2.7.17

Devalli Demons Capítulo 43 por Golden Moon


Capítulo 43

Saímos do lavabo, no caminho para a sala de refeições, encontramos o Louis. Quando adentramos no salão, muito iluminado, Elizabeth, Grace e Philippe já se encontravam sentados à mesa, apenas nos esperando para se servirem.

Durante todo o nosso almoço, conversamos sobre assuntos diversos, sem passar por palavras como “demônios”, “mortes” ou “ataques”. Elizabeth e os meninos eram bastante alegres, riam bastante. Apenas Grace comia quieta, reduzindo-se a comentários que julgava necessário. O contraste do humor dela ao dos filhos era enorme, diferentemente da aparência, a qual ninguém poderia negar o parentesco.  Após o almoço, comemos um delicioso doce de abóbora como sobremesa, e eu não conseguia deixar de me lembrar dos quitutes preparados na chácara.



Seguimos, então, para a varanda coberta da sala de estar, cuja vista para o jardim da casa era uma das visões mais bonitas que já tive. Havia árvores e flores, além de uma pequena fonte escondida entre arbustos de um verde vibrante. Philippe se esgueirou para as escadas, alegando que não gostava daquele tipo de conversa. Então eu e Dylan nos acomodamos no sofá, seguidos por Elizabeth e Louis que se empoleiraram nas poltronas, a frente de nós.

Elizabeth admirou por alguns instantes as borboletas alaranjadas que rodeavam um pequeno vaso de flores, depois seu olhar profundo mirou em mim, preservando a mesma gentileza e despreocupação de outrora.

– William, nosso primo nos falou sobre o caso do seu tio... – ela começou a fala, não muito séria, mas aquele assunto já me deixava nervoso. Quando Louis voltou seu olhar para mim, eu tremi da cabeça aos pés.

– Sim..E tudo tem ficado cada vez mais estranho depois do ataque na floresta.

– O que mais você tem a nos dizer? – ela uniu as mãos sobre o colo, agora mais séria, porém não me inspirou medo.

– O filho dele. Meu primo, Gilbert.. Tem apresentado agressividade e febres... – meu olhar não conseguiu mais sustentar o dela. Vagueei o olhar para o jardim, já sem saber com continuar.

– Expliquei para ele que são sintomas de maldição. – completou Dylan, incisivo.

Quando corri meu olhar novamente para Elizabeth novamente, ela não esboçava nenhuma reação. Continuava na mesma posição de antes. Já Louis parecia inclinar-se para frente, a fim de nos ouvir melhor.

– É o que nós já havíamos deliberado, Dylan. Eles querem nos enfrentar novamente. – explicou Elizabeth.

Minha atenção oscilou entre Dylan e sua prima, meu companheiro apenas meneou a cabeça, sem expressar nem uma palavra.

– Como assim? – indaguei.

– Will... Permite chamá-lo assim? – ela piscou os olhos, de um jeito fofo.

– Claro.

– Possuímos territórios, Will. Essa região de Virginia, Georgia, um pedaço da capital e mais algumas cidades vizinhas... – gesticulou as mãos, de um jeito gracioso – estão sob os nossos domínios, certo?

Meneei a cabeça, prestando atenção nela, como se estivesse em uma aula.

– Claro que os Goons invadem de vez em quando, como acontece em todas as nossas cidades... Inclusive aqui em Virginia.

– Boa parte deles é expulsa pelo Dylan... – completou Louis.

– Sim... Mas dessa vez... – ela pôs a mão sobre o queixo, pensativa – eles estão tentando tomar esta cidade, novamente.

Eu já digeria aquelas palavras sem muita dificuldade, entendia toda situação.

– Então... Há uma disputa de poder entre as raças?

– Isso mesmo, William – respondeu Louis.

– Se não fosse por você, Will, provavelmente não descobriríamos isso a tempo. – Dylan me observou, com ternura, e eu senti o calor da sua mão sobre a minha, apertando-a brevemente.

