8.6.17

Devalli Demons Capítulo 40 por Golden Moon


Capítulo 40

De manhã acordei como se tivesse me livrado de um grande fardo à noite. Assim que abri os olhos, milhares de imagens se misturavam em minha mente e notei que o onírico se confundia a realidade. Levantei cambaleante, mas meus olhos logo se prostraram ao relógio e meu corpo despertou, ciente de que precisava se apressar.



Hoje eu realmente não podia me atrasar. Tinha arrumado todo o meu uniforme e material à noite e somente tomei um banho rápido para adiantar. Meus pais e Arthur já estavam na mesa, servindo-se do desjejum e meu bom dia soou tão fraco que nem sei se foi ouvido.

Depois de um tempo sentado à mesa, tratei de anunciar:

– Provavelmente não almoçarei em casa. – disse, somente para que minha mãe não ficasse preocupada.

A pergunta veio de quem eu menos esperava:

– Posso saber o motivo, mocinho?– disse meu pai, com seu modo áspero de sempre.

– Um colega precisa de ajuda na matéria... Então ele me solicitou.

– Que lindo, filho...–  minha mãe falou de modo eloquente, de seu jeitinho doce.

Sorri para ela, do mesmo jeitinho como me tratava.

– Tudo bem se vai ajudar um colega. Mas não se demore nas portas. – meu pai não gostava muito que ficássemos muito tempo na casa de outras pessoas, mal sabia ele que eu tanto visitava a casa do Dylan.

Dei de ombros, em uma resposta desinteressada. Eu não quase nada mais tinha a perder com meu pai mesmo. Terminei meu café, apressado, dando adeus a todos da mesma maneira e saí rumo à porta. Meu pai me chamou, não com seu tom amigável do outro dia e me convidou a ir de carruagem. Novamente, não hesitei em aceitar o seu pedido, dada a minha necessidade de chegar cedo.

Eu realmente queria muito ver a reação dos alunos à chegada de Philippe. Ele tinha a personalidade que despertava interesse em todos, além de sua aparência “exótica” entre os meninos. Seus cabelos alinhados aos ombros e aqueles olhos caramelados e felizes fariam as garotas chorarem aos seus pés... E os meninos morrerem de inveja.  Não sabia como ele reagiria à minha presença, mas precisava me preparar para uma rejeição – talvez ele não quisesse uma proximidade muito grande – Ou uma amizade. Porém, eu não me incomodaria em ter a presença dele. Parecia mais afável que o irmão.

Eu estava tão perdido em meus pensamentos que mal percebia a presença do meu pai... Talvez porque ele também parecia perdido em suas próprias reflexões.

Chegamos ao colégio e um estranho “boa aula” saiu em sua voz grossa, respondi desinteressado “bom trabalho”.

Eu entrei, procurando por todos os lados algum sinal de Philippe, mas não vi nem a sua sombra. Entretanto, logo pensei que ele seria “apresentado” a turma do jeito mais formal o possível. Philippe entrará na sala, acompanhado pelo professor. Apresenta-se o nome e de onde veio, todos respondem “bem-vindo” e ele se senta em sua carteira, observado de cima a baixo, sendo o centro das atenções da turma. Quando entrei na sala, logo me acomodei em minha carteira favorita e, como já estava próximo do início da aula, esperei o “espetáculo” começar.

Pouco tempo depois, a turma já cheia, o professor de história entrou, arrumando seus óculos redondos de aro dourado e Philippe veio logo atrás. Um breve sorriso surgia em seu rosto, os cabelos bem penteados partidos de lado, carregava sua bolsa em um dos ombros. Percebi que o rapaz era mais alto que o professor, alguns centímetros. Pararam em frente ao quadro negro e, com eu estava na frente, logo os olhos de Philippe pousaram em mim e seu sorriso se estreitou um pouco mais... Tentei responder, sorrindo timidamente. Logo sua atenção voltava para a turma e, quando eu resolvi fazer o mesmo,todos pareciam ver um fantasma a sua frente.

– Bom dia. – disse o professor, seguindo de um cumprimento mecânico dos alunos. – Este é Philippe D’Greece, vindo da cidade de Geórgia e será o novo colega de vocês.  Sejam educados e dêem boas vindas...

Toda turma, novamente de forma mecânica, deu os boas-vindas a Philippe. Ele respondeu “obrigado”, com um sorriso em seu rosto e, de longe, percebi que algumas meninas fuxicavam algo sobre ele. Começou.  Pensei naquele sobrenome “D’Greece” e por um instante divaguei sobre de onde ele viera... Soava até bonito.

Ele passou por minha fila e sentou-se a duas carteiras de mim. Como imaginei, todos o observavam muito e eu imaginava que Philippe se divertia com a curiosidade de todos. Depois daquele sorriso que ele me direcionou, tenho certeza que me perguntariam de onde eu o conhecia. Eu precisava de alguma desculpa. Talvez ele me ajudasse.

