28.5.17

Devalli Demons Capítulo 38 por Golden Moon


Capítulo 38

O garoto fechou a porta atrás de si e seu irmão mais velho caminhou com aqueles passos ensaiados até mim, que continuava parado em frente à escada. Sentindo-me tenso a cada passo que Louis dava aproximando-se de mim.

– Ora, ora quem está aqui. – disse com aquela sua voz melodiosa, suficientemente doce e sarcástica que me irritava ao extremo.

 – Boa tarde. – respondi sem me render à irritação por vê-lo novamente.



Antes de me fazer quaisquer perguntas sobre minha presença, ele tratou de apresentar-me o garoto;

– William, este é o seu mais novo colega, Philippe, meu irmão caçula.

– Prazer, William – voz do rapaz era suave, como de seu irmão, mas não irritante. Ele estendeu a mão para mim, sorrindo, eu a apertei um tanto desconfiado.

– O prazer é meu, Philippe. Dylan me falou sobre sua chegada.

– Estou animado para morar aqui por um tempo, apesar da cidade não parecer muito atraente. – ele soltou um sorriso largo para mim e logo depois olhou para o irmão. Parecia um garoto alegre, ele se daria bem naquela escola.

Louis o observava como um pai que cuida do filho, os dois deveriam ser amigos.  Depois, para minha tristeza, ele voltou a atenção para mim.

– Como está o seu tio? Feliz pelas honrarias? – sorriu, sabendo que tocava em minha ferida.

Eu dei um passo à frente, mas mantendo uma distância segura.

– Estão todos felizes, o jantar para discussão do baile só tiveram olhos para ele.

– Espero que ele aproveite bem o seu baile. – Louis deu um passo à frente e quase que meu corpo se joga para trás, em reação à sua aproximação. Mas eu continuei parado em frente à escada, pedindo a todos os deuses possíveis que Dylan descesse logo e me salvasse dos olhos de seu primo.

– Não sei se Dyl comentou com você, mas Elizabeth está ansiosa para encontrá-lo. – agora a sua voz parecia realmente séria, o que me deu um tanto mais de tranquilidade, mas não conseguia baixar a guarda.

– Elizabeth? – perguntei, sem ao menos saber a quem ele se referia.

– É nossa cabeça. A líder dos Devalli. – disse Philippe, de um jeito manso, percebia-se um carinho na voz.

– Dylan me contou que seus familiares queriam me ver... Falou-me sobre a líder também. Desculpe-me, não a conhecia de nome.

– Eu que lhe peço desculpas, Will. – Eu ouvi os passos de Dylan na escada e meu coração parecia ter se aliviado de um peso muito grande.

Assim que me alcançou, ele me abraçou pelos ombros e continuou,

– Esqueci de te falar o nome dela... – virou-se para Louis – e como vai, Loui? E você, Philippe?

A expressão do Louis fechou-se como se anunciasse uma grande tempestade e ele olhou para o Dylan de tal jeito que acreditei que o mataria ali mesmo. Meu companheiro começou a rir, debochado, acompanhado do irmão caçula de Louis. E eu observava o rosto dos rapazes, sem entender o que acontecia ali.

– Você acha que eu ainda tenho cinco anos de idade para me chamar de Loui? – disse, sem um pingo de sarcasmo em sua voz.

– Acalme-se, rapaz. – Dylan deu duas batidinhas no ombro do Louis, como um gesto de apaziguamento, mas a expressão dele não mudava.

Então, meu companheiro voltou-se para mim, perguntando,

– Quando poderá fazer a visita, Will?

– Durante as tardes, tenho toda disposição. Mas preciso de uma desculpa convincente.

Eu realmente não poderia sair para visitar os Devalli de qualquer jeito. Uma fuga não seria o suficiente..

Adivinhando minha intenção, Philippe logo me respondeu:

– Sei que é estranho, mas vou começar a ir para aula amanhã, então você poderia vir comigo – deu de ombros, ciente que seria o centro das atenções no colégio.

– Depois da escola, você será convidado do Philippe para o almoço. Vou buscar os dois. Amanhã à tarde, então?

– Tudo bem! – naquele momento eu até me sentia mais confortável perto do Louis, mas continuava com medo dele usar sua maldição em mim. Talvez a presença de Philippe fosse um pouco mais confortadora.

– Então estamos combinados... Vamos, Will. – Dylan deu alguns passos a frente e eu segui logo atrás. Porém, ele estacou repentinamente e virou para seu primo.

– Esteja aqui quando eu voltar, Louis. Preciso falar com você.

– Sim, eu também preciso. Por isso estou aqui – sua voz me parecia sarcástica e, por um momento, pensei que os dois tinham alguma desavença.

