25.6.17

Devalli Demons Capítulo 42 por Golden Moon


Capítulo 42

Chegamos à rua dos Weissman e a janela onde eu observava dava para ver a casa deles bem à frente. Os jardins estavam vazios.. E a imponência daquela mansão sempre me deixava encantado. Subimos um pouco mais a rua e entramos em um beco sem saída, onde as paredes de tijolos eram cobertas por heras de um verde escuro.



Logo, ouvi o barulho do portão se abrir e suas grades de ferro eram cobertas por roseiras e folhas. O jardim era amplo, muito arborizado. Os sons de pássaros invadiam o ambiente, misturado ao barulho de água jorrando sobre uma fonte no centro do jardim. Senti a sensação de entrar na floresta das imediações da Chácara... Tudo muito confortável para mim.

A carruagem parou em frente à escadaria que nos transportava à soleira da porta, tudo pronto para nos receber. Assim que desci da carruagem, olhei para cima, encantado com o ar sombrio daquela mansão escondida. As janelas tinham formatos de arcos e as paredes cinza me davam a sensação de mistério.

De repente, fui despertado por um miado fino e, quando olhei para baixo, uma "nuvem" peluda e muito escura vinha na direção dos recém-chegados. Os únicos detalhes que o destacavam eram coleira e os olhos, ambos de um dourado estonteante.  Louis se agachou e agarrou o gato, como se este fosse seu bebezinho indefeso. Ele realmente parecia diferente.

– Acho que Isis sentiu sua falta, Loui. – a voz de Dylan surgiu vinda da escadaria, assim como seus passos. Logo meus olhos estavam presos nele.

Louis olhou para meu namorado, e eu estranhei o fato de que ele não se irritou com o apelido, apenas sorriu para Dylan e depois estava mimando sua gata novamente.

Dylan se aproximou de mim e me agarrou pelos ombros. Beijou a minha testa e eu fechei os olhos, ciente de que aquele local era muito familiar pra mim. Respondi, jogando meus braços em torno do seu pescoço. Os meninos não reagiram, nem olharam para nós e aquilo me deixava aliviado.

– É uma gata muito bonita. – comentei, observando o bichinho receber mimos do seu dono.

– E mimada. – completou Philippe, assemelhando-se a uma criança ciumenta. – Vamos? Estou faminto.

Subimos a escadaria e eu esperava dar de cara à Elizabeth, na sala de visitas. Porém, passamos pelo hall iluminado, não havia ninguém. Desembocamos na sala de estar, que não fugia do ar sinistro da mansão. Os móveis eram muito detalhados em preto, prateado e estofados e tecidos escarlate.

Ainda com seu gato no colo, Louis de sentou no sofá e Isis de aninhou nas pernas dele. Acompanhei Dylan a me acomodar no assento e Philippe veio até mim, amigável,

– Deixe-me guardar sua bolsa. Coloco em meu quarto. – ele estendeu a mão e eu o entreguei, agradecendo-o.

Logo ele fugiu escadaria acima, com as duas bolsas tiracolo sobre os ombros.

Juntei as mãos sobre as pernas, sentindo que aquele ambiente antes confortável estava começando a me afligir, não entendia muito bem o porquê. Louis tinha sumido repentinamente com sua gata e agora eu e Dylan estávamos sozinhos, calados por alguns instantes.

– Fique calmo. Ela só quer conversar com você. – Dylan pegou uma mecha do meu cabelo e a acariciou entre seus dedos.

– É a líder de vocês, não tem como ficar calmo – baixei a voz, pensando que alguém poderia surgir de repente.

–Você é muito bem-vindo, William – uma voz suave e feminina surgiu das escadas, realizando o meu temor.

Senti o corpo estremecer ao ouvir aquela voz e, como reflexo, meus olhos se viraram para lá automaticamente. Os cabelos cacheados muito volumosos encobriam o rosto da moça, o vestido de um verde escuro se perdia aos nuances de sua pele negra... Os dedos finos passavam pelo corrimão da escada e Elizabeth parecia flutuar em cada degrau, na leveza de seus passos.

Quando ela finalmente chegou à sala, eu pude vislumbrar o seu rosto... Confirmei: Era a bela moça que me observou no dia anterior. Os lábios vermelhos naturalmente sorriram para mim e seus olhos muito escuros pareciam conhecer todos os meus segredos. Ela tinha uma feição muito jovem... Não minto que esperava alguém de mais idade.

Eu e Dylan nos pusemos de pé. Os barulhos de seus saltos se tornaram ainda mais altos sobre o assoalho de madeira e, por um momento, interrompi a respiração. Ela se aproximava lentamente e sua aura não mais me inspirava medo. Elizabeth parecia muito mais amigável.

– É um prazer conhecê-lo – ela estendeu a mão para mim, ainda sorrindo.

– O prazer é meu, Sra. Elizabeth – tal qual um bom lorde, curvei-me e beijei sua mão.

