27.6.17

Linden Twins ♫ ♬ Capítulo 54 por Mel Kiryu


Capítulo 54
 E a despedida de Jiang

    O sol adentrava pelos espaços sutis da persiana de bambu.
    Assim Syaoran despertou completamente só, deitado no sofá cama de casal.
    Havia dormido no lado que comumente ocupava e logo que subiu as pálpebras preguiçosas, mirou-se no espaço vazio que em várias noites fora ocupado por Huang.
    Syaoran deslizou devagar o corpo e tocou o espaço frio e ao esfregar de leve o nariz no tecido aveludado, sentiu o aroma entranhado do corpo de Huang.
    Essa foi a primeira vez que percebeu que o odor corporal dos gêmeos era diferente.

   Jiang exalava uma fragrância corporal muito suave. Enquanto a pele de Huang destilava um aroma mais denso e marcante.
   Pensar assim distraidamente nos irmãos Linden, fez Syaoran perguntar a si mesmo que horas seriam.
    Jiang já teria acordado?
    Fez essa pergunta a si mesmo e respirou fundo a se espreguiçar. Ouviu seus ossos e juntas estalarem e um leve formigamento indo dos dedos que se dobravam até a sola dos pés despidos.
     Esperava encontrar Jiang na sala.
     Mas, antes foi até o banheiro sujo de sangue e vômito. Tentou ignorar o caos a sua volta a urinar, lavar depressa as mãos e o rosto. Salpicando gotículas frias em seu próprio cabelo.
     No entanto, encontrou a sala vazia.
     Seu estômago roncou e o som se propagou alto em meio ao silêncio matinal.
     As almofadas estavam indiscutivelmente amassadas, mas arrumadas em seus devidos lugares.
     Tinha também dado uma espiada casual na cozinha, mas estava igualmente vazia de qualquer alma.
      Estava quase abrindo a porta num gesto impensado, tal como fosse surpreender Jiang no corredor, quando enfim percebeu algo diferente sobre a mesinha baixa.
      Não havia sinal da bolsa ou de qualquer pertence de Jiang.
     Notou um porta lápis que costumava ficar perto da secretária eletrônica sobre a mesinha baixa, havia algo por baixo dele.
     Syaoran sentou se com as pernas cruzadas ao lado da mesa, deu uma coçada na própria nuca e ergueu com uma das mãos o porta lápis.
     Puxou o que parecia ser um bilhete dobrado e nisso cédulas de dinheiro caíram em seu colo.
     Bufou, inflando as bochechas e começou a correr o olhar nas palavras escritas num falho azul.

      Syaoran, dentro do bilhete está seu pagamento pelos dias que trabalhou na loja. Fiz as contas de cabeça, mas acho que está tudo aí.
    De qualquer modo, desculpe não ter ficado para lhe dar bom dia. Seria muito difícil para mim lhe desejar bom dia seguido de adeus.
    Não pense que não me importo, minha vida toda mudou por sua causa. 
    Esse é o tipo de coisa que nem dá para esquecer.
     Obrigado.
                      E seja feliz.
                                           Jiang

      Syaoran não tinha um lugar para chamar de seu, não tinha um lugar para voltar ou uma família que estivesse a sua espera.
       Tudo que ele tinha era uma carta de amor de seu namorado suicida e uma carta de despedida do irmão de seu namorado com quem quem tinha tido um caso amoroso.
           Apertou o bilhete na palma e olhou para o dinheiro caído desordenado em seu colo.
       Ao partir a primeira vez de Shoei em busca de Huang, tinha abandonado seu emprego num frigorífico.
      Tendo tão pouco, não havia muito o que pensar.
      Tão pouco se importava.
      Definitivamente, não tinha qualquer coisa a perder.
      Guiado por seu impulso amoroso e sua inquebrável devoção, tinha para si que seu destino estava no mesmo lugar em que habitavam os irmãos Linden.

                 "Jiang... Você está enganado. Isso de jeito nenhum pode ser uma despedida."

       Pensava em comprar um desjejum, já que parte do dinheiro estava espalhado em seu colo. Também cogitou comprar cigarros, mas se lembrou que estava tentando parar de fumar desde sua última conversa pouco ou nada amigável com Luciel.
       Era uma boa fazer a grana que tinha recebido durar, certamente tinha uma passagem de trem para comprar.
       Ia colocar mais mudas de roupas em sua mochila dessa vez, havia outros pertences seus no baú do quarto.
       Pouco depois estava terminando vestir-se na sala, descendo a camisa algo justa no corpo jovem e definido quando ouviu batidas na porta.
    Alternou seu olhar entre sua mochila e seu violão metido capa, como se conferisse que não estava esquecendo de nada antes de atender.
    E deparou-se com as feições de Dai e Sying.
__E aí, cara?...__ Dai cumprimentou.__ Estamos de saída para o hospital, vem com a gente?
__Vou sim... Só vou pegar minhas coisas e deixar a chave do apartamento na portaria.
__Ah, é?__ Dai lançou uma olhadela furtiva para dentro do apartamento.__ E cadê o Jiang?
__Nem adianta procurar.__ Syaoran sorriu sem mostrar os dentes.__ Ele voltou para Kuan... Bem cedo, me parece.
__Ele nem se despediu?__ Sying tinha um tom neutro, embora levasse num impulso nervoso uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
__Não, ué...__ Syaoran quase fez uma careta num dar de um ombros.__ Mas, me deixou um bilhete.
__'Tá dizendo que vocês passaram a noite juntos e ele se mandou sem mais?__ Dai inqueriu acintoso.
__Dai, quer parar com isso?__ Sying censurou, seu tom tímido pincelado com mágoa.
         Mas, Syaoran encarou Dai com notável impertinência a sorrir de lado.
__É, Dai.__ Syaoran refilou, seguido à censura de Sy.__ É muito cedo para se iludir, nem são dez da manhã.
      Dai limitou-se a meramente lançar um olhar de desprezo, o que não passava de uma reprise.
        Jamais gostara de Syaoran, não havia muitos modos diferentes de encara-lo.
        De maneira que Dai costumava se alternar entre a indiferença dolente e o desprezo ácido.

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