3.6.17

Devalli Demons Capítulo 39 por Golden Moon


Capítulo 39

Eu senti a mão de Dylan se apartar da minha e foi a primeira vez que não me senti inseguro. Pelo contrário, a vigilância do seu olhar e seu cuidado permaneciam em mim, como uma marca. Dei meus passos em direção à estrada e meu namorado sumiu de vista. Comecei a andar pela terra batida, despreocupado. Aquele momento com ele foi mais do que o suficiente para que meu estado tanto físico quanto mental melhorasse, mesmo que tivesse feito uma descoberta desagradável sobre Gilbert.  Eu já imaginava aquilo, mas... O fato de que ele herdava a maldição de um Goon era assustador.



 Erin estar tão perto da nossa família, o perigo que corríamos, e somente eu naquele meio sabia de tudo... Perguntava-me quais eram os objetivos de Erin junto aos Goons, os próximos capítulos daquele pesadelo... Todos estavam amedrontados na cidade e tudo que eu mais queria era desmascarar aqueles assassinos... Mas o que eu poderia fazer? Dylan e sua família planejavam algo, mas... Eu ainda não sabia muito e isso começava a me formigar por dentro. Eu estava no meio de um fogo cruzado, cheio de pontos cegos que eu não sabia como descobrir.

De repente, o trotar violento de cavalos surgiu na estrada e, quando olhei para trás, uma carruagem cor de creme apareceu na estrada. Eu deveria pensar em uma desculpa urgentemente.

Assim que foi se aproximando de mim, a carruagem diminuía a velocidade, até parar bem ao meu lado. Na janela, o rosto vermelho de Jim surgiu.

– O que está fazendo aqui, Will?

– Caminhando para esquecer os problemas. – respondi, desinteressado

Ele abriu a porta da carruagem e convidou,

– Entra aqui, vamos para casa. – estranhei não ter falado isso com aquele seu tão habitual tom de autoridade.

Ponderei ir caminhando para casa, pois o Dylan e o nosso suor ainda estavam impregnados em mim, mas resolvi atender ao pedido, para não parecer indelicado e não piorar minha situação com o Jim.  Sentei-me a uma distância segura dele, encarando a janela do outro lado.

Não demoramos muito, em alguns minutos já estávamos em casa e Jim não me reclamou por conta do perigo dos ataques dos demônios. Assim que saímos da carruagem, minha mãe surgiu na varanda e não escondeu o susto a me ver sair da carruagem.

– William?! O que estavam fazendo? – disse, quase aos gritos.

– Eu saí um pouco, mãe. Desculpe não avisar.

Ela se aproximou, já com o rosto avermelhado.

– Menino! Você está enlouquecendo. – ela estendeu a mão, pronta pra me inferir aqueles tapinhas bobos no braço.

– Calma, Jasmin. – a voz do meu pai soou tão tranqüila que inevitavelmente olhamos para ele, surpresos. – Erin me afirmou com certeza que o perigo maior já passou. Eu confio em suas palavras.

Quando Dylan me afirmou aquilo, logo depois coisas horrendas aconteceram. Se Erin dizia... Eu realmente não poderia acreditar. Eu subi as escadas um pensando naquelas últimas palavras do meu pai, deixando-os as sós com seus próprios assuntos. Eu precisava dar um fim aos bilhetes do Dylan, mas antes tinha que tomar um banho. Um banho caprichado, mesmo que quisesse permanecer com o cheiro do Dylan sobre mim.

Arthy não apareceu para me receber, ele deveria estar em sua habitual soneca da tarde. Eu sabia que agora deveria estar mais atento aos passos do meu irmãozinho, principalmente quando este estivesse perto de Gilbert.

Tomei meu banho sem me importar quanto tempo fiquei dentro da banheira, naquele momento eu estava lívido, mas uma onda de preocupação logo me abateria, angustiado com o que poderia acontecer dali em diante.

Erin prever que tudo vai ficar bem? Nunca. Logo ele que enganava a todos e se passava de heroi para toda uma cidade, sem falar daqueles de fora que viriam para o baile. Esse maldito baile. Mais uma noite onde eu deveria forçar meus sorrisos e bons modos, quando queria amaldiçoar tudo e todos. Eu envergava sobre a banheira, como se água fosse os milhões de pensamentos que me inundavam a cada segundo.

Eu precisava levantar, eu precisava seguir em frente. Pelo Dylan. Por Arthur... Minha mãe. Aqueles que eu mais amava.

Quando terminei o banho, vesti-me o mais rápido que pude e tranquei a porta do quarto.  Com cuidado, tirei o baú de dentro do gaveteiro. No mesmo local onde eu o guardava, havia algumas atividades antigas da escola, papéis que não me serviam de mais nada. Abri o baú e aquele monte de cartinhas amontoadas umas sobre as outras surgiram e eu não consegui evitar pegar uma e ler em voz alta:

"Saudades de você...Como um todo."