– Espero que se sinta confortável entre nós nesta tarde. Podem se sentar novamente – ela se adiantou a se sentar no sofá e nós a acompanhamos. – Obrigada por trazê-lo aqui, Dylan.

– Não há de quê, Lizzy. William tem me indicando muitos problemas por aqui.

Lizzy”? Olhei para Dylan, não com ciúmes, mas estranhando a forma como a “chefa” era tratada. Talvez eu tivesse uma ideia completamente errônea sobre a família deles.

– Onde está Ivan?

– Ele saiu um instante, precisava resolver alguns assuntos na cidade. – ela arrumou o vestido sobre o assento do sofá, de forma graciosa... Quase meiga. Seus cachos se movimentavam na mesma leveza de seus gestos, eram bonitos, bem arrumados.

Eu a observei, enquanto ajeitava o tecido sobre o sofá, curioso por aquela família.

– Ivan é meu esposo, William.  Tem gostado muito de negociar com os comerciantes desta cidade. Provavelmente já conheceu seu pai.

Assim como Dylan quando o conheci, ela também já ouvira falar da minha família.

– Ele sempre fala sobre os negócios no jantar. Não imaginava que o rapaz novo e ousado que ele indicou ontem fizesse parte da família de vocês. – disse, já sem muito nervosismo com a aproximação dela.

Dylan e Elizabeth riram juntos, provavelmente me achando bobo por aquelas palavras.

– A maioria dos nossos está espalhada por aí, interagindo e vivendo com todos.

Percebi que Dylan olhou para baixo, aquelas palavras de Elizabeth não poderiam se aplicar a ele. Os olhos negros dela se concentraram em meu parceiro e, a julgar pela firmeza de seu olhar, ela sabia muito bem que aquilo o afetava.

– Dylan, tenha certeza que Louis estará em reta guarda agora. Você não estará mais sozinho aqui. – havia a rigidez de uma líder, mas carregada de uma graciosidade que, de certa forma, lembrava a minha mãe.

– Sim, Lizzy. Obrigado.

Olhei para Dylan, que já havia se recomposto e depois para Elizabeth, que sorria com doçura.

Uma mulher de um pouco mais de idade surgiu vinda da outra sala ao leste. Suas mãos permaneciam presas ao colo, a expressão fechada, seus passos eram mais firmes que os de Elizabeth.

– William, esta é a mãe de nossos Louis e Philippe, a Grace.

A mulher não se aproximou para cumprimentar-me, apenas meneou a cabeça e disse,

– Prazer em conhecê-lo, William.

Respondi da mesma forma.

– O almoço está servido – completou.

Ela saiu da mesma forma que entrou: passos firmes, a expressão fechada e as mãos unidas sobre o colo.

– Bom, podemos continuar nossa conversa depois. – ela se levantou – Vamos almoçar.

Elizabeth saiu na mesma direção em que Grace sumiu e eu olhei para Dylan, sabendo que precisava me higienizar antes de comer.

– Preciso de um lavabo, Dylan.

– Ah, claro. – Dylan logo se levantou e andou na direção oposta à de Elizabeth. Eu o acompanhei observando a casa de cima a baixo.

Logo chegamos a um corredor cheio de quadros de bustos, que eu acredito serem personalidades da família, assim como na residência de Dylan. O lavabo era maior do que o normal, de tons opacos, destoando de toda a casa. Dylan adentrou comigo, deixando a porta encostada.

Enquanto mantínhamos as mãos sob a água corrente, comentei:

– Elizabeth é muito doce.

– Ela é um amor, mesmo. Mas sabe ser rígida quando é necessário. – ele soltou um riso fraco, quase tímido. – Philippe se comportou no colégio? – disse, desligando a torneira.

– Sim e parece ter gostado de lá. Ainda me salvou em uma atividade de matemática. – enxuguei a mão em uma toalha felpuda cor de sangue, entreguei a Dylan assim que terminei.

Ele sorriu ao ouvir minha ultima frase.

– Lippe é um gênio nos cálculos. Fique grudado nele.

– Foi ele que se propôs a fazer dupla comigo... Acho que vamos nos entender bem – pousei a mão sobre o ombro de Dylan, então ele se inclinou e beijou a minha bochecha. Eu amava suas carícias tão pequenas, mas cheias de afabilidade.

Por um instante, pensei no quanto aquela tarde poderia ser confortadora pra mim, se não fosse o motivo para o qual eu estava ali.


2 comentários:

  1. Oi Golden
    Olha que amei o facto de o Louis ter uma gata *-*
    Toda a familia do Dylan parece ser amigavel (nada demoniaca nem essa lider)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Rima-san! Tudo bom?
      Essa gatinha é um amor, combina com o Louis ;)

      Eles são muito amigáveis mesmo, William vai gostar muito dessa família :)

      Excluir

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