Disse adeus para os dois irmãos e, depois, saímos de mãos dadas da casa e eu observei o rosto sério do Dylan enquanto caminhávamos pelo jardim. Tinha quase certeza que sua “conversa” com o Louis seria sobre a maldição que Louis usou em mim. Eu não acreditava que ele tivesse uma má intenção, talvez somente me deixar um pouco assustado, como brincadeira. Nós já entrávamos na floresta quando tentei apaziguar sua chateação,

– Não precisa se desentender com seu primo por minha causa... – eu me aconcheguei em seu abraço de lado e senti a pressão dos seus dedos na cintura.

– Ele precisa entender que você não é uma ameaça, Will. Louis é muito desconfiado em relação a todos que nos cercam, até entre nossos companheiros.

– Quando eu o vi a primeira vez, ele não parecia desaprovar nosso relacionamento. – disse, relembrando meu desconforto na carruagem, enquanto Louis me cercava de perguntas.

Dylan me observou, sem um fio de estranheza em seu olhar. Parecia saber bem das artimanhas do primo.

– Ele pode achar que você é bom para mim, como namorado. Mas em relação ao bem do nosso grupo, ele desconfia. Tenho certeza.

Continuamos andando, calados, e um monte de informações se embaralhava em minha cabeça: Louis, Gilbert, o almoço, o baile, as palavras de Dylan no lago... Não sabia por quanto tempo essa situação perduraria. Por quanto tempo eu ainda teria que sustentar mentiras e omissões, tudo por amor...

– Loui não é ruim... – murmurou, mais para si mesmo do que para mim – Amanhã ele te levará à residência onde meus familiares estão hospedados, não se preocupe quanto à recepção.

– Onde eles estão hospedados na cidade? – perguntei, já ansioso por aquele encontro.

– Duas casas depois da mansão dos Weissman.

Olhei bem para o rosto do Dylan, sem acreditar muito no que ele me dizia. Weissman era um dos aliados do meu pai e estar tão perto dele poderia ser ruim para os Devalli.

– Mas isso não é suspeito?

– A nossa mansão é bem mais espaçosa e cercada por arbustos e árvores. A família dele nem vai perceber nossa presença. – ele falou com tamanha tranquilidade, que eu queria acreditar que aquilo seria muito efetivo.

– E você? Chegar por lá de dia pode ser perigoso.

– Eu sempre vou à noite pra lá. Mas chegar de dia não é incômodo. Você verá amanhã. É uma casa bem escondida.

Tentei me recordar do sábado que fui à casa dos Weissman, se havia alguma casa escondida por perto... A carruagem às vezes não me permitia ver os arredores, mas eu realmente não conseguia me lembrar de uma casa coberta por arbustos e árvores. Ela realmente deveria ser muito bem ocultada.

Nós paramos em meio à floresta. Faltava pouco para chegarmos à estrada e eu ainda não estava preparado para me afastar dele. Dylan olhou para os lados, como se procurasse algum sinal de perigo, mas nada encontrou. Segurou meu rosto com ambas as mãos, naquele cuidado que somente ele sabia ter.

– Não se preocupe à toa comigo. – beijou minha testa e, naquele momento, eu tive vontade de chorar. Eu o abracei, sem saber expor em palavras o que eu sentia, agarrando-o pelas costas, enquanto sentia seu calor.

– Seus bilhetes representam muito pra mim. Mas...– respirei fundo, com a cabeça encostada em seu ombro. – Se é para o nosso bem... Eu os destruo.

Sem dizer uma palavra sequer, Dylan aquiesceu, balançando a cabeça. Logo depois, seus braços já se apertavam em minha cintura e seus lábios nos meus. Assim como sempre nos despedíamos na floresta.

5 comentários:

  1. O Louis não muda é jeitinho dele... já o Phillipe parece um menino mais calmo e amigavel, acho que será uma boa companhia para o William na escola

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    Respostas
    1. Louis é um rapaz mais sisudo, fechado ahsua Não vai mudar msm kkkkk
      Pode ter ctz que sim, Rima-san ♥ Lippe é uma gracinha de menino :3

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  2. Hum... O Phillipe parece ser amistoso, mas eu ainda prefiro o Louis.
    E a despedida do Dylan com o Will é sempre algo angustiante, dá para sentir no Will que ele não tornaria a ir se tivesse alguma escolha.

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    Respostas
    1. Eu gosto dos dois =p São irmãos opostos, mas se dão muito bem ^^

      Ah, ele não voltaria mesmo shuha Talvez pensasse um pouco por sua mãe e irmão, porém se ele pudesse não desgrudaria de Dylan.
      Mas nos prox. caps eles vão se encontrar mais ♥

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    2. Mas, eu gosto desse jeito sério do Louis. Pessoas sérias costumam ter sorrisos bonitos.

      Essa é mesmo uma boa notícia!

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