27.6.17

Ghost Memory Capítulo 1 por C.C


Ghost Memory


                      Prólogo


O silêncio quase excessivo afastava até o mais pequeno animal que guiado pelo instinto percebia o perigo eminente.
A era dos assassinatos em série fazia da policia a profissão mais ocupada do momento. Não significava que fossem muitos os criminosos mas o profissionalismo e criatividade perversa aumentava a cada dia complicando o trabalho dos defensores da paz.
Pela rua deserta uma faca banhada de sangue pingava sobre o asfalto frio da noite. Os olhos opacos espelhavam o céu escuro materializando as sombras que rodeavam o coração do homem que empunhava a arma.

Nas suas costas um ferimento que não parecia incomodá-lo não o deixaria esquecer no futuro o peso que carregava sobre os ombros.
Não era como se matasse porque quisesse, ele matava porque se achava no direito após o que passara.
Sabia que um dia seria apanhado e pagaria por todos os seus pecados mas era mais forte que ele próprio, a sua razão pedia por aquele desfecho. Quando acordasse no dia seguinte não restaria nada que o fizesse lembrar do que acontecera para além da camisa ensanguentada largada no canto.
Mas nem sempre as crónicas de um assassino acabam como ele deseja e quis o destino que, para alguém que não merecia redenção, lhe fosse dada uma segunda oportunidade.
E agora em vez de um fim recebeu uma continuação mas será que uma dádiva vem sem castigo?


                                                             Capítulo 1


Não se podia dizer que a vida corresse mal. Apesar da crise a maioria das pessoas conseguia aguentar-se mesmo que insatisfeitas. Não eram tempos dourados mas também não eram tempos negros.
A hora de ponta, onde a maioria da classe trabalhadora se juntava na rua a fim de regressar a casa, espelhava essa realidade. Era quase como assistir a um desfile de circo com todas aquelas "aberrações" no mesmo lugar. Afinal cada um deles tinha o seu lado feio e obscuro que escondia com todas as forças.
Entre essas dezenas, senão centenas, de pessoas um homem alegrava-se com todo aquele misto de normalidade. Sair do trabalho, ir para casa, ser recebido pela esposa. Para muitos podia parecer monótono mas para ele era a escolha que o fazia mais feliz. Ou melhor, confortável.
- Bem-vindo querido. - A mulher de avental e com o longo cabelo louro apanhado cumprimenta-o aproximando-se e dando-lhe um beijo na face. - Como correu o dia?
- Foi bom. Muito trabalho mas nada que não estejamos habituados.
- Vai tirar o fato, o jantar está quase pronto.
Chegando ao quarto um suspiro involuntário faz-se ouvir. Talvez a normalidade que tanto desejava não precisasse de incluir o casamento. Sentia que todos os dias se passava a mesma coisa, como se vivesse um loop temporal sempre que entrava naquela casa. As mesmas ações, o mesmo diálogo. A monotonia que tanto queria mas que contraditoriamente começava a incomodá-lo.
- Querido, amanhã é a tua folga certo?
- Sim, porquê?
- Achas que podias ir comigo ao cemitério? É o aniversário da morte dos meus avós. Já que depois vou passar alguns dias a casa dos meus pais para preparar as cerimônias de homenagem.
- Claro. - Por momentos os olhos do homem brilharam de expetativa. A razão por não gostar de estar sozinho era que todos os seus fantasmas apareciam para o relembrar que a máscara que usava não apagava o que fizera. Mas naquele momento da sua vida começava a achar que a mulher que pensava ser a esposa perfeita afinal não era assim tão perfeita.
***
Finalmente conseguira habituar-se a viver apenas do trabalho de contabilista. Mesmo já praticando aquela profissão antes não era fácil controlar os outros impulsos que o tentavam forçar a outras atividades. Especialmente quando caía a noite.
Para evitar estar sozinho passara a ir beber com os colegas do escritório todas as noites, prática que se revelava nada ideal para a sua cabeça.
- O que tu precisas é de uma mulher.
- Há algumas miúdas giras lá no escritório.
- Qual escritório! Ele precisa é de uma mulher a sério! E gira.
- Como aquela?
Todos olhavam na mesma direção. Um grupo de raparigas num canto oposto ao deles também parecia interessado na possível convivência.
- Bom olho! Vamos até lá.
Pela primeira vez fez-se notar na conversa, que por acaso era sobre ele, impedindo o colega de se armar em cupido e tentar arranjar-lhe uma namorada.
Claro que isso gerou uma discussão de amigos que apesar de não ser séria incomodava alguns dos clientes do bar.
- Desculpem, podiam fazer menos barulho por favor? - Uma bela rapariga loura vestida de modo que indicava um trabalho rígido aproximara-se para demonstrar o seu desagrado. - Tu pareces ser o mais sensato por isso mete juízo nos teus amigos. E já agora, este é o meu número.

2 comentários:

  1. Nossa essa história parece cheia de mistérios...
    Me fez lembrar um pouco o ambiente de pycho-pass, acho que vou gostar :)

    ResponderExcluir
  2. Bem interessante aura de mistério que a estória passa. O personagem principal parece esconder algum mistério estranho e a sua mulher também... Curiosa para o próximo capitulo ^_^

    ResponderExcluir

Oi! (◍•ᴗ•◍)
Veio comentar?
Cada autor desse blog recebe um imenso incentivo a cada comentário.
(Comentários anônimos também são bem vindos ^^")
Agradecemos sua opinião! ٩(๑•◡•๑)۶
Mas, se for apenas comentar sobre erros de gramática, isso é dispensável.

Siga-nos no Facebook

o
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...