Goons, Raynes, Luciferis e muitos outros. A grafia era do Dylan, eu tinha certeza.  Eram desenhos espalhados pelas paredes, em uma intrigante investigação sobre as raças de demônios.

– Eu gosto de fazer rascunhos das raças que já encontrei por aí. – senti o toque dele sobre o meu braço e somente assim percebi que meus pelos estavam arrepiados.

 – Não sabia que desenhava. – me virei para ele e pousei as mãos sobre seu peitoral. Dylan não resistiu a beijar a minha testa.

– É só uma maneira de me manter informado sobre as raças... Algumas são pouco conhecidas. Até mesmo entre nós.

– Isso é incrível, Dylan.

Eu vislumbrei seu olhar esmeralda sobre a luz das lamparinas e notei que ele não concordava comigo.

 – Não tanto... Will.

Abaixei a cabeça, ressentido. Aquele mundo realmente fazia o Dylan sofrer de determinada forma e eu me vislumbrava por alguns desenhos de criaturas que provavelmente me matariam se me encontrassem.

Dylan folheava alguns livros velhos sobre a mesa e eu me aproximei dele, ansioso.

 – Leia isso aqui.


Ele empurrou o livro para meu lado e eu segui onde seu dedo apontava.

 – O terceiro parágrafo.

"Febres, surtos de agressividades e olhos pálidos manifestam-se em crianças já aturdidas pela maldição. Seu sangue tem a marca fidedigna da descendência Goon..."

Depois daquelas ultima palavras, as letras tornaram-se apenas borrões escuros que encobriam aquelas folhas amareladas desgastadas. Senti meu corpo tombar para o lado, mas as mãos habilidosas de Dylan me seguraram antes que eu me encontrasse jogado ao chão.

Eu não queria que minhas proposições estivessem certas. Não mesmo.

2 comentários:

  1. Bem que ei desconfiava que tinha algo a ver com os goons o will tem tudo contra ele ... nem sequer pode aproveitar os momentos com o Dylan T^T

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    1. Não se preocupe, pois nos próximos capítulos os dois vão ter um tempo pra suprir a saudade ^_~

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