– Você deve ter cuidado, Will. Dylan sempre conseguiu mantê-los longe, apesar de que algumas mortes são inevitáveis – a voz dela abaixou repentinamente, parecia triste.. – Mas agora ele não pode mais ficar sozinho tomando conta desta cidade.

– Vou passar uma temporada aqui com minha família – completou Luis, muito sério – Mas a depender do caso, ficarei permanentemente.

Apertei a mão de Dylan, retribuindo sua carícia, ao mesmo tempo em que estava ciente de que ele também precisava do meu apoio, mesmo que eu não tivesse os mesmo poderes que ele.

Era estranho eu cooperar junto a criaturas sobrenaturais, que poderiam me matar a qualquer momento.. Mas meu amor por Dylan me envolvia demais, o jeito como ele me tratava e me acolhia... Eu poderia ser apenas um instrumento para os seus familiares, mas não importava enquanto eu estivesse junto a ele.

– Bom... Eu e Ivan vamos ficar até o baile. Georgia é minha cidade, meu campo de ação. – ela arqueou as sobrancelhas, um pouco mais incisiva do que o normal – Não gostamos muito desta ideia de baile, pode ser perigoso.

– É muito estranho ser tão rápido... – disse, pensando na preparação durante o jantar.

– Nos questionamos isso o tempo inteiro – Louis pareceu falar mais para si do que para os outros.

– O que acha que eles podem fazer? – indaguei, curioso.

Eles distribuíram olhares entre si, como se deliberassem se poderiam falar algo. Minha perna começou a balançar, contra a minha vontade.

– Talvez... – começou Dylan.

– Um ataque – Louis completou a sentença, sem pestanejar.

Meus olhos se arregalaram, pensando no horror que poderia acontecer.  Meu peito subia e descia rapidamente. Virei a cabeça para o jardim, mas nem aquele ambiente parecia confortável para mim me acalmou.

– Boa tarde a todos – ouvi uma voz masculina muito grossa surgir na entrada da varanda.

Quando me virei para lá, um rapaz muito alto, vestido totalmente de preto vinha em nossa direção, seu olhar castanho brilhou ao encontrar os de Elizabeth.

– Will, este é Ivan... Meu esposo.

Ele se aproximou de mim e apertamos as mãos amistosamente, logo ele se virou para Elizabeth e beijou-lhe a testa. O aspecto sério de Elizabeth sumiu completamente ao receber aquele carinho tão sutil de seu marido. Aproveitei o momento de distração para olhar o semblante de Dylan e ele encarava algum ponto vazio no chão como se um mundo de perguntas e possibilidades rondasse a sua cabeça.

– Dylan... – sussurrei.

O rosto dele se virou para mim e não parecia preocupado ou triste... Apenas lívido.

– Tudo bem, Will... – murmurou, de seu jeito meigo.

Uma vontade imensa de beijá-lo cresceu dentro de mim. Meu lábio crispou desejoso. Elizabeth, Louis e Ivan conversavam distraídos, mas entre todos ali, eu não tinha coragem de levar meu desejo a frente. De repente, algo macio como pluma roçou em minhas pernas, o que me causou arrepios em todo o corpo. Quando olhei para baixo, o olhar dourado da gata Isis me encarou, em toda a sua doçura, e eu fui levado a acariciar-lhe a cabeça levemente. Suas patinhas felpudas se apoiaram sobre assento do sofá, enquanto ela aproveitava minha carícia.
Isis piscava para mim, como se quisesse segredar-me alguma coisa.

– Isis é nosso amuleto, Will. – a voz de Elizabeth me fez despertar do pequeno feitiço do bichano. – Ela te conheceu hoje e não demonstrou medo. Gatos sentem quando há perigo em alguém.

Sorri, agradecendo-lhe com um “obrigado” tímido. A gatinha saiu preguiçosa das minhas pernas e engraçou-se com seu dono. O clima tenso havia ido embora e talvez pudéssemos continuar a conversar. Ivan havia se retirado para a sala de estar e eu meus companheiros continuamos na varanda, como antes.