Essa foi a primeira que eu rasguei entre meus dedos, forte o suficiente para produzisse muito estrago, tanto no papel, quanto em mim. Peguei as outras e comecei a rasga-las uma a uma e, depois, foram as atividades da escola. Misturei todo o papel picado, para despistar enquanto levava-os para fora, a fim de fazer uma pequena fogueira.

Enrolei o papel sobre uma manta suja e, finalmente, abri a porta do quarto. A figura de minha mãe apareceu no corredor, curiosa com a troixa que eu carregava.

 – O que é isso, filho? – ela se aproximou, olhando o papel sobre a manta.

 – Atividades da escola que se acumulavam em meu gaveteiro. Vou queimar.

 – Ah, sim. Faz bem. – ela sorriu, indo em direção ao quarto do Arthy.

Preocupei-me em manter a manta bem colada em meu corpo para que nem um pedacinho de papel se desgarrasse, passei pela cozinha sendo observado de cima a baixo com meu "pacote". Quando cheguei ao quintal, pedi a Milan que me trouxesse fósforo e óleo.

Desconfiado, como sempre, ele obedeceu. Antes de me entregar o que lhe pedi, indagou:

 – O senhorzinho não vai fazer besteira, vai?

 – Claro que não, Milan. É só papel inútil. – quando terminei esta frase me impressionei o quanto ela saiu com tanta facilidade.

Ele me entregou as coisas e me olhou de rabo de olho antes de sair para me assistir das escadas da cozinha.  Joguei o óleo por cima e olhei os papéis todos juntos na areia... Acendi o fósforo e num instante o fogo subiu em seu lume vermelho-alaranjado, destruindo parte da minha historia com o Dylan... E alguns papéis inúteis.

Agachei observando o papel transmutar-se em cinzas em poucos minutos. Observei o céu com suas tonalidades vibrantes do fim da tarde... Sentindo vontade de chorar. Porém, o olhar de Milan estava em mim e eu escutei os passos das botas de Jim vindo nas escadas. Olhei novamente para o fogo, esperando suas perguntas.

– Posso saber o que é isso, William? – Para minha surpresa, ele perguntou de longe, sem se aproximar muito de mim e da “fogueira” de papel.

– Atividades velhas. – falei alto o suficiente para que ele não me indagasse novamente.

De longe, eu pude perceber que ele resmungou alguma coisa e depois os sons da suas botas sumiram na escada. O fogo terminava de consumir os papeis e eu me levantei em silêncio, querendo guardar aquelas cinzas em algum potinho.  Milan apareceu ao meu lado, com uma pá em sua mão.

– Deixa que eu termino. Daqui a pouco tudo vira pó.

– Obrigado, Milan – murmurei, tão baixo que nem sei se Milan me escutou. Saí do quintal ainda com os olhos baixados para a terra muito escura. Subi as escadas, ainda com a imagem do fogo rondando a minha cabeça...

Só levantei os olhos quando ouvi a voz fina de Arthy a chamar o meu nome.

– Will!! – ele apareceu na soleira da porta, coçando os olhinhos. Parecia ter acordado naquele momento.

Seus bracinhos se estenderam e eu me agachei pronto para o abraço. Jasmim apareceu na porta, ofegante e muito vermelha.

– Arthur! Acabou de acordar e já corre! – bateu a mão sobre as rendas do seu vestido, visivelmente chateada com seu filhinho mais mimado.

– Deixe-o, mãe. Tudo bem. – beijei os fios loiros do meu irmãozinho e ele se agarrou a minha bermuda, como se me pedisse proteção... O tempo inteiro. Mal sabia ele que seu irmão era um fracote.

O jantar foi entediante como todos os dias, meu pai falando animado sobre o baile e Jasmim continuava calada, recolhida em sua subserviência. Eu simplesmente me fechei durante a noite, pensando no dia de amanhã e na semana agitada que estava por vir. Quando deitei na cama, trancado no quarto, percebi o quanto estava exausto e precisando de uma boa noite de sono para recuperar as forças.  Sorte que eu deitei cedo e não demorou muito para que o sono me dominasse, com a imagem dos papeis desmanchando-se no fogo em minha mente.

2 comentários:

  1. A cena mais triste foi mesmo ter de queimar os bilhetes que guardava com tanto amor ... espero que com o tempo tudo vá ao seu devido lugar

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    Respostas
    1. Ele queimou parte de sua historia com Dylan, mas havia um grande perigo de alguém descobrir, mesmo que estivessem todas trancadas. Dói mesmo tem que queimar memorias tão bonitas..

      Excluir

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