5.7.17

Devalli Demons Capítulo 44 por Golden Moon


Capítulo 44

Eu observava o jardim, curioso por aquele ambiente. Louis e Elizabeth pediram licença e partiram para seus próprios afazeres. Eu e Dylan permanecemos na varanda coberta, de pé, em silêncio.

– Você tem feito bastante por nós, Will. – a voz dele estava bem perto de mim e percebi que ele estava bem ao meu lado.

Meu corpo, como em reflexo, logo girou para ficarmos frente a frente e minha mão hesitou, como se tivesse vida própria, a querer acariciar o rosto de Dylan.


– Por você, Dyl – sussurrei, sabendo que por mais que minha voz estivesse baixa, ainda poderíamos ser ouvidos naquele imenso silêncio.

Dylan suspirou, compreendendo muito bem o que eu dizia.

– Você quer passear um pouco pelo jardim? – olhou seu relógio de bolso – ainda são duas da tarde.

Balancei a cabeça, aquiescendo o seu pedido, ansioso para passar um tempo a mais com ele. Uma pena que alguns dos meus desejos não poderiam ser atendidos ali, mas só em estar ao seu lado, era maravilhoso.

Descemos a escada lateral e um pequeno caminho de pedras nos levava ao arvoredo do jardim.

– Estamos preocupados, mas sei que a situação pode ser resolvida... – entramos naquele caminho cercado de árvores e talvez tivéssemos mais privacidade ali.

– Eu confio em vocês – lacei meu braço em torno do cotovelo de Dylan. – gostei muito de Elizabeth, ela me passa determinação... Posso fazer uma pergunta?

Continuávamos andando, mergulhados naquele caminho muito verde, pintado de flores. Aquele jardim era maior do que eu imaginava.

– Claro.

– Quando anos ela tem? Parece tão nova... – perguntei, cuidadoso. Minha indagação era um pouco indelicada.

– Vinte e sete. Lizzy é a nossa líder mais jovem, foi cotada bem cedo para o cargo –  sorria ao terminar a frase, fiquei aliviado de que ele não se incomodou com a minha pergunta.

– Ela é um prodígio como você?

– Sim, até mais do que eu.  Ela é dotada de um poder muito grande – quando Dylan arqueou as sobrancelhas ao falar “muito grande”, eu poderia ter certeza que aquela bela, jovem e simpática moça era um verdadeiro monstro quando se transformava em demônio.

– Não se preocupe se aparecer algum caso de insanidade por aqui. Você já sabe quem são os autores.

– Eles pretendem fazer isso? – agarrei o braço de Dylan com ainda mais força. Chegávamos a um caminho de ladeira e borboletas amarelas nos rodeavam.

– Louis já está sedento. Faz alguns dias que ele não ataca alguém.

– E você não fica assim, Dyl? – não consegui olhar em seus olhos, mas aquele fato me intrigava demais.

–  Eu nunca fiz, então... Se fizesse uma vez... – direcionou o olhar para as pedrinhas no caminho e eu logo compreendi o resto da frase.

Chegamos a um espaço aberto coberto pelas copas das árvores, mas iluminado pelas frestas da luz tímida do sol que incidia entre as folhas. No chão, repousavam algumas folhas secas e pétalas de flores trazidas pelos ventos. No meio daquele espaço tão quieto e harmonioso, um solitário banquinho de madeira pintada de branco nos convidava a sentar e ficar ali o resto da tarde.

Estremeci ao sentir o toque quente da mão do Dylan sobre a minha, caminhamos até o banquinho. Não resisti a ficar bem perto dele, pousando minha mão sobre a sua coxa.  Antes de dizer qualquer palavra a mais, ele segurou meu rosto entre as mãos e trouxe-o para perto de si, invadindo-me com um beijo demorado. Ninguém podia nos ver dali e apenas o canto tranqüilo dos pássaros ressoava sobre o local.

– Poderia passar a tarde inteira aqui contigo – roçou o nariz sobre o meu.

– Eu também – sussurrei, sentindo a pressão dos seus dedos sobre a nuca e o hálito quente ainda perto da minha boca. Não resisti a dar-lhe um beijo breve, mas terno.

Permanecemos mais alguns instantes entre beijos breves e pequenas carícias, em nossa própria maneira de suprir a falta dos outros dias. Em nenhum momento ouvimos qualquer barulho e limitamos ao som dos estalos dos nossos beijos e o canto dos pássaros ao fundo.

– Eu queria que as coisas fossem mais fáceis para nós – sussurrou, bem ao pé do meu ouvido e eu aquiesci, concordando completamente com suas palavras.

– Temos tantas coisas ao nosso redor, Dylan... É tanto com o que se preocupar, mas...

Dylan voltou a atenção para o meu rosto e eu segurei sua cabeça com ambas as mãos.