– Estamos trabalhando para que nada de muito grave ocorra durante o baile, mas sabemos o quanto será complicado – Louis continuou o assunto sem dificuldade alguma.

– Vamos fazer o máximo que pudermos – completou Dylan.

Elizabeth vagueava o olhar para o jardim, este estava repleto de borboletas multicoloridas. Ainda a contemplá-lo, disse:

– Eu gostaria de conhecer seu tio.

Não pude evitar demonstrar o susto ao ouvir suas palavras, mas me recompus e perguntei:

– Como?

– Ivan pode conseguir isso para nós. – ela se virou para mim e pousou as mãos entrelaçadas sobre o colo.

Os rapazes concordaram, sem pestanejar.

– Como Ivan é novo por aqui, provavelmente será convidado para algum jantar. Com um pouco de astúcia, ele pode convencer o anfitrião a convidar o seu tio... – continuou ela, impassível.

– “Adoraria ter a honra de conhecer o herói da cidade” – a voz de Ivan surgiu novamente na entrada da varanda, ele sorria, sarcástico.

– Palavras assim são muito efetivas, Ivan – disse Louis e todos rimos juntos.

– Será mais interessante vê-lo com meus próprios olhos. – Elizabeth parecia concentrada em seu plano, eu gostaria de estar nesse encontro.

– William? – ouvi a voz grossa de Ivan me chamar, ele coçava a barba com as mãos, assim como os velhos da cidade – seu pai é Jim Sullivan, certo?

– Sim. Ele mesmo. – ainda era chato ter de falar sobre o meu pai, mas talvez fosse interessante para eles.

– Ele demonstrou muito interesse em negociar comigo. Almoçamos juntos hoje.

– Será que este anfitrião pode ser seu pai, William? – Louis sorriu, sabendo que a ideia era maravilhosa.

Elizabeth e Ivan em minha casa? Era certo que meu tio estaria presente. Meu pai quase nunca convidada alguém para jantares, mas quando o negocio era de muito interesse seu, era praticamente certo que convidaria.

– Muito provavelmente ele vai convidar vocês... Se este jantar ocorrer, acredito que meu tio irá.  

– Então... – Elizabeth encarou seus companheiros sorrindo, depois retornou o olhar para mim, satisfeita – Conhecerei sua família, Will.

Dylan observou sua prima, sorria, sabendo o quão irônica seria essa situação. Eu apenas pensava que aquele fato deveria ocorrer antes do baile, para que tudo não se desdobrasse em tragédias. Como meu pai era bastante ansioso quando se tratava de negócios, provavelmente, aconteceria no final de semana... Que já estava bem próximo.

– Se ele demonstrar alguma coisa, eu aviso ao Dylan.

– Tudo bem, Will. Agradecemos imensamente sua colaboração – a voz dela era meiga, e eu sentia a sinceridade em suas palavras. Acho que nossa reunião havia terminado ali.

– Obrigado, William. – disse Louis, com um sorriso de lado que mais parecia ironia do que agradecimento.

– Não há de quê... Eu..

Meu olhar hesitante correu para Dylan e eu não consegui disfarçar que tudo o que fazia era por ele.Somente por ele...

4 comentários:

  1. Tô sentindo que o baile vai ser o "tudo ou nada" do enredo... A cartada decisiva.
    E eu bem queria ter um amuleto fofo desses, de quatro patas e que fizesse miau, rsrs... ^^"

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    Respostas
    1. O baile vai ser muito tenso, uma verdadeira batalha entre as duas raças.

      Isis é um amorzinho, também queria um amuleto fofo desses *_*

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  2. Esse baile vai ser bem interessante!
    Mas se antes for o jantar em que conhecerão a familia do William... hum talvez ainda seja mais interessante ^^"

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    Respostas
    1. O baile vai ser interessante....
      O jantar... adianto que ele irá acontecer e vai ser de grande valia aos devalli ^^

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