8.6.17

Linden Twins ♫ ♬ Capítulo 43 por Mel Kiryu


Capítulo 43

               Pequeno prólogo

     " __Eu só quero perguntar uma coisa...__ Luciel suspirou breve, sem buscar Jiang com o olhar.__ É verdade que você pediu ao Syaoran para ficar morando contigo?
            Recaiu um silêncio mínimo.
__Mas... O que...__ Jiang já ia respondendo com outra pergunta, coisa que Luciel tratou de interromper.
__Apenas responda, Jiang!  
__Eu pedi sim, Lu...__ E admitiu, miseravelmente desarmado.__ Só que...
__Chega disso, Jiang.__ Luciel rebateu num tom tão cavo quanto incisivo.__ Eu preciso de um tempo longe de você.

    Não pode evitar que Luciel se afastasse, seus dedos suavam frios e não conseguiam se prender mais ao couro.
__Volto outra hora para pegar o resto do material.
    Foi tudo que Luciel disse antes de passar abaixando-se pela porta da loja aberta pela metade."

        Tinha sido sua última conversa com Luciel.
      Ainda que a voz dele estivesse infinitamente fria ao dizer: "Volto outra hora para pegar o resto do material", Jiang se encheu de esperança e pensou que pudesse voltar a vê-lo, ter uma mínima oportunidade de conversar e pedir perdão.
        Mas, Luciel não voltou.
 
                                                                  ********
              Aquela noitinha de segunda

         Syaoran desabou sobre suas costas completamente ofegante.
        Era uma parte importante pós-sexo, o instante em que os amantes desfrutavam do sossego que sobrevinha e recaía como um véu diáfano em suas nudezes.
      Jiang sentia a pulsação do coração vigoroso de Syaoran em suas costas, enquanto seu próprio coração começava a desacelerar devagar. O corpo dele ondulando discretamente sobre o seu a respirar, soltando um suspiro doce que se misturava com um beijo em seu cabelo.
    Às vezes, Jiang cochilava após o sexo com as garotas.
    Mas ao contrário das sensações conhecidas, do comum, estava irrequieto.
    O pênis de Syaoran encolheu e abandonou sonolento sua cavidade anal.
    Jiang se moveu, colocaram-se lado-a-lado na cama e ao se recostar no ombro de Syaoran, tocou a si mesmo deslizando o indicador entre as nádegas.
     Nem Syaoran ou Jiang haviam dito qualquer coisa desde as sensações do orgasmo.
     Somente quando examinou o próprio dedo, viu na ponta, cobrindo parte de sua unha um rastro de carmesim vermelho vivo.
    Syaoran que estava atento, segurou zeloso em sua mão a encarar seu dedo manchado de sangue.
__Por isso eu queria ter ido devagar...__ O cochicho de Syaoran exalava cumplicidade ao beijar a mão de Jiang.__ Não queria ter te machucado.
     Seu jeito de mostrar que não se importava, foi lamber o sangue no próprio dedo num gesto revestido de indiferença, sua mão tomada pela de Syaoran era a divisora entre seus rostos.
__A dor foi só uma pequena parte... Em vista do prazer que eu senti, Syaoran.
    O semblante de Jiang não inspirava apenas sossego, mas também uma sutil melancolia ao trocarem olhares sobre aquela cama, ainda desnudos e demoradamente.
    Ao ver Jiang lamber o sangue em seu próprio dedo, tendo um distanciamento discreto estampado na tez, Syaoran foi fulminado pela lembrança de Huang.
    E  por causa disso, pela lembrança que o atravessava tão brutalmente, Syaoran foi forçado a se calar, negar seu olhar.
     Era perturbador olhar Jiang e perceber que sentia falta dos olhos ferinos e sensuais de Huang, que a despeito da cor que tivessem, eram sempre quentes como uma febre incessável.
     Os olhos que mesmo após o sexo o encaravam e provocavam de uma forma única.
     Assim que ambos tornaram a silenciar, a mão de Jiang escorregou por seus dedos e ele sentou-se na beira da cama, de costas e ainda despido.
      No que Jiang estaria pensando ao tentar sufocar a intenção de suspirar, sem poder reter de todo a melancolia que parecia sentir?
     Syaoran observou a tatuagem nas costas de Jiang, aquela clave de fá com asas de borboleta e abriu um sorriso ao pensar que o desenho meigo fazia parecer que fitava as costas bonitas de uma garota.
     Outro pensamento lhe ocorreu, ao passo que a voz de Jiang ressoou.
__Se não se importa... Quero tomar um banho antes de dormir, meu traseiro está todo melado.
__Não está reconsiderando a ideia de dormir abraçado comigo... Está?__ Syaoran brincou.
__Mas, é bobo mesmo...__ Jiang escarneceu de leve, dando uma olhadela nele por cima de seu ombro.__ Se eu fiz sexo contigo, evidente que não me importo de dormirmos abraçados.
    E nisso, Jiang deixou a cama.
    Sua silhueta absolutamente nua movia-se sob o olhar metade fascinado e metade curioso de Syaoran.
__Ei, Jiang... Essa tatuagem nas suas costas, foi o Luciel quem fez?
    Estava puxando uma toalha de dentro de uma das gavetas da cômoda e Jiang prendeu a respiração por um instante quando ouviu o nome de Luciel. Fechou seus olhos por dois segundos sem se mover, a apertar a toalha contra seu peitoral.
__Foi sim... Tanto a minha tatuagem quanto a de Huang, foi o Luciel quem fez.
__Depois dessa noite... Você não pensa mais em namorar com ele, né?
    A pergunta tinha um ar infantil, parecia ter sido feita por um garoto de nove anos.
__Não quero pensar nisso agora, Syaoran.__ Jiang redarguiu, algo mais seco.
__Sei, mas...__ Syaoran se ajeitou na cama, a fitar despreocupado o teto.__ Nós fizemos sexo e eu não volto mais para Shoei se você me pedir.
__Você acha mesmo que dá pra esquecer o Huang tão facilmente?__ Jiang questionou a se virar, a encarar Syaoran friamente.__ Ou isso é ainda por que estar comigo é quase como estar com ele? Eu quis fazer sexo! Mas, não venha me perguntar o que acontece depois disso!... Ter feito sexo não muda o fato de que você é namorado do Huang e eu ainda sou e sempre serei o irmão gêmeo dele... Se não fosse o fato de nós dois estarmos ligados ao Huang, essa noite... Esse sexo... Jamais teria acontecido.
     Tendo o dito, Jiang deixou o quarto.
    Dizer o que pensava em viva voz o lucidava da pior maneira.
    Trazia-lhe o peso da total ausência de paixão.
    Paixão esta que enquanto ardira, o motivara a realizar seus desejos.
    Desejos que agora considerava tão fúteis e o prazer acarretado por estes desejos tão efêmeros.
 

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