22.7.17

Devalli Demons Capítulo 47 por Golden Moon


Capítulo 47

Completamente molhado e sujo de sabão, logicamente, depois de arrumar Arthur, tive de me secar e trocar minha blusa.  Logo minha tia, Gilbert e três empregados da família Seymour chegaram, e o dia começou a ficar mais agitado. Tomamos café as pressas e minha mãe logo correu para a cozinha, cuidar dos preparativos da refeição e minha tia se comprometeu a arrumar a decoração da casa.



 Gilbert até parecia mais quieto naquele dia e passou a maior parte do tempo à sombra do pé de laranjeira aos cuidados da sua babá Jenny. Tentei manter Arthy o mais longe possível dele e meu irmãozinho sequer fez uma queixa. Passamos praticamente a manhã inteira em meu quarto, brincando e lendo histórias. Somente à tarde, após o almoço, quando os dois tiraram um tempinho para a soneca, que eu pude trocar algumas palavras com minha mãe.

Ela continuava na cozinha, dando ordens para a todos os ventos e provando cada prato preparado. Assim que pisei os pés na cozinha, vislumbrei encostada à mesa, debulhando ervilhas. O cabelo preso ao alto e seu rosto vermelho, prova de que se estressou o dia inteiro.

Assim que me viu entrar timidamente no aposento, perguntou:

– Tudo bem, filho? – olhou para o lado e para o outro, como se procurasse algo – Cadê Arthy?

– Está dormindo em meu quarto. – encostei-me a ela, petiscando a cenoura crua sobre a mesa. Achava-a tão doces...

– Em seu quarto? – ela parou a atividade de imediato – Leve-o para o dele, Will! Não dê moleza.

– Ele passou o dia comigo, mãe. Deixe-o quieto.

Jasmim virou-se inteiramente para mim, olhando-me fixamente. E não somente eu estranhei a reação dela, como duas cozinheiras nos olharam, sorrateiramente.

– E o Gilbert? Os dois sempre ficam juntos!

– Gilbert está agredindo o Arthur. – disse, alto o suficiente para que toda a cozinha me escutasse.

– O que você disse, William? – a voz fina e chata de Lilian insurgiu na entrada da cozinha, questionando-me em alto e bom som.

Seu olhar de desprezo percorreu toda a minha silhueta e a cada dia que passava, eu conseguia devolver o mesmo olhar para ela.

– A senhora escutou bem, tia. – cruzei os braços, como se a desafiasse – Seu filho bate no meu irmão.

Ela se aproximou um pouco mais de mim, os sons das suas botas ecoavam no silêncio esquisito da cozinha. Acho que todos os presentes prestavam atenção em nós naquele momento.

– De onde você tirou isto? – bateu o punho sobre a mesa, aumentando o tom de voz – Nunca vi meu filho levantar a mão para o Arthur, nem qualquer outra pessoa!

– Lilian, vamos... – começou minha mãe, um pouco perplexa com aquela discussão.

Porém, minha raiva era grande demais para aceitar o cinismo de Lilian.

– A senhora nunca viu, mas eu já. – olhei para Jasmim – Mãe, pergunte ao Arthy quando ele acordar.

Jasmim devolveu o olhar, ainda assustada. Não queria confrontar a irmã.

– Crianças podem inventar boas mentiras... – Lilian baixou o tom, franzindo a testa

Dessa vez, minha mãe virou o rosto para a irmã, chateada com as últimas palavras dela.

– Você está querendo dizer que meus filhos são mentirosos, Lilian? – disse, um pouco mais alto que seu tom normal.

O rosto de Jasmim, que já estava vermelho desde que entrei na cozinha, começou a suar e avermelhar-se ainda mais. Lilian suspirou, baixando um pouco a guarda, mas não a sua arrogância.

– Claro que não. Mas o meu filho não é uma peste – ela olhou para mim, ainda me confrontando.

– Se a senhora, acha... – peguei uma ameixa fresca no cesto – Mas eu não vou deixar que Arthur fique sozinho com ele.

Levei a ameixa à boca, mordendo-a com gosto. Andei em direção à saída da cozinha, uma sensação de vitoria se espalhando pelo meu corpo.

Voltei para o meu quarto e Arthur continuava a dormir quietinho, como um anjo. Olhei para a janela entreaberta, como se quisesse ver uma mensagem de Dylan surgir por ali, mas não havia nem um rastro de penas do Kuroh. Ele poderia estar até desejoso de me mandar alguma mensagem, dado que hoje minha família e a sua se encontrariam, mas ele não poderia arriscar, pelo meu bem.

Quando o final da tarde chegou, eu finalmente senti que o dia começaria de verdade. Minha mãe, tia e todos os empregados da casa já haviam preparado tudo para a ocasião e eu cuidei de Arthur o dia inteiro, e ele se comportou como nunca tinha visto antes... Não satisfazia todas as suas vontades e tentava mantê-lo no limite, mantendo a paciência, claro. Até que minha mãe terminou os serviços e ele correu para a barra da saia dela, já que sua birra foi embora.

Depois disso, não desgrudou um momento de Jasmim, como se minha existência fosse completamente apagada de sua cabeça. Porém, eu mal podia reclamar de meu irmãozinho, já que na infância eu era igualzinho a ele.

Jim e Erin chegaram depois de tudo pronto, exibindo sorrisos para todos os lados do jeito mais incomum o possível. Erin ainda exibia um cinismo e carinho excessivo por seu filho que me deixou extremamente curioso. Pegava o garoto no colo, brincava com ele de levantá-lo para o alto, arrancado risos e mimos do seu filho.
Não sei o que lhe acontecia no momento para tal mudança de comportamento, mas aquilo tudo estava muito estranho para mim, pois todos os outros se encantaram com o carinho do papai por seu filhinho...

2 comentários:

  1. Gostei do Will encarar a tia, mesmo ela sendo bem sinica....
    Tem muita coisa estranha acontecendo, mas bem quero acreditar que esse jantar vai se descobrir muita coisa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, ele adorou encarar a titia querida kkk
      Talvez o jantar traga ainda mais duvidas, Rima..

      Excluir

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