– Quando ficamos assim, sozinhos, é como se nada mais existisse em volta. Eu só queria estender estes momentos – acariciei o rosto dele e Dyl me devolveu uma carícia, sorrindo, curvando seus lábios finos rosados, extremamente sincero.

– Sinto o mesmo.. Só temos de fazer ser intenso... Cada minuto  – dedilhou minha perna, fugindo do meu olhar por alguns instantes – Cada segundo junto.

Beijei sua bochecha, respondendo tais palavras tão doces, eu realmente não conseguiria lhe responder de outra forma.

Repousei a cabeça sobre o seu ombro e ele suspirou, agarrando-me pelas costas.

– Esse jardim lembra os meus pais.

Estreitei o olhar, sem levantar a cabeça para observá-lo. Fiquei curioso com sua fala. Dylan quase nunca mencionava seus pais. Esperei que continuasse.

– Eles costumavam me trazer para cá, quando nossa família se reunia nesta casa.

– É um jardim maravilhoso... Estas memórias devem ser lindas – acariciei as pernas dele, confortável por saber que ele falava sobre o assunto comigo.

– Antes de morrerem em batalha, uma semana antes, eles me trouxeram aqui. Eu tinha dez anos. Minha mãe adorava as borboletas. – Levantei a cabeça e seu semblante parecia longe... Como se pudesse ver seus pais e sua própria figura infantil a caminharem por aquele jardim.

– Tenho medo de que aconteça novamente. – ele acariciou meus cabelos e sua mão apertou-me com ainda mais força contra seu corpo.

– Eu torço por vocês, Dylan. Sua família ficará bem.

– Não me preocupo tanto com eles, podem se defender muito bem, ainda mais com Lizzy por aqui. – Dylan acomodou-se no assento de forma que ficássemos frente a frente.

– Você é que me preocupa, Will. – sua mão deslizou sobre a minha bochecha e seu braço contornou a cintura e logo Dylan curvava-se para mim, abraçando-me de forma lenta, mas muito calorosa.

– Estou bem, Dyl. – agarrei o pescoço dele.

– Você também é minha família. – beijou a curvatura do meu pescoço e eu devolvi seu abraço, sentindo que se tornava mais tenso, mas não menos amoroso.

Neste momento, o significado que eu tinha para ele se tornava cada vez mais claro. Não era seu namorado, apenas... Era família, apoio... Segurança.

– Não se preocupe, Dylan.. – sussurrei em seu o ouvido – Você vai me proteger.

Senti a cabeça do meu namorado balançar sobre o meu ombro, confirmando a minha sentença. Dylan agarrava-se com ainda mais força, como se quisesse me unir ao seu corpo.

– Faço o que for preciso, Will. – ele suspirou, e eu cheguei a pensar que choraria em meus braços.

Antes de ter tempo de lhe responder, ele voltou à sua posição anterior e acariciou meu rosto.

– Não quero mais perder alguém que tanto amo...

Pisquei os olhos e era inevitável que as lágrimas fugissem. Funguei o nariz, sentindo-me terrivelmente exposto, enquanto o líquido quente corria pelas minhas bochechas. Na frente dele, eu podia me despir de qualquer julgamento, qualquer sofrimento. Eu estava protegido. As lágrimas poderiam estourar e assim eu fiz. Dylan inclinou a cabeça para frente e beijou as minhas pálpebras e, em sua aproximação, eu vi no rosto algumas lágrimas descerem também.  Ficamos alguns instantes deixando que apenas o silêncio de nossas lágrimas se encarregasse de falar por nós, depois nos levantamos e andamos de volta para a mansão.

Ao chegar lá, conferimos que já eram mais de três da tarde. Um lanche bem abastado foi servido e todos estavam à mesa, animados. Assim como no almoço, não discorremos sobre ataques ou mortes. Foram apenas conversas informais sobre a chegada dos meninos e os poucos atrativos da cidade. Quando terminamos, Philippe entregou-me a bolsa do colégio e logo eu estava em uma carruagem, à caminho de casa, junto a Dylan. Ele me deixaria a meio caminho da chácara e depois partiria para sua casa, de volta aos meus problemas...

6 comentários:

  1. Oi!!! Estou acompanhando a história há um tempo e simplesmente me apaixonei.
    Sua escrita é maravilhosa! Continue logo.

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    1. Olá! Que bom ♥ Fico feliz que esteja gostando ♥
      Muito Obrigada!!

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  2. Oi Golden
    Olha toda essa familia parece muito boa, eles nem parecem demonios rsrsrs
    Não deve faltar muito imagino para, algo importante se vir a descobrir e acabar com essas mortes

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    1. Oi, Rima-san ♥
      Eles são unidos e leais uns aos outros. O sangue 'sobrenatural' realmente ñ determina muita coisa kkkk'
      Sim, vamos ter coisas muito importantes a vir :D

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  3. oi Golden! o capitulo esta maravilhoso amo o dylan e will. ansiosa pro proximo

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    1. Oi, Dineia! Obrigada por acompanhar! ♥

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