22.5.17

O Segundo Anjo - Crônicas de Antuerpéria Parte 3 Chapter 27 por Mel Kiryu


Parte 3 Chapter 27 A magia despertada, perigosamente contida

           Chovia brandamente e ininterrupta.
         Mas, como voavam a algum tempo suas asas começaram a ficar pesadas encharcando-se aos poucos pelas gotículas frias, algo consumidas pela frustração e cansaço.
      Shou deixou-se guiar por Jang, ainda tinha seus sentidos desorientados. Olhou por pequeno instante para trás quando deixavam Holden e viu de relance o castelo da cidadela a bem dizer tombado, o corpo do dragão jazindo sem cabeça sobre os escombros.

      A desolação e destruição no castelo que tinha sido seu refúgio na noite anterior.
      Tinham se afastado o suficiente, Jang certificara-se de que não tinham sido seguidos por magos. Cultivava a certeza que não tentariam uma nova investida usando dragões depois de terem perdido um deles em batalha.

      Mas, ter certeza e confiança não deixava Jang tranquilo.
      Algo estava errado.
      Tentou seguir Shou entre as nuvens no instante em que ele tentava resgatar Etzel dentro do castelo, no entanto acabou tendo sua presença percebida por um dos dragões e o mago que o controlava.
     Investiu com sua espada, no primeiro golpe desferido na parte inferior do corpo do grande réptil percebeu que as escamas de um brilho almiscarado eram rígidas como metal e faiscavam ao contato de sua lâmina.
     Nunca tinha enfrentado um dragão até aquele dia.
     Um animal feroz e magnífico, nenhum movimento seu parecia escapar ao olhar da fera, reluzindo feito magma fervente.
     O mago que conduzia com destreza o dragão, também parecia determinado e estava armado com arco e flecha.
      Ainda que Jang fosse veloz com suas asas, não conseguiu desviar de duas flechas que vieram cortando o ar em sua direção.
     Quando foi atingida pela primeira que atingiu uma de suas asas, soube que não se tratava de uma simples flecha. Era feita com elementos mágicos e em vez de perfurar sua asa, penetrou como um raio por ela e se injetou em suas costas.
   Não estava ferido, mas intensamente atordoado, uma corrente elétrica parecia ligar cada célula de seu corpo.
    Foi nesse instante de atordoamento que a segunda flecha colidiu com seu peito.
    Ninguém além de Jang saberia descrever a sensação de explosão íntima, um cataclismo que derrubou e destruiu todo o anterior, tudo que Jang julgava ou queria ser. Uma força maior do que ele, mais forte que seu querer se debatia loucamente para sair.
     E apesar das escamas parecerem imunes a lâmina dupla de sua espada, naquele segundo seguinte, a mesma espada agora banhada com uma luminescência espectral decepou a cabeça do inimigo como se fosse tesoura amolada cortando papel.
     E aqueles olhos de magma que antes o seguiam com persistência mortal, agora desabavam entorpecidos encrustados numa cabeça decapitada.
   
         Sobrevoavam um local onde as antigas construções fixadas em imensos rochedos eram cobertas por vegetação e toda proximidade era demarcada por cachoeiras espantosas em volume, as quedas iam de quarenta a sessenta metros de altura.
    Pousaram por conseguinte numa ponte ligando duas colunas de rochas e construções cobertas por telhados de formato pontiagudo que apontavam para o céu.
     Jang puxou Shou pela mão, correram sobre a chuva persistente e entraram para dentro de uma daquelas formações rochosas que em verdade se dividiam em corredores e câmaras que pareciam não ter fim.
     Abrigados da chuva persistente, puderam parar em meio ao pesado silêncio de suas vozes.
    Jang e Shou fitaram-se, seus cabelos orvalhados.
    A sensação de fracasso entranhada na carne como o frio.
__Acha... Que fomos seguidos?
    A voz de Shou soou baixa, vestida pelo desânimo indisfarçável.
__Não... Não acho.__ Jang retrucou dando uma olhadela pela cavidade por onde tinham entrado.__ Deixamos de ser prioridade quando perderam um dos dragões e magos se feriram em meio a confusão.
    Shou respirou fundo, sentindo como o ambiente estava úmido, chamou suas asas para o aconchego de seu ser e elas recuaram, sumiram e não estavam mais visíveis tão logo Jang tornou a mirar-se em sua direção.
__Eles levaram, Etzel... Quando ainda estávamos na colina de Telure.__ Shou revelou com pesar.
__Como sabe? Foi aquele mago que ficou preso nos destroços quem te contou?
__Foi um dos viajantes que rodeavam os castelo, Jang... Havia uma barreira mágica em torno do castelo, mas passei por ela. Fui atrás de respostas, qualquer pista que me leve até Etzel.
__Não é indiscutível?__ Jang passou por Shou adentrando pelos caminhos dentro do rochedo.__ Não o levariam para outro lugar que não fosse Miríades, a cidade é como uma fortaleza impenetrável.
__Então... Você sabe onde fica? Leve-me até lá, Jang!
    Jang continuou andando, sentindo continuamente aquela energia pulsando inquieta dentro de si, subjugada naquele momento através de sua força de vontade.
   Tendo que se concentrar para tanto.
   E sem ter uma resposta imediata, Shou o seguiu através daquele corredor, onde havia algumas inscrições nas paredes, símbolos que ignorava e não tinha nenhuma vontade de decifrar.
    Fitou pleno em sua inquietude as asas fechadas nas costas de Jang, as penas com aspecto pesado e mais escuro por conta da chuva. Os passos dele um tanto vagos, denotando um distanciamento anormal.
     Percebendo que somente falara de Etzel, quando Jang poderia ter se ferido... Afinal, ele quem tinha confrontado e vencido um dragão.
__Jang!__ Shou o segurou pelo braço, fazendo-o parar.__ Aquele dragão feriu você?
__Não posso dizer que estou ferido, Shou.__ Jang retorquiu num tom de incerteza, a fitar a parede como se ali nem parede houvesse.__ Embora havia um mago arqueiro controlando aquele dragão e duas das flechas dele me acertaram... Uma delas, bem aqui.
     Jang levou uma das mãos ao peito, onde a flecha feita de magia tinha penetrado e mais que depressa Shou ergue-lhe a blusa num gesto apreensivo, não sabia bem o que pensar ao encarar a pele ilesa.
    Não havia qualquer marca sobre a superfície do peito, a pele íntegra.
   Sentia a mão de Shou carinhosamente espalmada, a preocupação vívida nele.
   Isso fez com que Jang desviasse seu olhar vago num verde anormalmente pálido da parede e o olhasse, tocando de manso a mão de Shou em sua pele.
__Shou... Aqui devemos nos separar.
    Engolindo a seco, seu olhar projetou-se atônito ao ouvir aquelas palavras.
    Palavras inconcebíveis.
    Proibidas...
                                 Impronunciáveis.
   

2 comentários:

  1. Ai, não :"( Chegou a hora, céus...
    Tô pensando aqui que o poder de Jang foi desperto pela flecha... Acho que ele quer proteger Shou.. :/ Meu ruivinho ♥

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    Respostas
    1. Tem razão, foi por causa da flecha (Jang nunca teve contato com magia, até a flecha entrar em seu corpo)... Querer proteger o Shou, com certeza o Jang quer, mas por outro lado, tem algo que o impede...

      Excluir

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