18.5.17

Devalli Demons Capítulo 36 por Golden Moon


Capítulo 36

Eu olhei para o Dylan e somente nesse momento senti as lágrimas expiarem dos meus olhos. Agarrei-me às suas vestes e minhas mãos tremiam de tal forma que Dylan segurou em meus braços e me ajudou a sentar em uma poltrona.

– Eu vou te trazer um copo d’água. – Dylan não parecia se assustar pela minha reação. Sua voz estava tão suave que eu respirei fundo, tentando me acalmar para o meu próprio bem. Quando já se preparava para sair, segurei a mão dele, quase implorando para que não me deixasse só.

– Não precisa, amor. – funguei, ainda me recuperando do susto. – Fica aqui.



Eu encarei aqueles olhos verdes, procurando alguma força, mesmo que não conseguisse vislumbrar todo o brilho que eles sempre irradiavam. Baixei a cabeça, procurando uma maneira de me acostumar àquela revelação, mas sempre que visse Gilbert à minha frente, eu me lembraria das palavras escritas naquele livro.
Dylan agachou-se e segurou os meus joelhos. Permaneceu calado, o que não era habitual dele.

– Minha família... – forcei a minha voz, tentando ser mais forte do que era realmente – O que eu faço?

Entranhei as mãos sobre o cabelo, pensando seriamente o quanto estávamos em perigo.

– Você não pode fazer nada, Will. Se disser algo, te dirão que está louco.

– Mas meu irmão... Arthur... – pensei no meu menino pestinha, morrendo de medo dos surtos de Gilbert e correndo para os meus braços.

– Tente mantê-lo longe do seu primo. A agressividade pode ser absurda...

– Ele está com tanto medo de Gilbert... – lembrei-me dos seus olhinhos amedrontados, sem saber do grande perigo que o cercava.

– Não entre em desespero. Por favor. – ele me segurou pelos ombros e logo depois me abraçou.

Agarrei-me ao pescoço do Dylan, sem me importar se chorava como uma criança abandonada sobre o ombro dele. Eu só queria esquecer tudo aquilo, mas fingir que aquela situação não existia me deixaria louco de qualquer jeito. Erin, Jim, Jasmin, Gilbert... Todos estavam do meu lado. O tempo inteiro. Dylan estava do meu lado: e ele também fazia parte de tudo aquilo. Por que eu sou tão covarde a ponto de querer me livrar de tudo?

– Eu te peço perdão, William. – a voz de Dylan soou tão baixinha que eu quase não consegui reagir às suas palavras. Fiquei parado ainda em seus braços, sem compreender o porquê me pedia perdão.

 – Eu também te envolvi em tudo isso... E talvez você se sinta culpado... Mesmo que não possa fazer nada. Por favor, me desculpe. – ele apertava meu corpo contra o seu e eu envergava ao chão, junto a ele. Quando percebi, estávamos os dois ajoelhados no assoalho de madeira do quarto, abraçados.

– Dylan, nenhum de nós somos culpados de absolutamente nada. – afundei a cabeça em seu ombro – Você não tem culpa do poder que possui... E eu não tenho culpa de me apaixonar por você.

Dylan finalmente reagiu e me afastou de seu abraço. Olhou-me e inclinou a cabeça para o lado, como se tentasse digerir minhas palavras.

 – Nós temos que enfrentar isso juntos. Já que o destino quis assim.

Dessa vez, fui eu que pousei as mãos sobre o rosto de Dylan e limpei as lágrimas que fugiam de seus olhos.

Seu choro não era desesperado como o meu... Mais calmo, silencioso e, com certeza, deixava escorrer toda a dor de anos por aquele liquido quente e amargo em seu rosto. Toda a situação pesava demais em sua consciência.

 – Eu não podia de maneira alguma me afastar de você, Will. Eu sempre fui incapaz disso. – murmurou, quase em um sussurro.

 – Nunca tente me afastar de você, Dylan! Não vai dar certo! – aumentei o tom de voz, ficando um tanto nervoso com aquela afirmação dele.

 – Eu já pensei em te tirar deste perigo, mas não posso. – Ele me abraçou novamente –  preciso te proteger...

 – Agradeço pela proteção. – retribui seu abraço sem muita pressa, enroscando-me em seus braços.

Continuamos abraçados durante alguns minutos, os dois chorando silenciosamente, compartilhando as dores há muito guardadas e que somente os juntos poderiam suportar.

Até que nos ajudamos a levantar e meus olhos se voltaram para aquele livro novamente, hesitando em continuar a leitura do texto.

 – Se você quiser, paramos por aqui.

– Não... Eu quero ver mais. – minha mão deslizou sobre o livro e eu sabia que a curiosidade ainda não tinha ido embora.

– Esse livro é tão diferente do que eu tenho em casa... Não se menciona nada sobre a maldição dos Devalli ou dos Goon. – murmurei, mais para mim mesmo do que para o Dylan.

 – Algumas pessoas já viram demônios e sobreviveram.. Por mero acaso. Então surgem estes livros que você tem em sua biblioteca. – Dylan contornou a mesa e parou bem à minha frente – este foi escrito por alguém que era um demônio de verdade e conheceu muitas raças diferentes.

Virei a folha e surge um grande desenho que parecia pintado à mão de, na folha via-se um demônio. Entre suas mãos de dedos com unhas afiadas e pontiagudas, uma mulher desfalecida e ensanguentada repousava em seu sono profundo da morte. Meus dedos deslizavam nos cabelos da mulher sobre a imagem, tão negros e pintados de manchas de sangue..  Quase que não conseguia se vislumbrar o rosto dela, de tanto liquido rubro sobre a face. Apenas o branco dos olhos arregalados se destacava. A criatura demoníaca parecia olhar bem nos meus olhos, como se quisesse dizer que eu era sua próxima vítima.

 – Então é assim...

– O que? – indagou Dylan, pronto para me sanar qualquer dúvida.

 – Além de sugar a alma, eles também podem violentar...– encarei meu amado, esperando que ele completasse o pensamento.

 – Os mais perversos, sim.  Qualquer raça tem seus piores carrascos. Mas os Goons são... – ele direcionou seu olhar para a madeira escura da mesa, parecia envergonhado – carrascos até demais, em sua maioria.

Balancei a cabeça, já aguentando aquela dor dentro de mim sem precisar desabar em tantas lágrimas. Virei a folha novamente e mais textos surgiram. Porém, um beijo quente despontou sobre a minha bochecha e quando percebi, Dylan entrelaçava a sua mão na minha acima do livro.

 – Vamos esquecer isso só por alguns instantes. – ele roçou o nariz na curvatura do meu pescoço e eu senti os pelos da região se eriçarem – eu sinto sua falta.

Virei para ele, assentindo o pedido com um beijo.

Saímos daquele quarto cheio de mistérios e o corredor escuro não parecia mais tão assustador. Andei de mãos dadas com Dylan, até chegarmos à biblioteca novamente. Senti que saia de seu mundinho particular quando voltamos.

2 comentários:

  1. Tenho a ligeira sensacao que na familia do Willian tem anguns desses goons bem carrascos... espero que seja so impressão minha ...

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