As três primeiras aulas terminaram e eu sentia muita fome, já que meu café foi às pressas. De repente, ouvi uma movimentação atrás de mim e um sussurro fez meu corpo vibrar sobre a cadeira:

– Olá, William Devalli.

Reagindo ao susto, olhei para trás subitamente e o rosto sorridente de Philippe apareceu bem próximo ao meu.

– Não diga isso aqui! – repreendi-o, sabendo do perigo de seus gracejos.

– Qual o problema, Will? – ele vasculhou a sala com os olhos – não há ninguém aqui.

Ele me chamou de Will, mas eu não consegui me incomodar com sua intimidade.

– As paredes podem ter ouvidos – disse, enquanto arrumava meus materiais sobre a carteira. – Você quer comer?

– Quero, vamos. Você aproveita e me apresenta um pouco da escola, coleguinha. – ele se levantou da carteira e sorriu para mim.

Eu ainda estava intrigado com aquele jeito tão energético do Philippe, talvez conversando descobriria um pouco mais sobre ele. Saímos pelos corredores e todas as suas características unidas ao fato de que era um aluno novo levantaram os olhos dos colegas.  Eu sempre me sentia mal com os olhares, mas saber que não era pra mim e sim pare ele, me aliviava. Meu mais novo colega não parecia se importar, olhava a escola com curiosidade, andando pelos corredores até a cantina.

Geralmente eu não faço refeições na cantina, mas hoje não havia jeito. Pegamos o nosso lanche e nos sentamos no pátio, em uma mesa mais afastada do barulho das vozes adolescentes que clamavam por atenção.

– Acho que aqui está ótimo. Percebi que você não gosta do barulho. – ele se sentou à mesa e olhou para mim, que parei em frente ao banco.

– Como percebeu isso? – indaguei, desconfiado.

– Seu rosto não deixa passar despercebido o desagrado – ele mordeu um pedaço da pêra e apertou os olhos, encarando-me.

Eu sabia que às vezes não conseguia esconder quando algo me desagradava, mas como ninguém na escola nunca notava, eu também não me controlava. Contentei-me em soltar um “hum”, e me concentrar em comer, antes que meu estômago falasse algo por mim.

– Pensei que essa escola era menos movimentada, mas acho que me enganei. – ele olhava a sala iluminada por grandes vitrais transparentes, e alunos transitando para todos os Lados. Os olhos dele brilhavam

– O povo dessa cidade gosta de fazer filhos.

Ele não pode evitar o riso.

– Em Georgia acontece o mesmo. Minha família mesmo adora.

Pensei novamente no “D’Greece” quando citou sua família. Eu queria descobrir mais, então não podia me inibir.

– Posso te fazer uma pergunta? – perguntei, sem perscrutar seus olhos.

– Claro, não precisa de cerimônia.

– De onde vem o D’Greece?

Ele colocou os cotovelos sobre a mesa e eu imaginei minha mãe gritando com ele, a reclamar que era “deselegante”. Logo aquela imagem sumiu da minha cabeça e eu foquei em meu companheiro.

– É meu sobrenome por parte de mãe. Meus pais adotaram esse e deixaram de lado o Devalli. Você vai conhecer minha mãe hoje. – seu tom de voz se tornou mais baixo, para que não ouvissem o “Devalli” ser mencionado em nossa conversa.

– Assim vocês podem transitar tranquilos, não?

– Na verdade, qualquer um de nós pode. Conseguimos fácil adotar outros nomes, sob influência. Dylan que não teve essa sorte.

– Como? – curvei meu corpo, interessado.

– Seus pais foram expostos por um jurista que se recusou a mudar o nome deles. A cidade inteira ficou sabendo a verdadeira identidade dos Devalli. – o sorriso desapareceu do seu rosto, ele sabia do sofrimento do Dylan.

– Se não fosse por isso, Dylan... – baixei os olhos para meu prato, pensando no choro de Dylan do dia anterior.

– Poderia estar entre todos sem problemas... Ninguém saberia de sua descendência.  – ele deu de ombros, sem nenhum tipo de expressão zombeteira em seu rosto.

Eu baixei os olhos, sem entender muito bem o porquê ele ainda permanecia naquela cidade, sem poder estar entre a sociedade, como qualquer outro parente seu vivia. Aos poucos eu entendia de onde todas as lágrimas dele vinham, e de tudo poderia fazer para ajudá-lo.

2 comentários:

  1. Eu gostei do Phillipe, menino simpatico, conversador e bem alegre, tem espirito bem jovial (quem diria que ele é um demonio kkkk)
    Acho que o Willian está a entender que tem muita coisa que ainda não sabe e quer saber acerca do namorado

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    Respostas
    1. Sim, sim! Ele é uma gracinha, né? *-* Um pouco diferente do irmão é que mais sisudo..
      É verdade, há muito sobre Dylan que ele ainda não sabe... Mas logo mais saberá ^^ Elizabeth será de boa ajuda :)

      Excluir

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